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The Emerald Coast 8 страница



Mas, se fosse para Roberto melhorar de saú de, nã o valeria a pena?

Podia se divorciar, mais tarde, quando... Nã o, ela nã o podia imaginar a vida sem Roberto.

Alé m do mais, se ele ficasse satisfeito e em paz consigo mesmo, poderia viver mais dez ou vinte anos... e como ela e Marcello ficariam? Com um casamento de conveniê ncia? Nã o! De jeito nenhum. Seria uma situaç ã o insuportá vel.

Ela foi para a cama sem ver Marcello outra vez.

 

 

Poucos dias depois, Roberto teve permissã o para se levantar. Liane passava a maior parte do tempo sentada ao lado dele. O filho també m já nã o saí a tanto, passava horas na sala do computador e de vez em quando se juntava a Liane e ao pai.

Marcello tinha um ar preocupado, naqueles dias, e ela achou que era por causa da revelaç ã o que havia feito. Havia momentos em que se imaginava dizendo a Roberto que Marc sabia sobre o testamento. Depois percebia que isso faria mais mal do que bem a ele.

Quando se sentiu melhor, Roberto voltou a insistir para que ela e Marcello saí ssem e se divertissem.

— Você s já ficaram comigo muito tempo. Quero que saiam, nem que seja por algumas horas.

— Roberto, você sabe que nã o me importo de ficar com você, e Marcello també m. — Ela olhou para o jovem, percebendo que ele tinha se tomado muito distante, naqueles dias. O que estaria se passando em sua cabeç a?

— Claro que nã o. — o filho disse atenciosamente, mas sem convencer o pai.

— Eu insisto. Vou ficar bem; Giorgio está aqui, se eu precisar de alguma coisa... Por favor, saiam. Principalmente você, Marc. Está esquisito, nestes ú ltimos dias. Nã o sei o que aconteceu com você.

— Estava preocupado, papai, mas já melhorei. Talvez a gente aceite a sua sugestã o.

— Se realmente nã o se importa. — Liane disse — Eu vou adorar sair com Marcello. — Ela sabia que isso ia deixar Roberto feliz e ignorou o olhar curioso de Marc.

Mas só na manhã seguinte Marcello fez referê ncia ao passeio.

— Se você estiver pronta, vamos sair logo depois de comermos. Meu pai vai tomar o café na cama, mas já nos deu sua bê nç ã o.

Liane sentiu que seu coraç ã o disparava. Durante os ú ltimos dias, enquanto Roberto estivera doente, ela mal tinha pensado em Marcello. Agora, a ideia de passar o dia inteiro com ele lhe causava um turbilhã o de emoç õ es.

Imaginou em que estado de espí rito ele estaria. Será que seria terno e atencioso como antes? Ou estaria frio e distante, preocupado com a doenç a do pai e a mudanç a do testamento?

— Aonde vamos? — ela perguntou, sentindo-se entusiasmada, no carro.

Ele parecia ligeiramente divertido,

— A La Maddalena. É uma ilha na extremidade norte da Sardenha, a maior base de treinamento naval da Itá lia. Foi usada tanto por Napoleã o como por Nelson.

Ela nã o pareceu se animar.

— Gostaria de ir a algum outro lugar?

— Nã o, eu nã o me importo. É bom sair um pouco, para variar.

— Talvez você preferisse ficar com meu pai.

— Claro que gosto. Por favor, nã o me entenda mal.

— Você está sempre ansiosa para agradar. Como você é boazinha!

Liane ficou vermelha, mordeu os lá bios e continuou em silê ncio.

Se aquele seria o comportamento dele durante o resto do dia, ela teria feito melhor ficando em casa.

— Nem um pouco. Mas se está me levando para passear só para agradar a seu pai, e nã o porque tem vontade, nã o precisava se incomodar.

— E por que você acha que convidei você?

— É fá cil perceber. Você nã o me quer com você. Aposto que preferia estar ao lado de Luí sa, se nã o estivesse preocupado com a saú de de seu pai. Desculpe se estou causando tantos problemas. Podemos voltar, se você preferir assim.

