Хелпикс

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Kay Thorpe 10 страница



—Como Joyce Gregory, por exemplo — perguntou Sharon.

—Meu Deus! Nunca! Ela teria sido minha ú ltima opç ã o. Suponho que foi por isso mesmo que me diverti tanto contando a ela que Lee a tinha passado para trá s. — Fez uma pausa, olhando Sharon. — Posso sentar?

— Desculpe — disse Sharon, depressa. — Quer tomar alguma coisa?

— Nada de á lcool. Mas adoraria um chá.

— Vou fazer. Volto num minuto.

Preparou a bandeja do chá como um autô mato, mergulhada em pensamentos. Nã o que a conversa com Lora tivesse mudado alguma coisa. Ainda tinha de enfrentar o mesmo problema. O ginecologista havia confirmado a suspeita: estava grá vida. Lee nã o havia dado sinal de vida por mais de um mê s. Telefonar e contar diretamente nã o lhe parecia conveniente. Ia ter de pensar num jeito. E enquanto isso teria de conviver com o problema sozinha.

Ao retornar para a sala encontrou Lora folheando o á lbum das fotos que Dominic havia tirado.

—Espero que nã o se importe — desculpou-se a cunhada. — Nã o pude resistir. Sã o fotos lindí ssimas! Parece até que você foi modelo a vida inteira.

— Obrigada — disse Sharon, genuinamente satisfeita.

— Quando é que vã o lanç ar a campanha?

— Na semana que vem.

— Entã o vamos vê -la em tudo quanto é revista e cartazes da cidade — disse Lora, sorrindo.

— Na televisã o també m — disse Sharon, controlada. — Mas poucos dos amigos seus e de Lee me reconhecerã o.

— É verdade — disse Lora, apanhando a xí cara de chá e encarando Sharon firmemente. — Você mudou muito. Está irreconhecí vel. E nã o é só externamente. Você está bem, Sharon?

— Muito bem — respondeu, meio agressiva. — Um pouco cansada talvez. Esse trabalho é mais pesado do que se imagina.

— Quem é o pai? Lee ou Dominic Foster? — perguntou Lora depois de uma longa pausa.

—Acho melhor ir embora, Lora — disse Sharon, quase derrubando a xí cara.

— Só porque adivinhei? Se é de Lee ele tem o direito de saber.

— Como adivinhou? — perguntou Sharon, vendo que era inú til negar.

—Intuiç ã o feminina, acho. E um pouco de experiê ncia. Já vi essa expressã o antes. No espelho. É uma sensaç ã o e tanto, nã o? Tudo o que acontece dentro da gente.

- Quer dizer que está esperando um bebê també m?

—Nã o por querer. Pelo menos nã o era a minha intenç ã o — respondeu Lora. — Jason, é claro, adorou a idé ia. Pessoalmente eu preferia ter esperado alguns anos. Mas você ainda nã o respondeu à minha pergunta.

— É de Lee — disse Sharon, olhando Lora nos olhos. — Tem certeza?

— Absoluta. Nã o poderia ser de outro. Acredite ou nã o.

— Nã o precisa ficar brava. Eu acredito — disse Lora, calma. — Nã o sei é se Lee vai acreditar.

— Vai contar a ele?

— Você nã o pretende contar?

— Acho que vou ter de contar, mais cedo ou mais tarde — suspirou Sharon. — Como você diz, ele tem o direito de saber.

— Você voltaria a viver com ele? — perguntou Lora, estudando-a.

— Nã o sei se poderia. Nã o por essa razã o.

— Nã o é fá cil criar um filho sozinha, Sharon.

— Eu sei.

— Nã o lhe restam muitas alternativas — disse Lora, pondo-se de pé. — Tenho de ir, estou atrasada. Lee está na Alemanha e deve voltar na semana que vem. Sabe que vou ter de contar a ele, nã o?

— Sim — disse Sharon, levantando-se també m.

Nã o havia por que protelar. Quanto mais cedo ele soubesse, melhor. E até entã o nada havia a fazer, senã o esperar.

