Хелпикс

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trabalho. 5 страница



Arthur brincava de espirrar á gua com as crianç as. Joanna entrou

lentamente na piscina, sentindo um arrepio de prazer. Os olhos dele se

encontraram com os dela, e entã o Terry atirou-lhe uma bola colorida.

Joanna mergulhou, sem saber se fizera isso para evitar a bola ou os olhos

cinzentos, que brilhavam no rosto queimado.

Arthur parecia muito mais jovem, brincando ali com as crianç as, como

se tivesse abandonado o peso da responsabilidade por uma ou duas horas.

Todos jogaram bola durante algum tempo, e depois, cansados, saí ram

da á gua para sentarem-se nas cadeiras, à sombra das á rvores. Mandy

acabou adormecendo nos braç os de Arthur, enquanto Joanna os observava

de olhos baixos.

Arthur se preocupava com as pessoas que faziam parte da fazenda

das Paineiras e com esses seus amigos. Mas ainda assim, ela tinha a

impressã o de que uma parte dele era muito solitá ria. Talvez, de tanto

trabalhar, nã o tivesse tempo para amar. Seria possí vel para a egocê ntrica

Sally preencher o vazio que havia no coraç ã o daquele homem? Talvez o que

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Livros Florzinha - 77 -

ele quisesse mesmo fosse um filho como Terry e uma garotinha como

Mandy, que dormisse com a cabeç a em seu ombro...

A tarde foi chegando ao fim e o dia ficou, mais fresco. Todos

entraram para trocar de roupa, e tomar chá com creme. A sala foi

escurecendo, e quando Sarah acendeu as luzes, elas piscaram, e ficaram

amareladas.

— Alguma coisa aconteceu com o gerador — disse

Terry, levantando-se rá pido. O garoto limpou com um guardanapo o creme

dos lá bios e saiu logo em seguida, para ver o que era.

— É ó timo ter um eletricista em casa — comentou Jeff. — A nossa

energia é fornecida por um gerador a diesel. À s vezes ele encrenca, e é

Terry quem sempre dá um jeito. Por mim, usarí amos só lampiõ es a

querosene, que nã o dã o trabalho nenhum.

— Algué m vai querer mais chá? — Sarah perguntava, quando houve

um clarã o, um estouro e depois tudo ficou à s escuras. — Terry!

— Pegue as lamparinas! Vamos acender! — A mesa sofreu

um solavanco quando Jeff lhe deu um encontrã o no escuro. Joanna sentiu o

coraç ã o disparar e pegou Mandy no colo, quando a menina começ ou a chorar.

— Calma, queridinha. Logo vamos ter luz, e vamos saber o que

estourou.

— A coisa fez bang... — reclamou a garota, o rosto apertado contra

Joanna. J eff acendeu as lamparinas e, acompanhado de Arthur, saiu correndo

de casa. Sarah os seguiu com um ar apavorado no rosto. Joanna continuou

abraç ada à garatinha, tentando nã o tremer. O dia havia sido perfeito

demais, mas havia acontecido alguma calamidade. Terry deveria estar

ferido...

Arthur voltou primeiro, carregando o menino inconsciente nos braç os,

e Jeff, logo atrá s, abraç ava Sarah. que soluç ava.

— Calma, amor. Ele levou um choque e está um pouco queimado, mas

está respirando. Vamos ver o que se pode fazer, e depois vou entrar em

c ontato com o mé dico, pelo rá dio.

— Jeff, olhe o braç o dele!

— Eu sei, querida — acalmava Jeff, enquanto Mandy caia

na choradeira novamente, com Joanna tentando aquietá -la.

Com aquele jeito sé rio e calmo que lhe era caracterí stico, Arthur

colocou o garoto no sofá e examinou com cuidado a extensã o da queimadura.

Com o rosto inexpressivo avisou:

— Vamos cobrir isto aqui, e, em seguida, vou levá -lo no aviã o para o

hospital mais pró ximo. Estas queimaduras nã o podem ser tratadas em casa.