— E me arrisco a aborrecer meu pai?

Ela esperava essa resposta, mas foi o ponto final em seu entusiasmo.

Afundou no assento e ficou triste, olhando a paisagem, fazendo o possí vel para ignorar aquele homem a seu lado.

Passaram por algumas construç õ es pintadas de marrom, ferrugem e rosa. Ao longe, surgiam as montanhas verdes e um rochedo com o formato estranho de uma tartaruga, que terminava num fiorde. Finalmente chegaram a Palau, um vilarejo encantador onde pegaram a balsa para La Maddalena.

A viagem por mar levou menos de quinze minutos e, quando chegaram à ilha, Marcello tomou a direç ã o da cidade. Havia por ali um ar de descuido, mas Liane nã o ficou impressionada.

Ele praticamente ignorou Liane e cada vez mais ela preferia ter ficado com Roberto. Sentia que, por algum motivo esquisito, ele a culpava pela doenç a do pai e pela decisã o repentina de mudar o testamento. Era loucura, porque nã o sabia de nada até o pró prio Roberto lhe contar.

Será que Marcello pretendia enfrentar o pai, contando que ela havia traí do a confianç a do velho? Ou será que estaria pensando em casar com algué m para nã o perder a heranç a?

Uma coisa era clara: Liane nã o constava daqueles planos! Ele estava muito distante, como na é poca em que tinham se conhecido. O que o deixara mais meigo agora parecia ter desaparecido completamente, desde que ela avisara sobre a mudanç a no testamento do pai.

Depois de comerem, ele dirigiu até uma das vá rias praias de La Maddalena. Mas começ ou a soprar um vento fresco que os impediu de tomar banho de sol.

Caminharam em silê ncio pela areia, cada um mergulhado em seus pró prios pensamentos. Mas Liane nã o aguentou aquele silê ncio muito tempo:

— Eu gostaria de voltar para casa.

— Ainda é cedo. O que papai diria?

— E isso importa? — ela perguntou, tensa, apesar de saber que importava. Devia haver um motivo para que Roberto os mandasse sair juntos e, apesar de Marcello nã o perceber, ela sabia que, se voltassem para casa, frios e indiferentes um com o outro, Roberto ficaria desapontado. Poderia até ter outro ataque de coraç ã o!

— Foi ideia dele. — Marcello disse. — Talvez pense que isso... — Ele parou de repente, com uma expressã o estranha no rosto, como se achasse difí cil acreditar no que estava pensando.

— Pense o quê? — Liane perguntou, mas nã o precisava ter feito a pergunta. Marcello tinha adivinhado. De repente, ele sabia exatamente o que estava se passando na cabeç a do pai.

E, o que era pior, sabia que ela sabia!

— Dio! É impossí vel! — Ele a olhava como se casar com ela fosse a ú ltima coisa que desejasse fazer na vida.

Estava vermelho de fú ria, e ela virou o rosto depressa. Tinha caminhado alguns metros antes que ele a alcanç asse e as lá grimas escorriam por seu rosto.

De repente, percebeu que o que pensara ser imaginaç ã o sua era realidade. Amava Marcello! E a rejeiç ã o dele a tinha ferido como uma facada.

— Desculpe, Liane.

Ela parou de caminhar. Sentia que tinha parado de viver.

— Nã o é culpa sua.

Ele notou que ela estava chorando e lhe ofereceu um lenç o.

— Papai sabe o que é para o meu bem.

Ela tentou sorrir e deu um soluç o que fez seu rosto parecer muito jovem.

— Acho que a maioria dos pais tem planos para os filhos.

— Mas nem sempre dã o certo.

— O que você vai fazer? — Ela o olhou demoradamente. — Nã o há nada que eu possa fazer.

— Talvez fosse melhor eu ir embora.

— Oh, nã o! É a ú ltima coisa que ele quer. Seria o fim dele. — Marcello a segurou pelos ombros e a puxou para si, enquanto caminhavam lentamente para o carro. — Deve haver uma soluç ã o. Talvez possamos chegar a um acordo, nã o?