 

 

CAPÍ TULO IX

 

 

Dominic retomou no sá bado à tarde, passando em casa apenas para deixar suas coisas antes de ir ver Sharon.

—Tudo acabado — anunciou triunfante, levantando-a do chã o para beijá -la nos lá bios assim que abriu a porta. — Estou livre pelos pró ximos cinco dias. Onde quer ir? Algum lugar de onde possamos ver sua estré ia na TV, claro. Nã o podemos perder!

Estudou a expressã o dela por um momento e pousou-a no chã o.

— O que aconteceu?

— Melhor sentar — disse Sharon. — Tenho uma coisa para contar.

— Conte logo — disse, ansioso, encarando-a.

— Estou grá vida — disse de uma vez.

Durante longo tempo Dominic olhou-a em silê ncio, sem expressã o, até se controlar.

— Há quanto tempo?

— Seis semanas.

— Há quanto tempo você sabe? — perguntou ele.

— Com certeza, só desde ontem.

— E antes da certeza?

— Uns dois ou trê s dias — disse, enrubescendo diante das sobrancelhas levantadas dele. — Muito bem, devia ter desconfiado antes disso. Acho que estava muito ocupada com outras coisas.

— A assinatura daquele contrato devia ter despertado sua memó ria — disse ele. — Devia ter pensado nessa possibilidade.

— Nã o pensei. Pronto — disse com voz incerta. — Nã o sei explicar. Apenas nã o me ocorreu.


—Ou você ignorou esse risco deliberadamente só para garantir o emprego?

—Nã o! Eu nã o faria isso!

—É o que os outros vã o pensar. Agora já é tarde demais para deter a campanha e começ ar com outra moç a. Já está tudo engatilhado. Vã o ter de enfrentar a mudanç a de imagem no meio da campanha se você resolver mesmo ter esse bebê.

—Que quer dizer? Se eu resolver ter... — perguntou ela.

— Há outras soluç õ es. Com apenas seis semanas nã o deve haver maiores problemas.

— Nã o faria o que você está sugerindo por nada deste mundo, Dominic — disse ela, de dentes cerrados. — Nã o me importa o contrato. Vã o ter de encontrar algué m para me substituir. Nunca entendi mesmo por que tê m de usar a mesma pessoa até o fim.

— Psicologia de publicidade — disse ele, espalmando as mã os num gesto desesperado. — Sharon, você tem de entender. Vai arruinar a sua carreira, para a vida inteira. Suponho que seu marido ainda nã o sabe.

— Ainda nã o, mas saberá. A irmã dele esteve aqui ontem.

— E você contou a ela?

— Ela adivinhou. Está grá vida també m — disse Sharon, sentindo a boca rí gida. — Aparentemente sentiu as vibraç õ es. Nã o sei o que Lee vai pensar. Nã o sei o que fará. Mas tenho certeza de que nunca me pediria para fazer o que você sugeriu. -

— Estava pensando em você e no trabalho també m — protestou ele. — E sobre nó s? Os planos que nó s fizemos?

—Os planos que você fez. Eu nunca disse que concordava.

— Você me animou — disse ele. — Me fez pensar que sentia algo por mim.

— E sentia mesmo, Dominic — disse baixinho. — Gosto de você. E confio em você. Sinto muito fazê -lo perder o trabalho com Lucci só por minha causa, mas você é conhecido o bastante para isso nã o o abalar.

— Nã o vou perder nada — disse, calmo. — Minha responsabilidade é meramente té cnica. Sua vida privada é responsabilidade sua. Eles nã o vã o gostar nada disso.

—Que me processem, entã o.

—E é o que farã o, provavelmente. — Caminhou até a porta, olhando-a ainda uma vez, a boca tensa. —Acho que está sendo boba, Sharon. Se mudar de idé ia sabe onde me encontrar.

A solidã o envolveu-a assim que a porta se fechou. Lee demoraria ainda alguns dias para voltar e era imprová vel que Lora tornasse a visitá -la. Que fazer durante todo esse tempo? Por um momento Sharon pensou em falar com Maureen no escritó rio, mas afastou a idé ia imediatamente. Estava sozinha e ia ter de ficar assim até que a coisa toda se resolvesse de alguma maneira.