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Sarah, por favor, pegue a caixa de primeiros socorros. Jeff, arranje uns

dois cobertores para embrulhá -lo.

— Terry...

— Sarah, quanto mais depressa o levarmos para o hospital, melhor —

afirmou Arthur, muito sé rio.

— Eu... eu sei. Mas ele está com uma aparê ncia tã o frá gil e... e ainda

há pouco estava comendo aqui com a gente... — Sarah tapou a boca com a

mã o, enquanto corria para o outro quarto, voltando logo em seguida com a

caixa de primeiros socorros. Joanna deu com os olhos de Arthur a

observá -la, por cima da cabeç a da garotinha em seu colo.

— Sarah vai querer ir com o filho para o hospital... — disse ela.

— Sim — Arthur afastou os cabelos do rosto do menino. — Você fica

aqui e cuida de Mandy. Vou pedir a Jeff que entre em contato com as

Paineiras pelo rá dio, para avisar que vamos chegar atrasados. Nã o fique tã o

preocupada, Joanna. Terry vai ficar bom. Está em estado de choque e

sofreu algumas queimaduras no braç o, mas nã o vai levar nem duas horas

para chegarmos ao hospital... você nã o se incomoda de ficar aqui, nã o é?

Mandy precisa de algué m e você també m pode fazer companhia ao Jeff.

— Mas é claro que eu fico. Só estou triste por um passeio

tã o agradá vel terminar deste jeito...

— Talvez eu fique lá até amanhã cedo.

— Nã o faz mal, se pelo menos Terry receber o

tratamento necessá rio...

— Garoto maluco... tã o ansioso para ser homem antes do tempo... Eu

també m era assim. Deve ser alguma coisa desta terra. Tanta coisa

para conquistar, tanto para conseguir e tã o pouco tempo para brincadeiras

de

crianç a...

Logo depois, o menino, embrulhado num cobertor, era carregado para

o carro, Joanna ficou olhando da varanda, enquanto Jeff sentava-se à

direç ã o.

— Nã o fique nervosa. Jeff só irá demorar alguns minutos para nos

levar até o aviã o — havia avisado Arthur.

— Boa viagem.

Ele havia olhado para ela por um momento.

— Você nã o perde a calma nas emergê ncias, nã é, Joanna Dowling?

Vejo você ao amanhecer.

Haviam saí do, e tudo estava quieto. Arthur tinha falado como se

realmente se importasse em deixá -la, e dando a impressã o de que gostaria

de voltar depressa... Joanna entrou novamente em casa para ver Mandy, que

acabara dormindo no sofá. depois de tanto chorar. Joanna se ocupou em

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Livros Florzinha - 79 -

arrumar a louç a do chá, como se precisasse fazer alguma coisa para impedir

que seus pensamentos a dominassem. .

No dia seguinte, ela estava tomando café com Jeff e Mandy, quando

escutou o ronco do aviã o que voltava.

— É Arthur — disse Jeff, olhando para Joanna com gratidã o. —

Você foi formidá vel, ficando aqui para cuidar de Mandy e de mim... agora,

nã o se preocupe com a louç a! Vou levar você já para o aviã o. Arthur disse

que esperaria pela gente lá.

Sarah també m havia voltado e, ao sair do aviã o, correu com um

sorriso para o marido.

— Terry vai ficar bom! O mé dico disse que ele vai poder voltar para

casa dentro de uma semana. Vã o trazê -lo na ambulâ ncia aé rea...

— Mamã e, eu estou aqui... — A menina queria alenç ã o.

Sarah

abaixou-se e abraç ou-a.

— Onde está a mocinha da mamã e? Teve juí zo enquanto eu estive

fora?

— Joanna me contou uma histó ria sobre um carro má gico. — Mandy

olhou para Arthur e sorriu. — Onde está o Terry? Por que você nã o trouxe

ele de volta no aviã o, tio Arthur?