— Está querendo dizer... que poderí amos casar... só por causa dele? — Era a soluç ã o em que ela havia pensado, mas nã o tinha tido coragem de a propor.

Marcello fez que sim com a cabeç a.

— Eu nã o posso, eu nã o posso! — Casar com um homem que nã o a amava seria sua pró pria destruiç ã o, principalmente porque teriam que fingir amor diante de Roberto.

— Claro, eu compreendo. Devia ter pensado melhor, antes de sugerir isso.

Ela achou que ele parecia aliviado.

— Vamos até Caprera. — ele disse, mudando de assunto de repente. — Depois talvez possamos voltar sem causar alarme a papai.

O passeio pela base naval deu a Liane tempo de se controlar melhor. Estava satisfeita por Marcello nã o ter descoberto o verdadeiro motivo de suas lá grimas;

Em Passo della Moneta, o estreito entre as duas ilhas era banhado por ondas espumantes que rodopiavam ao redor de rochas redondas.

Do outro lado do estreito havia uma estrada margeada por tamarindos que conduzia diretamente à casa de Giuseppe Garibaldi, o heró i italiano do sé culo XIX. Mas Liane nã o ficou com vontade de entrar. Seguiram e, numa esquina, havia uma casa com uma vista soberba para a praia. Marcello apontou para as construç õ es discretas do Clube Mediterrâ neo, com telhados cobertos de sapé e portas e paredes de madeira. Os chalé s tinham sido construí dos num bosque de eucaliptos. Parecia um lugar muito calmo. Um roseiral crescia ali perto, com rosas que chegavam até a altura da cintura,

Liane teria escolhido um lugar assim para se afastar de tudo.

— Há um clube de veleiros lá. Gostaria de fazer uma visita?

Liane lembrou-se da ú ltima vez que tinha estado no iate dele e sacudiu a cabeç a.

— Nã o, obrigada. Acho que é hora de voltarmos.

Nunca tinha se sentido tã o desconfortavelmente junto dele, nem no começ o. Mas agora, sabendo o que ele pensava a respeito de casar com ela, estava arrasada.

A viagem de volta foi feita sob tensã o, apesar de Marcello tentar colocá -la à vontade.

— Talvez papai mude de ideia — ele disse, sorrindo —, quando perceber a situaç ã o desagradá vel que está causando.

Ela nã o pensava assim. Roberto estava resolvido. Se Marcello nã o casasse cedo, nã o herdaria nada. Era uma decisã o clara e simples.

Será que ela nã o estaria sendo egoí sta demais, recusando a sugestã o de Marcello de casarem por causa de Roberto? Achava que nã o seria impossí vel manter as aparê ncias numa situaç ã o desagradá vel para Marcello e para ela.

Chegaram e encontraram Raffaele conversando com Roberto, Marcello franziu as sobrancelhas, sem se importar de disfarç ar seu aborrecimento.

— O que você está fazendo aqui?

Raffaele olhou-o com ar distraí do.

— Soube que titio estava doente outra vez... Ele ficou contente com minha visita, principalmente porque você s o tinham deixado sozinho.

— Por sugestã o dele — Marcello respondeu.

— Nã o aborreç a seu pai. — Liane cochichou. Ele deu de ombros e saiu da sala.

Liane aproximou-se de Roberto e abraç ou-o.

— Que bom você ter companhia... Como está se sentindo?

— Bem, muito bem. — ele disse, abraç ando-a. — Raffaele é muito gentil, apesar do que Marc disse. Eu pedi a ele que ficasse algum tempo aqui em casa. Assim, se você e Marc quiserem sair, nã o precisarã o se preocupar comigo. Onde estiveram hoje?

— Fomos a La Maddalena e a Caprera, mas nã o sã o os lugares mais bonitos da Sardenha.

— Há uma ilhota calma, na costa leste, que lhe agradaria muito. — Raffaele interrompeu. — É um lugar quieto, româ ntico, perfeito. Eu a levarei lá.

Apesar de tudo, ele ainda lutava pelas atenç õ es dela.

— Vamos ver, Gostaria de alguma coisa, Roberto, antes que eu suba para trocar de roupa?