O fim de semana arrastou-se lentamente. O domingo estava quente e ensolarado. Sharon sentiu que precisava de ar fresco e de um pouco de exercí cio. Tomou o ô nibus e foi até o parque de Hampstead. Depois de um longo passeio, tomou chá numa casa de chá em Highgate Village. Todos pareciam estar em grupos de famí lias, ou pelo menos acompanhados. Sentia-se rejeitada.

A idé ia de que a vida se desenvolvia dentro de seu corpo era a ú nica consolaç ã o. E apegou-se a ela ferozmente. Lora tinha dito que seria difí cil criar " um filho sozinha, mas se Lee recusasse a responsabilidade, era isso mesmo o que ia ter de fazer. Daria um jeito. Quanto ao contrato com Lucci, poderia pagar a multa com o que ainda tinha para receber.

Relutante, pegou o ô nibus de volta para casa. Ao ver o Mercedes prateado estacionado diante do pré dio, seu coraç ã o parecia querer saltar pela boca. Nã o estava preparada para um confronto. Nã o esperava a volta de Lee tã o rá pido.

Ele estava sentado no carro, esperando, e saiu assim que a viu, os olhos fuzilando.

— Onde esteve? — perguntou sem cumprimentá -la. — Estou esperando há duas horas.

— Fui dar uma volta — disse, controlando-se. — Nã o o esperava tã o cedo. Lora disse que você só voltaria na semana que vem.

— Lora me telefonou hoje de manhã — disse ele, um pouco menos abrupto. — Ela passou o dia inteiro preocupada com você.

—Nã o devia ter feito isso. Tem de se preocupar consigo mesma.

—Acontece que a posiç ã o dela é diferente — disse ele, batendo a porta. — Melhor entrarmos. Isso nã o é coisa para se conversar no meio da rua.

O apartamento nunca pareceu menos acolhedor, mas Lee nem olhou em torno, fixando os olhos nela.

— Sente-se — disse. — Você parece cansada.

— Nã o sou uma invá lida — protestou. — Sinto-me muito bem.

— Já foi ver o mé dico? — perguntou ele.

—O ginecologista, que confirmou a suspeita. Mandou que eu procurasse o meu mé dico.

— Dominic já sabe? — perguntou secamente.

— Sim.

— Entendo — disse ele, contraindo os lá bios.

— Nã o, nã o entende — rebateu Sharon, feroz. — Nã o foi por isso que contei a ele. Aconteceu simplesmente dele saber. Dominic nã o é o pai, Lee. O pai é você.

— Como pode ter tanta certeza? — perguntou, sem mudar de expressã o.

— Porque você foi o ú nico homem que me possuiu — respondeu ela, magoada, apesar de estar preparada para o choque. — E se nã o quiser acreditar é melhor ir embora agora mesmo.

—Ele tinha a chave daqui —disse sem desviar os olhos.

— Que ele veio para deixar comigo. A confusã o toda foi por culpa minha. Mudei sem avisar.

— Nã o devia ter-se mudado. Poderí amos ter endireitado as coisas se você nã o estivesse tã o desesperada para pegar aquele trabalho.

— As coisas eram diferentes naquele momento — disse ela, encarando o rosto preocupado diante do seu. — Lee, para que ficar remoendo o passado dessa forma? Eu o deixei porque pensei que era o que você queria. O trabalho foi só uma pequena parte. E agora acabou. Assinei um contrato que me proibia de engravidar durante os pró ximos dois anos. Dominic acha que vã o me processar.

— Podem tentar, mas nã o vã o conseguir nada. Talvez consigam uma indenizaç ã o pelo rompimento, mas é só. Vou entregar o caso aos advogados da Companhia. Quando é que começ a a campanha?

—Quarta-feira. Já nã o dá mais para suspender.

— É verdade. Vamos ter de deixar as coisas correrem. Pegue suas malas. Vou levá -la de volta a White Ladies.

— Nã o. Assim, nã o — disse Sharon sentindo-se deprimida, mas resoluta. —- Nã o é essa a soluç ã o, Lee.