— Ele machucou o braç o, querida, e precisa ficar mais um pouco no

hospital. Mas vai voltar logo para casa.

Mandy pensou um pouco e perguntou: — O Terry chorou quando

machucou o braç o?

— Ele foi muito corajoso, queridinha — disse a mã e, beijando a t esta

da menina. — Está num quarto com outras crianç as, por isso nã o vai

sentir muita falta da gente.

E todas as crianç as estã o machucadas?

— Sim, mas estã o todas sarando. Hoje à noite vamos tentar falar

com ele pelo rá dio, esta bem?

— Sim, mamã e, Oh, eu queria que já fosse de noite! Com isso, Joanna

olhou para Arthur, que lhe disse:

— É melhor a gente ir agora. O que está trazendo nessa sacola?

— Uma garrafa de chá e alguns sanduí ches — disse Jeff, estendendo

a mã o ao amigo. — Pode tomar o café lá em cima, rapaz. Achei que iria

gostar. Um " muito obrigado" nã o é suficiente pelo trabalho que você teve.

— Joanna... — Sarah olhava para ela com os olhos ainda inchados de

tanto chorar. — Você foi t ã o bondosa... nã o sei o que dizer...

— Já disse, agora há pouco. Terry vai ficar bom, e essa é a melhor

notí cia.

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Depois, despediram-se rapidamente e Mandy ficou abanando as

mã ozinhas, fazendo com que Joanna ficasse com um nó na garganta. Pensou,

quase chorando, que quando fosse embora da fazenda, nunca mais iria ver

aquela menininha encantadora.

— Agora que já subimos, eu gostaria de uma xí cara de chá — pediu

Arthur, mais tarde.

Joanna serviu o chá e deu-lhe també m um dos sanduí ches que ela

mesma havia preparado. Jeff ainda pusera na sacola um pedaç o de bolo,

chocolate e biscoitos, dizendo que o vô o nã o era tã o curto assim. Ela

lembrava-se da preocupaç ã o dele, e ficou pensando como era forte a

amizades desses amigos que moravam tã o l onge uns dos outros.

— Ah, que delí cia — comentou Arthur. — Sarah estava tã o ansiosa

para voltar com as boas notí cias sobre Terry, que nó s nem tomamos

café... — Ele se interrompeu tã o de repente que Joanna olhou para ele

surpresa. Arthur estava com os olhos fixos no medidor de combustí vel.

Minha nossa! E essa agora...

— O que foi? O que há de errado? — perguntou ela. ansiosa.

— Está vamos tã o preocupados com Terry que... o fato é que eu me

esqueci de reabastecer o aviã o. — Uma funda ruga de preocupaç ã o

aparecia por entre as sobrancelhas dele. — Teremos sorte

se conseguirmos chegar à fazenda com a gasolina que ainda resta! E agora

nã o dá mais para voltar... o melhor é ir em frente!

— Mas nã o vamos ter que passar sobre o mar?

— Dá para ir um pouco mais adiante, mas depois vou tentar descer

numa praia. Nã o vou esperar até que a gasolina acabe!

— Vamos ficar perdidos! — disse Joanna apavorada.

— Se descermos na praia, teremos que atravessar um bom trecho de

floresta antes de chegarmos até a casa da fazenda. Sinto muito por esse

passeio ter virado uma cadeia de acidentes, Joanna. Mas, como dizemos por

aqui, precisamos estar preparados para qualquer eventualidade.

Quanto de comida ainda resta na sacola?

— Ainda tem alguns sanduí ches, um bom pedaç o de bolo, uma barra

de chocolate e alguns biscoitos caseiros.

— Jeff foi um bom amigo!

— Você parece nã o estar nem um pouco preocupado com tudo isso —

protestou joanna. — E a sua famí lia? A gente nã o devia avisar pelo rá dio que

estamos com pouco combustí vel e que vamos ter que fazer uma descida de

emergê ncia?