Ele sacudiu a cabeç a e fechou os olhos, recostando-se numa cadeira e parecendo cansado. Liane saiu da sala e Raffaele a seguiu.

— Quer ir comigo, Liane?

— Foi por isso que você voltou?

— Claro que nã o. Eu vim ver o titio... mas, enquanto estou aqui! — Ele levantou os ombros e estendeu as mã os, num gesto expressivo. — Você nã o pode me culpar por tentar, nã o é?

Ele sempre parecia tã o inocente! Ela, como sempre, caiu na gargalhada.

— Querido Raffaele, como você é persistente! Mas já deve ter visto que Roberto nã o está nada bem e eu nã o tenho intenç ã o de deixá -lo sozinho.

— Mas fez isso hoje.

— Porque o pró prio Roberto sugeriu, mas garanto que nã o acontecerá de novo.

— Você e Marcello estavam entretidos um com o outro. Eu pensei, quando você s entraram, que...

— Está enganado. Nó s achamos errado deixar Roberto sozinho. Nã o há jeito de saber se ele terá ou nã o outro ataque.

— Pobre titio... — Raffaele parecia sinceramente preocupado. — Acho que ele pode morrer a qualquer momento.

— Como pode dizer uma coisa dessas? Diz que gosta dele e, no entanto...

— Precisamos encarar os fatos. Essas coisas acontecem.

— E é por isso que está aqui?

— Estou aqui para fazer tudo o que puder.

Ou ele era um ó timo ator ou Marcello o havia julgado mal. Liane nã o sabia o que pensar. Preferia escolher a ú ltima hipó tese, mas, por outro lado, Marcello conhecia o primo muito melhor.

— Vou me aprontar para o jantar.

Vestiu-se calmamente e, quando voltou, os trê s homens estavam sentados, Raffaele ao lado de Roberto, Marcello na outra extremidade da mesa.

Ela sentou-se perto de Marcello, olhando rapidamente seu rosto sé rio. Raffaele parecia completamente à vontade e Roberto també m estava muito feliz, muito mais do que nos ú ltimos dias.

— Desculpem-me se fiz você s esperarem. — ela disse, sorrindo para todos, tentando transmitir a Marc a ideia de que nã o devia causar nenhuma preocupaç ã o ao pai naquele momento.

Se ele a entendeu ou nã o, ela nã o sabia, mas Marc procurou manter a conversa sobre assuntos gerais, incluindo Liane em seus comentá rios e fazendo com que ela quase esquecesse o insulto que lhe dirigira à farde.

Roberto sacudia a cabeç a feliz, quando o filho fazia algum comentá rio em voz baixa para Liane. Todo mundo diria que eram dois namorados. A atenç ã o dele a deixava atrapalhada e, mesmo sabendo que era tudo uma encenaç ã o, nã o conseguia controlar o calor que sentia dentro do peito.

Era assim que seria, se Marcello realmente a amasse! Sabia que estava sendo uma tola, ao pensar dessa forma, mas nã o conseguia se conter. Seu corpo estremecia com a proximidade do dele e seus olhos brilhavam cada vez mais.

Depois, na saleta, ela e Marcello sentaram juntos no sofá, tomando licor e café, enquanto Roberto e Raffaele conversavam na varanda.

Novamente a proximidade dele a fez tremer e, dessa vez, Marcello percebeu. Ele franziu as sobrancelhas e se afastou.

— Desculpe. Nã o percebi que sentia tanta repulsa de mim.

Entã o era isso que ele pensava! Que ela ainda o odiava! Naturalmente, lhe dissera isso muitas vezes. Estava certo. Nã o tinha motivos para pensar que ela tinha mudado de ideia.

É claro que agora ele estava fingindo por causa do pai.

— Nã o sinto repulsa por você.

— Nã o?

Os dois ficaram em silê ncio novamente e ouviram fragmentos da conversa dos outros dois:

— Foi algo que eu tive que fazer, Raffaele nã o tive outra escolha. — Roberto dizia.

Ela sentiu que Marcello ficara tenso. Seus ouvidos estavam atentos. Ele sabia o que o pai estava falando.