— Você nã o tem escolha. Trata-se do meu filho e você vai voltar para casa.

— Tem mesmo certeza? — perguntou ela, firme, olhando-o dentro dos olhos. — Nã o aceito mais meias-verdades. Você tem de estar absolutamente certo.

— Tenho certeza — disse ele, abrandando um pouco. — Lora quase me convenceu pelo telefone hoje de manhã. Ficou muito impressionada com você e lamentou nã o tê -la conhecido melhor antes do nosso casamento.

— Nã o teria sido a mesma pessoa — afirmou ela. — Eu mudei muito. Se ao menos eu nã o tivesse...

— Pare com isso — interrompeu ele. — Nã o podemos voltar atrá s, portanto nã o adianta lamentar. Se vamos tentar é melhor começ armos deste momento. Vamos, eu ajudo a arrumar as coisas.

Sharon aceitou a mã o que ele estendeu para ajudá -la a levantar-se, sentindo a firmeza e a forç a de Lee. Desejava ardentemente aqueles braç os em torno de si, mas era cedo demais para isso. Tinham ainda um longo caminho à frente.

Já estavam quase saindo da cidade quando finalmente teve coragem para falar.

— Se isto nã o tivesse acontecido, você continuaria me ignorando? — perguntou suavemente, olhando para ele. — Faz tanto tempo, Lee.

— Nã o sei — respondeu ele, depois de um momento. — Sinceramente, nã o sei. Estou vivendo um dia depois do outro. O trabalho ajuda a esquecer.

—Você tentou vender a casa? — perguntou.

—Sem a sua permissã o? — Era a primeira nota de humor da noite. — Acho que eu ia ter de pensar nisso.

—Sabe que seu pai veio me ver?

—Ele me contou. Disse que você era tã o pouco razoá vel quanto eu. — Sorriu fracamente. — Vamos estar sendo vigiados todo o tempo em busca de sinais de uma nova separaç ã o. Sabe, ainda nã o estou entendendo muito bem as coisas.

—Você disse que acreditava em mim — disse ela.

—Acredito. Nã o estava falando disso. É á idé ia da coisa — disse ele, olhando-a de lado. — Apesar de um pouco cansada, você nã o mudou nada.

—Sã o apenas seis semanas. É cedo demais para mudanç as.

— Nã o para uma outra mulher. Lora teve a impressã o de que você nã o teria dito nada se ela nã o tivesse adivinhado. Ia esconder de mim també m?

— O que é que você quer dizer? — disse, sentindo algo de estranho na voz dele.

— Ela achou que você poderia tentar alguma medida drá stica, diante do estado de coisas. Foi por isso que me telefonou. Tomei o primeiro aviã o.

—Você deve estar cansado també m — murmurou ela.

— Nã o evite a pergunta, Sharon. Você chegou a pensar em se livrar do bebê?

— Nã o — afirmou ela. — Nem por um minuto. Se você nã o aceitasse, eu teria dado um jeito.

—Achou que haveria alguma dú vida?

— Achei que você poderia nã o acreditar que era seu. Nã o consigo vê -lo aceitando o filho de outro homem.

— Mas você ainda seria a minha mulher — disse ele, sem tentar negar o fato. — Eu teria cuidado para que recebesse o que lhe era devido.

— Só que eu nã o aceitaria nenhuma ajuda nessas circunstâ ncias — disse ela, inquieta. — Lee, basta fazer as contas dos dias. Você sabe quando foi que aconteceu tã o bem quanto eu.

— Nã o estou duvidando de você. Nã o mais. Papai estava certo quando disse que eu julgava você segundo meus pró prios crité rios morais.

— Baseado em provas aparentemente conclusivas.

— Isso nã o é desculpa, mas agradeç o a gentileza.

Rodaram em silê ncio por algum tempo pela paisagem imersa na maravilhosa luz dourada do entardecer. Sharon tinha vivido muito pouco tempo em White Ladies para considerá -la como um lar, mas estava ansiosa por chegar. Pairava ainda apenas uma ú nica nuvem sobre tudo aquilo.