— Nã o — disse ele calmo. — Jeff falou com eles ontem à noite, e, se

nos atrasarmos, pensarã o que é por causa de Terry. Assim, nã o vã o ficar

preocupados demais. Se tia Carol soubesse de um pouso forç ado,

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organizaria um grupo de busca, o que nã o é necessá rio. Eu quero que aqueles

peõ es acabem de marcar os novilhos. Alé m disso existe Sally...

Claro que Sally iria ficar nervosa ao saber que Arthur estava perdido

numa floresta com outra garota, Joanna olhou para baixo e viu o brilho do

mar mais adiante.

— Estamos nos aproximando da á gua. Será que vai dar para

atravessar?

Enquanto ela falava, o aviã o começ ou a descer, e o rosto de Arthur

demonstrava preocupaç ã o.

— Sempre que eu tiver que fazer uma coisa dessas vou querer levar

um passageiro que nã o entre em pâ nico. Joanna, você é digna da

Inglaterra. Meu pai sempre dizia que, numa enrascada, os soldados

ingleses eram os que melhor se comportavam!

Depois desse elogio, ela precisou justificar a fé que ele depositava

em sua calma. Portanto, continuou sentada, agarrada à sacola do lanche e

tentando manter o sorriso.

O mar brilhante estava agora abaixo deles. Um azul lindo e

translú cido, mas extremamente perigoso, por causa dos recifes de corai

logo abaixo da superfí cie.

Sabe o que os indí genas dizem do sol? — perguntou Arthur,

desviando os olhos para ela e vendo o sol batendo nos cabelos da moç a.

— Nã o. — Ela sorria, achando que eram muito loucos por estarem

conversando daquele modo, quando corriam um risco tã o grande.

— Eles adoram o sol na figura de uma jovem deusa. Dizem que ela

ilumina o mar e a terra com seus cabelos dourados e sua saia de ouro.

— Isso é lindo. Acho que você aprendeu muitas coisa com os nativos.

— E, inclusive como sobreviver na selva, caso você esteja com medo

de ficar perdida na floresta comigo.

— Nã o somos mais criancinhas — murmurou da.

— Eu nã o sou, mas sob alguns aspectos você é inocente demais.

— Nã o estou entendendo...

— O que confirma o que estou dizendo. Pode nã o demorar muito

tempo sobrevoar um trecho de floresta, mas andar por ela é outra coisa.

Ela logo percebeu o que ele queria dizer. Se chegassem a descer a

salvo, iriam demorar algum tempo para chegarem à casa da fazenda, e até

poderiam precisar passar a noite na floresta, sozinhos, no meio das

orquideas e das grandes á rvores.

O motor começ ou a tossir, e Arthur, a custo, o controlava. Avisou

Joanna: —

Fique de olho no primeiro lugar apropriado para descer.

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A costa se aproximava, mas era coberta de pâ ntanos cheios de flores

amarelas e brancas.

— Se nó s cairmos ali. afundaremos como uma pedra.

Joanna estremeceu, mas de repente reparou numa faixa de areia

branca, logo à frente. Era curta, mas talvez servisse.

— Olhe! — disse ela, indicando a pista que a natureza fizera para

eles. — Será que serve?

— E melhor apostar que sim!

Desceram rapidamente, e parecia que o mar ia engoli-los. O motor

roncava e Joanna sentia o coraç ã o aos pulos. Bastava um só erro e tanto ela

quanto Arthur estariam perdidos para sempre. Nã o se atrevia nem a olhar

para ele, para nã o distrair sua atenç ã o.

As rodas rasparam o topo das palmeiras, e houve um ruí do, como se o

fundo do aviã o estivesse se rasgando.

— Segure firme — gritou Arthur, — Vamos ser sacudidos como gado

na carreta.