— Entendo, tio. — foi a resposta de Raffaele.

Marcello respirou fundo e disse qualquer coisa em italiano.

— Mas a sua ideia é boa. Eu gostaria de manter tudo na famí lia.

Os negó cios! Seria sobre isso que os dois falavam? Será que ele estava oferecendo as empresas a Raffaele?

Liane olhou para Marcello com os olhos arregalados, horrorizada. Nã o havia dú vida de que ele tinha achado a mesma coisa.

Marcello levantou-se, zangado, e já tinha dado uns passos em direç ã o à varanda, quando ela percebeu o que ele pretendia fazer.

— Nã o, Marcello! Nã o vai ajudar em nada.

Ele parou e voltou-se. Estava com o rosto tenso e preocupado.

— Nã o tem nenhuma sugestã o melhor?

Ela sacudiu a cabeç a com um ar de desculpa.

— Nó s dois podemos estar errados. Eles podem estar conversando sobre qualquer outra coisa. Pense como você pareceria tolo.

— Nã o sei do que mais eles conversariam. Raffaele está aqui por um ú nico motivo. Ele é como uma ave de rapina, espera os despojos. Está esperando que meu pai morra.

— Marcello!

— E está tentando conquistar cada vez mais espaç o. Pode nã o saber, mas chegou no momento certo. Se jogar direitinho, vai ganhar muito.

Ela nunca tinha ouvido Marcello falar com tanta amargura. Ele estava angustiado e parecia ainda mais sé rio e pá lido.

Liane sentiu vontade de confortá -lo. Queria ter o direito de abraç á -lo, de lhe garantir que nada ia acontecer, que o impé rio do pai seria dele, um dia, com todo o direito.

Mas como poderia dizer isso se o pró prio Roberto já tinha estabelecido as regras do jogo? Só com o casamento Marcello herdaria tudo. E ele era um homem orgulhoso demais para casar apenas por aquele motivo.

Segundos depois, Raffaele e Roberto se juntaram aos dois. O primo parecia muito satisfeito consigo mesmo. Roberto estava pá lido e Liane se aproximou dele.

— Acho que deve ir para a cama. Quer que o acompanhe?

Ficou surpresa quando ele deixou que o conduzisse para o quarto.

Devia estar se sentindo bem doente!

Sabendo que Marcello os olhava preocupado, ela sorriu para ele.

— Eu posso ajudá -lo. Você, se quiser, fique conversando com Raffaele.

Ela ajudou Roberto a subir as escadas e chegar ao quarto. Nã o sabia o que Marcello estaria dizendo a Raffaele. Será que ia perguntar ao primo sobre a conversa que tinham escutado? Ou será que ia tentar extrair dele a verdade sem que Raffaele percebesse?

A respiraç ã o de Roberto estava difí cil, quando chegaram ao quarto. Liane ficou ainda mais preocupada. Talvez ele devesse ter ido para um quarto do andar de baixo. Ela sabia que o dele era o melhor, com a vista mais bonita, mas naquele momento a saú de era o mais importante.

— Acho que vou pedir a Marcello que mude sua cama lá para baixo, até que você esteja melhor. O caminho até aqui é muito longo. Até eu estou sem fô lego.

— Eu já pensei nisso... Odeio dar trabalho.

— Nã o está dando trabalho nenhum. Na verdade, seria mais fá cil, para nó s, cuidarmos de você lá embaixo, e poderia deitar sempre que tivesse vontade.

Ela o ajudou a ser despir e logo depois ele deitou. Parecia muito melhor.

— Diga-me agora como foi seu dia. — ele disse, olhando-a de perto, sem disfarç ar o que queria saber.

— Muito bom. — ela mentiu, sorrindo sonhadoramente e esperando que ele acreditasse.

Roberto sacudiu a cabeç a satisfeito, fechou os olhos e logo estava dormindo.

Liane estava com medo de voltar para os dois homens... mas encontrou Raffaele sozinho.

— Onde está Marcello?

— Quem sabe? Provavelmente foi se consolar com Luí sa.

— Por quê? O que você andou dizendo?