— Seria possí vel nos livrarmos da sra. Reynolds? — disse, quase sem pensar. — Nã o suporto aquela mulher.

— Isso já foi feito — disse ele, sem se abalar. — Tivemos uma discussã o outro dia e eu a despedi no ato. Paguei seis meses de aviso pré vio e mandei que fosse embora imediatamente. As faxineiras tê m cuidado de tudo, mas nã o está funcionando.

—Eu posso cuidar sozinha — disse, aliviada. — Vai ser bom.

—Só até encontrarmos outra. Você vai ter outras coisas em que pensar.

—Como acha que as outras mulheres fazem? — perguntou ela, rindo >

— Nã o me importa. Você nã o vai trabalhar na casa. Amanhã vamos consultar Ian Anderson, o mé dico de minha famí lia, para ver se está tudo bem. Certo?

— Claro — disse Sharon, fechando os olhos, satisfeita, mas consciente de que tinham ainda um longo caminho pela frente antes de poder dar vazã o à s emoç õ es que cresciam dentro de si.

Lee era tã o bom quando queria...

A casa era exatamente como lembrava, as janelas brilhando nos ú ltimos raios de sol. Lá dentro o assoalho brilhava, mas nã o havia flores para alegrar o ambiente criando um clima de boas-vindas. Colherei algumas amanhã de manhã, pensou Sharon, sentindo uma tranqü ilidade aquecê -la por dentro. Amanhã ainda estaria ali.

—Trago as minhas malas depois — disse Lee, acompanhando-a. — Estas aqui pesam uma tonelada. Levando em conta a quantidade de coisas que você deixou, nã o sei o que pode haver aqui dentro.

Sharon seguiu-o escada acima, devorando com os olhos aqueles ombros largos, os quadris estreitos, lembrando como era bom acariciar aquelas costas macias e musculosas, sentindo um sú bito e urgente desejo.

— Comprei algumas coisas nas viagens — disse, só para encher o silê ncio. — Coisas de que agora nã o vou mais precisar.

— Vai sentir falta delas? — perguntou Lee, deixando cair as malas, já no quarto.

— Nã o, nem um pouco. Nã o eram mesmo as coisas que eu queria — disse ela, com voz trê mula pelo desejo de que ele a levantasse nos braç os e a levasse para a cama, fundindo o passado e o presente da maneira mais intensa e deliciosa possí vel.

Ele a olhou durante algum tempo e de repente fez um movimento abrupto, mas em direç ã o à porta.

—Vou pegar minhas coisas e guardar o carro — disse. — Durma bem. Nos veremos amanhã de manhã.

Ouvindo os passos dele que se afastavam, Sharon pensou dolorosamente que aquilo era poé tico, mas injusto. Lee a tinha trazido de volta para casa, tinha aceitado as responsabilidades, mas nã o a desejava mais. Nã o podia ter deixado isso mais claro. Era esse o futuro que teriam juntos?

Doutor Anderson era um homem da mesma idade de Richard Brent e achou que Sharon estava muito bem, receitando apenas um fortificante.

—Aos trê s meses você já estará se sentindo perfeita de novo — disse ele. — Até lá os hormô nios já estarã o estabilizados. Por enquanto, tente nã o se preocupar muito com nada. Você é jovem e forte e tudo correrá muito bem. Enquanto isso, trate de aproveitar a vida.

Sharon murmurou uma resposta qualquer, esperando vagamente que o doutor desse o mesmo conselho a Lee. Teria sido mais fá cil revelar logo ao mé dico a causa de sua falta de vitalidade, mas ele era demasiadamente pró ximo da famí lia para ela arriscar.

Na quarta-feira começ ou a campanha Lucci em todo o paí s. Olhando a pá gina dupla da revista semanal que assinava, Sharon sentiu-se estranhamente alheia. Como se o rosto na revista nã o fosse seu, mas sim de outra pessoa, inteiramente diferente. Teria ela jamais em sua vida sido tã o imensamente feliz como a foto mostrava? Que teria dito Dominic na hora da foto para colocar aquele brilho em seus olhos, aquele calor em seu sorriso?