Joanna até que gostou daquele humor. Ajudou-a a suportar os francos

e solavancos a que foi submetida, até que, depois de uma corrida louca pela

praia, o monoplano afundou o nariz na areia, a poucos passas das ondas. Deu

uma ú ltima estremecida e se endireitou, enquanto as portas se

escancaravam.

O cinto de seguranç a havia apertado Joanna, deixando-a quase sem

fô lego. Ela olhou espantada para Arthur. ouvindo apenas o ruí do das ondas.

A poucos metros se avistavam as cristas pontiagudas dos recifes. Parecia

um milagre eles terem escapado ilesos daqueles dentes afiados.

— Bem na hora, sr. Corraine — disse Joanna com um sorriso trê mulo.

— O mé rito nã o me pertence — retrucou Arthur. encarando-a nos

olhos. — Foi a mã o do destino. Agora vamos descer e ver se podemos

descarregar alguma coisa.

— Fiquei dura de medo quando descemos.

— Pois comportou-se como uma veterana. — Arthur saiu do seu banco

e foi para o fundo do aviã o. — Deve haver uma caixa de emergê ncia aqui

atrá s.

Ele a encontrou, abriu, achando algumas latas de sopa, outras de

feijã o e um pacote de café. També m havia um cobertor dobrado, remé dios,

uma caixa de fó sforos e um cantil. Arthur deu um tapinha no pequeno

reservató rio de á gua. como se dissesse que ele era o mais precioso item.

— Passe a sacola, nã o vou querer levar esta caixa pesada.

Transferiu as latas para a sacola, deu o cobertor para Joanna

carregar, e enfiou os remé dios e a caixa de fó sforos no bolso. Joanna achou

o cobertor muito macio.

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— É de lã especial — explicou Arthur. — Embrulhado nele, qualquer

um dorme o sono dos justos.

Essas palavras causaram um arrepio de medo em Joanna. Lá em cima.

no ar, havia sido fá cil enfrentar a idé ia de passar uma noite na floresta,

com Arthur. Mas, aqui embaixo, ela já nã o se sentia tã o certa disso...

Joanna ouvia o canto dos pá ssaros, o barulho das ondas e sentia o

cheiro do mar. com todos os sentidos alerta. Aquilo tudo era selvagem. E ela

estava ali sozinha, entre coisas primitivas, junto com Arthur Corraine.

CAPÍ TULO VII

Saí ram do aviã o e caminharam pela praia. Devia ser meio-dia, e o sol

batia a pino na areia e nas palmeiras. Aquilo era como um poster tropical

tí pico, só que o coraç ã o de Joanna estava apreensivo. Nunca havia ficado

s ozinha com um homem num lugar tã o româ ntico, e nunca dependera tanto

de um ser humano, como dependia agora de Arthur! Só ele sabia como sair

dali a salvo.

— Vamos descansar um pouco primeiro. A gente pá ra num

lugar sombreado e almoç a. Está com fome?

Joanna estava à beira da á gua, vendo as gaivotas que mergulhavam à

procura de peixe, corno flechas aladas.

— Ainda está assustada?

Joanna sentiu quando ele a segurou pelos ombros, e virou-se para

encará -lo. Arthur havia tirado o capacete de vô o, seus cabelos estavam em

desalinho e a camisa aberta mostrava o peito bronzeado. Tinha a sacola

pendurada no ombro e seu olhar era tã o calmo como se estivessem num

piquenique.

— O aviã o parece tã o esquisito, largado ali perto do mar... Coitado!

Espero que nã o esteja inutilizado. Robert ficaria aborrecido

— Ele iria ficar muito mais aborrecido se algo acontecesse a você,

nã o é verdade? — O sorriso de Arthur era levemente irô nico. — Agora,

seja boazinha e apanhe um pouco dessa madeira da praia. É preciso que ela

esteja bem seca. Vou acender um fogo e teremos sopa, café e biscoitos.

está bem?