O rosto dele era a imagem da inocê ncia, os olhos escuros pareciam magoados.

— Eu? Só disse a ele a verdade.

Ela já imaginava qual era essa verdade. Mas achou melhor nã o falar sobre suas suspeitas.

— Roberto está dormindo.

— Nã o quer saber o que está vamos discutindo?

— Eu gostaria que Marcello trouxesse a cama do pai para baixo, amanhã. Ele nã o pode continuar subindo as escadas todos os dias.

— Eu o ajudarei. Você nã o está mesmo interessada em saber o que eu disse a Marcello?

Ela o olhou friamente, depois serviu-se de um drinque, procurando aparentar coragem.

— Deveria estar? Nã o sou membro da famí lia. Se tem algo a discutir em particular com seu primo, isso nã o é da minha conta.

A confianç a dele parecia ter sumido. Claro que devia estar louco para contar, mas a indiferenç a dela o tinha deixado sem jeito.

— Vou lhe dizer do mesmo modo.

— Claro que vai. Mas, na verdade, acho que posso adivinhar o que é.

O rosto dele ficou tã o engraç ado que ela quase riu.

— Como pode saber? A nã o ser que tio Roberto tenha dito alguma coisa.

— Nã o.

— Entã o você nã o sabe de nada.

— Nã o? Tem alguma coisa a ver com o testamento de Roberto?

Os movimentos dele ficaram mais agitados. Olhou-a durante um longo tempo.

— Como você sabe?

— Marcello e eu ouvimos a conversa de você s.

— Ele nã o disse nada.

— Podí amos estar enganados. Entã o, Marcello esperou que você lhe dissesse e obviamente você nã o o desapontou, nã o é?

— Ele está numa situaç ã o bem crí tica. Se nã o casar, nã o vai herdar nada. E eu me apresentei como uma alternativa. Titio ficou bem impressionado, disse que nã o sabia quanto eu estava interessado em seus negó cios.

Será que Roberto era assim tã o estú pido? ela pensou.

— O que me confunde — Raffaele continuou — é que Marcello nã o pareceu chocado, ao ouvir a notí cia sobre a nova clá usula do testamento do pai. Tio Roberto me contou que nã o tinha dito nada a ele.

— E nã o disse. Fui eu. E, se quer saber, Raffaele, ele me pediu em casamento. Portanto, parece que seus planos nã o vã o dar certo.

O rosto de Raffaele era a imagem do desespero, e ela nã o se importou de consolá -lo. Sorriu docemente e saiu, mas, quando chegou ao quarto, sentiu-se despedaç ada.

 

Capí tulo 8

 

 

Liane sabia que devia ter concordado em casar com Marcello. Agora, ele tinha ido procurar Luí sa e ela nã o tinha a menor dú vida de qual seria a resposta da moç a.

Um casamento por conveniê ncia era melhor do que nenhum casamento. Por que o recusara? Por que tinha sido tã o estú pida?

Se ele casasse com Luí sa, ela nã o poderia mais continuar ali. Seria insuportá vel ver os dois juntos, principalmente sabendo que o casamento tinha sido forç ado por ele.

Durante a noite, ela ficou acordada, esperando a volta de Marcello, mas só de madrugada ouviu o carro dele. Depois, percebeu que ele andava lá embaixo, mas seu instinto a fez ficar onde estava. Mais tarde dormiu.

Na manhã seguinte, ele parecia cansado, com os olhos vermelhos. Ela teve medo de perguntar o que tinha acontecido. Raffaele, por outro lado, estava muito feliz, ou pelo menos fingia estar, apesar de olhar estranhamente para Marcello repetidas vezes.

Roberto desceu muito mais tarde. Os dois primos trouxeram a cama do velho para baixo, para o quarto menor ao lado da saleta. Liane se ocupou em trazer as roupas dele e a manhã passou rapidamente. Antes que percebesse, já era a hora da sesta.

Marcello, como sempre, preferiu nã o descansar e surpreendeu Liane convidando-a para sair. O primeiro impulso dela foi recusar, mas estava curiosa de saber o que havia acontecido entre ele e o primo na noite anterior.