Agitada, estudou o rosto de Lee enquanto ele olhava para a foto, ciente de que ele teria pago qualquer preç o, por mais alto que fosse, para interromper a campanha. Nã o conseguiu decifrar o que ele sentia quando Lee lhe devolveu a revista com um sorriso distante.

—Nã o me surpreende que eles tenham ficado tã o perturbados por perdê -la — comentou, apenas.


A noite foi ainda pior, pois foram pegos de surpresa pelo filme comercial, no meio do programa que estavam assistindo na televisã o. Ao se ver na tela, Sharon sentiu-se embaraç ada, querendo cobrir o rosto com as mã os. Era estranho ver-se tã o desenvolta e bonita, sorrindo para o homem de costas para a câ mera. Nã o conseguia nem lembrar-se do rosto dele. Foi um alí vio quando o telefone tocou, antes que Lee fizesse qualquer comentá rio.

Era Lora. Lee ouviu o que a irmã dizia do outro lado, concordou friamente e estendeu o fone para Sharon.

— Lora quer falar com você.

— Alô — disse ela, pegando o fone e evitando os olhos dele.

— É só para lhe dizer que Jason e eu adoramos sua estré ia na televisã o—disse a outra em tom leve. — Acabamos de ver.

— Logo, logo estarã o cansados de tanto me ver — respondeu ela, també m levemente. — Ainda bem que filme é só um.

— Ah, nó s nã o assistimos muita televisã o — disse Lora, fazendo uma pausa. — Como vai, Sharon?

— Ah, você sabe como é — disse rindo, ciente de que Lee escutava, atento. — Vai ser ó timo quando passarem estas primeiras semanas.

— É mesmo, Jason está sendo um anjo o tempo todo. Nã o reclama nem das minhas ná useas matinais. Espero que esse meu irmã o seja bonzinho també m.

—Claro — disse Sharon —, ele está sendo, sim.

— Sendo o quê? — perguntou Lee, depois que ela desligou.

— Lora queria saber se você estava sendo compreensivo e tolerante — disse ela, tentando brincar. — Eu disse que estava.

— Claro — disse ele, secamente. — Como poderia eu agir diante das circunstâ ncias? É minha culpa que você esteja nesse estado.

É minha que você esteja como está, pensou ela com uma ponta de dor. Mas o estado dela mudaria com o tempo. E o dele?

Richard apareceu sem avisar na tarde seguinte.

—Queria encontrá -la antes de Lee voltar — disse ele, examinando-a.

—Estou contente que estejam juntos de novo, Sharon.

— Todos os trê s — disse ela com um sorriso um pouco irô nico. — O senhor vai ser avô duas vezes de um golpe só. É bom?

— É ó timo — respondeu ele. — Na minha idade já estou preparado para isso. Lorna é que está meio perdida. Já está tentando encontrar uma outra palavra que nã o seja avó.

— O que é que ela achou de Lee e eu voltarmos? — perguntou Sharon, olhando-o nos olhos.

—Acho que ficou aliviada. Dê -lhe algum tempo. Ela acaba amolecendo. Foi criada muito rigidamente pelos pais, que nunca se atualizaram com o sé culo vinte.

— Nã o tem importâ ncia — disse Sharon, sinceramente. Nã o lhe importava, no momento, se a mã e de Lee a aceitava ou nã o. Lee era tudo o que precisava para ser feliz.

— Já nã o é hora de resolver se Lee vai ou nã o ficar em seu lugar na Companhia? — perguntou, servindo um drinque a Richard.

— Você acha que estou fugindo do assunto, nã o é? — perguntou ele rindo, surpreso.

— Está demorando muito para resolver. E nã o respondeu minha pergunta ainda.

— Muito bem — disse ele. — Aceito o pito. A resposta é sim. Lee tomará o meu lugar, em vista de seu comportamento durante estas ú ltimas semanas. Quando você o deixou pensei que ele retomaria a vida de antes. Mas em vez disso mergulhou no trabalho.

— Ele disse que o trabalho ajudava a esquecer. — Sorriu ela.