— Está ó timo, estou com o estô mago vazio, sr. Corraine.

— Um instante!

Joanna havia colocado o cobertor no, chã o e já ia saindo para pegar

madeira, mas olhou para ele sem entender.

— Vamos acabar com essas formalidades, que isto aqui nã o é o lugar

apropriado. Você sabe o meu nome, por isso, por favor trate de usá -lo,

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Joanna.

— Mas é o Chefe — insistiu ela, afastando-se depressa, juntando

uma braç ada de gravetos e tentando nã o pensar no que poderia haver por

trá s das palavras de Arthur. Teria sido muito mais fá cil ficar perdida numa

praia branca ao lado de Robert...

— Ei você! — Arthur a chamava, debaixo de uma á rvore que parecia

uma bananeira selvagem. — Quero apenas o suficiente para um foguinho. e

nã o para uma fogueira de socorro!

— Já estou indo — respondeu ela, assumindo um ar desinteressado

ao chegar peno dele. A blusa de seda e a calç a azul formavam uma mancha

de cor na paisagem cheia de sol. — Posso fazer mais alguma coisa para

aiudar? — perguntou, evitando chamá -lo pelo nome.

— Nã o, sente-se aí e refresque-se, enquanto preparo o almoç o. —

Com mã os há beis ele arrumou os gravetos e pô s fogo. e logo depois ardia

uma bela fogueira.

Joanna sentou-se à sombra de uma das bananeiras, com os braç os

abraç ando os joelhos e os cabelos ú midos de suor. Tinha o rosto serio,

enquanto observava Arthur abrir alguns buracos na lata de feijã o. Apó s

colocar a lata na beirada da fogueira e pegar os biscoitos da sacola, ele deu

um leve sorriso e comentou:

— E uma pena que eu nã o possa demonstrar a você como sou

eficiente com um alfinete torto e um pedaç o de barbante. Aquela á gua ali

está cheia de peixes, e na maré baixa a gente pode pegar mariscos nos

recifes. Que lugar, hein? Duas pessoas poderiam viver muito bem dos

frutos do mar, das bananas e das mandiocas, que podem ser desenterradas

por aí.

— Eu acho que essa vida preguiç osa nã o iria atrair você durante

muito tempo — afirmou Joanna. deixando a areia fina escorrer pelos dedos.

— Aposto como, agora mesmo, está impaciente para voltar logo para casa e

ver se as coisas andaram direito na sua ausê ncia.

— Acha entã o que eu sou um homem que só pensa em trabalho e nã o

se diverte? — Arthur disse isso enquanto arrancava uma folha

de bananeira, para ser usada como prato. — Vai ter que tirar o feijã o da

lata usando os biscoitos, já que estamos sem talheres.

— Eu acho que se delicia com o trabalho, senhor... quero dizer...

Arthur. —

Nã o aprecia o meu nome? — perguntou ele, rindo da hesitaç ã o de

Joanna. Colocou café instantâ neo na á gua e mexeu com um pauzinho.

— Acho que nã o vai ficar muito gostoso. Vou ver se acho um coco.

À s vezes eles caem dos coqueiros. — Afastou-se, deixando Joanna a

só s com seus pensamentos.

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Logo depois Arthur voltava, andando no seu passo cadenciado. Joanna

estava tã o acostumada a vê -lo a cavalo que estranhava quando o via andar.

— Temos sorte — disse ele, mostrando dois cocos verdes. — Há de

tudo nesta praia dourada.

— Menos butiques e cabeleireiros... —disse Joanna, atrevida.

Arthur a encarou se sacudiu os ombros com um ar meio ofendido

Naquele instante os dois se lembraram do dia em que ela chegara na

fazenda. Seu olhar indicava que ele esperava já ter sido perdoado.

— Você nunca vai saber da sua aparê ncia naquele dia — disse ele. —

De pé, sob o sol australiano, toda formosa, uma flor inglesa, toda fresca e



  

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