Ele tomou o caminho do iate, mas só depois de estarem no mar foi que começ aram a conversar.

Ele ligou o comando automá tico e veio sentar-se ao lado dela no deck.

— Raffaele contou a você o que aconteceu?

— Tentou. O que entendi foi que ele se ofereceu para tomar seu lugar nos negó cios.

— Nã o posso acreditar que meu pai concordou com isso. Ele sabe que Raffaele nã o dá para negó cios. O impé rio todo desabaria, se ficasse a cargo dele.

— Ele disse que você tinha ido ver Luí sa. Pediu-a em casamento?

Ele demorou muito para falar.

— Sim, eu vi Luí sa, mas só por alguns instantes. Passei a maior parte do tempo sozinho, pensando, tentando solucionar esta situaç ã o sem causar mais preocupaç õ es a meu pai.

— E encontrou a soluç ã o?

— Acho que sim. — Ele a olhou profundamente. — Mas vamos esquecer esse episó dio desagradá vel por alguns momentos. Nã o é certo uma jovem como você ficar infeliz por causa disso. Nã o devia se envolver nessa histó ria.

Ele sorriu, e era como se o sol voltasse a aparecer. Que mudanç a brusca de humor! Ela jamais pensaria que isso fosse possí vel. Mas queria que Marcello fosse feliz. Se ele ficasse triste, ela també m ficaria.

Durante as horas seguintes, Marcello foi o companheiro mais divertido do mundo. Ensinou-lhe como manobrar as veias e desviar de um recife, mostrou todo o iate e fez um chá, que tomaram sentados juntos na pequena cabine.

Foi uma tarde extremamente agradá vel e Liane ficou desapontada quando ele avisou que era hora de voltar.

— Meu pai está nos esperando para o jantar. — ele disse, e de repente ela se sentiu culpada. Nã o tinha pensado em Roberto nenhuma vez, nas ú ltimas horas.

Quando chegaram em casa, Marcello continuou com a farsa e o pai pareceu satisfeito.

Raffaele observava-os de perto, imaginando se Liane teria dito a verdade. Certamente, ela e Marcello pareciam bons amigos e ela tentou nã o pensar que logo tudo estaria acabado.

Na cama, naquela noite, ela se sentia amada e desejada, recusando-se a imaginar que Marcello fingia. Os dias foram passando e ele continuava a lhe dar mais e mais atenç õ es. Ela pensou onde iria terminar tudo aquilo.

Raffaele tinha sido esquecido. Passava muito tempo com Roberto, mas nunca tocava no assunto que preocupava Liane.

Roberto estava satisfeití ssimo. Era notá vel sua recuperaç ã o. Ficava mais forte a cada dia, encorajando os dois a saí rem sempre juntos.

De certa forma, Liane estava contente, com a presenç a de Raffaele. Se nã o fosse ele, nã o poderia sair tanto assim. Ela nunca se atreveria a deixar Roberto sozinho durante tantas horas.

Aos poucos, a amizade de Marcello se transformou em algo mais profundo. O amor dela por ele també m cresceu.

Um dia, depois de passarem a manhã nadando e tomando sol numa prainha calma perto de casa, aconteceu uma coisa maravilhosa.

Marcello tinha terminado de passar ó leo bronzeador nela e ainda estava com as mã os em suas costas, quando a puxou com forç a contra si.

— Liane! — Ele a beijou com uma paixã o que surpreendeu os dois.

Depois do choque, Liane correspondeu aos beijos dele, acariciando-lhe os cabelos, segurando-lhe o rosto, pressionando seu corpo contra o dele, sentindo a urgê ncia daquele desejo,

Era como se mais nada existisse, como se tudo tivesse sido esquecido. Ela o queria desesperadamente e Marcello també m a queria.

A respiraç ã o dele estava pesada, quando a deitou na areia, cobrindo o corpo dela com o seu.

— Liane, quer casar comigo?

Ela sentiu-se tonta de prazer. Dessa vez, parecia que os motivos dele eram sinceros.

— Sei que você nã o me ama — ele continuou —, mas tenho certeza de que, com o tempo, aprenderá a me amar.



  

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