— Até certo ponto — disse o velho, olhando-a diretamente nos olhos. — Você o sacudiu, Sharon, forç ou-o a tomar consciê ncia de si mesmo. Ele é ó timo. E é melhor cuidar de sua felicidade de agora em diante.

Infelizmente a felicidade nã o era tã o fá cil de achar, refletiu ela depois que o velho partiu. Tinha de ser buscada e trabalhada. Ela sentia que já tinha desperdiç ado uma chance e que, portanto, uma segunda oportunidade nã o seria tã o fá cil de surgir. Talvez a chegada do bebê os aproximasse de novo. Talvez a pró pria gravidez fosse a causa da rejeiç ã o de Lee.

Entã o force-o a esquecer, disse uma voz dentro dela. Pare de perder tempo em lamentaç õ es inú teis e force-o a desejá -la de novo. Está equipada para isso.

Animada pela nova resoluç ã o, olhou para o reló gio. Lee disse que ia voltar por volta das sete e meia. Tinha ainda quatro horas, tempo mais que suficiente se se esforç asse o bastante.

À s quinze para as oito Sharon ouviu o carro chegando. Tinha arrumado a mesa para o jantar í ntimo na sala de mú sica diante das janelas abertas para a tarde dourada, quente e perfumada.

Lee estacou quando a viu, examinando-a de alto a baixo no vestido de veludo cor de â mbar.

— Parece a garota Lucci — disse ele.

— Só na superfí cie — respondeu ela, sorrindo. — Achei que era o momento de emprestar o charme dela.

—Um momento especial? — perguntou ele, curioso.

—Jantar em quinze minutos, se quiser se trocar antes — disse ela pensando que sim, sim, era uma ocasiã o especial, tinha de ser.

—Nã o devia ter-se incomodado, Sharon.

—Estamos casados há dois meses. Já era hora de preparar alguma coisa. Vamos comer na sala de mú sica para variar. Nã o demore.

Deixou-o e entrou na cozinha, mordendo o lá bio. Se seu plano nã o funcionasse, nã o haveria mais esperanç as. Tinha de conseguir levá -lo avante. O amor nã o podia depender exclusivamente da habilidade de Lee. Tinha de tentar por sua vez. Era uma profunda necessidade emocional.

Ele desceu quinze minutos depois, vestindo o roupã o de banho e nada mais.

—Se é para ser í ntimo, vamos até o fim — disse ele, brincando. — Farei o meu papel se é o que espera de mim.

Nã o era o que ela esperava. Mas tinha começ ado e ia ter de ir até o fim. Serviu o jantar e comeu sem nenhum apetite. Nã o provou o vinho. Se ia seduzir o marido, tinha de encontrar coragem dentro de si mesma.

Estranhamente acharam assunto para conversar durante toda a refeiç ã o. Quando Lee finalmente pousou a xí cara de café, parecia ser o ú ltimo gesto do ritual. Ele a encarou, parando de falar. Estaria esperando que desse o pró ximo passo?

Sharon deu. O coraç ã o disparando, ela deslizou pelo sofá até perto dele e tocou seu rosto com a mã o.

— Lee — pediu ela —, beije-me.

— Por quê? — perguntou ele, frio e distante.

—Porque eu estou pedindo — disse ela com esforç o, ignorando a recusa dele, que era como uma bofetada. — Porque eu quero.

Parou entã o, sentindo a coragem evaporar diante da frieza dele. Num esforç o supremo aproximou-se e beijou os lá bios dele, lenta e sensualmente, como ele tinha feito com ela no passado, usando tudo o que ele lhe tinha ensinado, tentando atingir o homem impassí vel por trá s daqueles lá bios imó veis.

Subitamente ele tomou o controle, circundando-a com os braç os e puxando-a fortemente para si, sua boca sendo agora dominante, feroz. O peso do corpo dele afundou-a nas almofadas, a mã o dele, á gil, abrindo o zí per do vestido e penetrando pela abertura para colher seu seio, fundindo-se a ele.

—Está vendo? — murmurou ele junto à orelha dela. — Nã o consigo parar de beijá -la, Sharon. Quero você.



  

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