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The Emerald Coast 5 страница



Ele acariciou a mã o dela.

— Você é uma boa menina, mas nã o entende. Nã o é fá cil se desligar de tudo, depois que se passou a vida inteira construindo um impé rio.

— Acho que entendo melhor do que você. Prefiro ter a minha vida e nenhuma riqueza a trabalhar demais e me enterrar cedo. — Aquilo parecia cruel, mas talvez fosse o que ele precisava ouvir.

Durante um momento, Roberto ficou quieto; depois disse:

— Até você vir para cá, Liane, nã o me importava viver ou morrer. Meu trabalho era a minha vida e, se nã o podia fazê -lo, nada mais me interessava. Quando fiquei doente, Marcello me convenceu a comprar os computadores e instalá -los aqui. Assim, poderia controlar tudo de casa. Mas nã o é a mesma coisa. Eu gostaria de estar lá. Agora... tenho que pensar em você. Gosto de você, Liane, e quero vê -la casada com Marcello. Quero ver meus netos.

Ela achou que ele estava indo longe demais, mas nã o teve coragem de interrompê -lo.

— Você me deu um motivo para viver e talvez esteja certa. Eu devo largar as ré deas. Droga, Liane, Marcello pode fazer todo o trabalho em vez de ficar por aí, caç ando mulheres!

— Talvez a culpa tenha sido sua. Se você o tivesse deixado segurar as ré deas antes, talvez estivesse dirigindo seu impé rio, agora. Mas, se nã o der uma oportunidade a ele, nunca saberá se é capaz.

Marcello voltou sorrindo.

— O pâ nico já acabou. Foi tudo resolvido. O pedido será atendido. Roberto deu um suspiro e apertou a mã o de Liane com forç a. Ela o beijou na testa.

— Viu, Roberto? Você nã o tinha motivos para se preocupar.

Ele devolveu o sorriso e olhou para o filho.

— Liane e eu estivemos conversando. Acho que vou passar toda a direç ã o para você... o controle, o estoque, tudo...

Marcello olhou preocupado de um para o outro.

— Que ó tima notí cia! O que fez você mudar de ideia tã o de repente?

O velho olhou sorridente para Liane.

— Esta garota. Ela é ó tima para mim, Marc. Deví amos tê -la trazido para cá há muitos anos. Sabe, acho que vou comer um pouco de bacon com ovos. Vou ver se Giorgio pode prepará -los.

— O que aconteceu? — Marcello perguntou, quando ficaram sozinhos. — Você conseguiu numa manhã o que eu persigo há anos.

— Eu simplesmente disse a ele a verdade.

Ele sacudiu a cabeç a, como se ainda nã o conseguisse acreditar.

— Bem, nã o importa o que disse, o importante é que deu certo e estou agradecido. O mais engraç ado é que praticamente já estou dirigindo tudo, só que ele vive se metendo e se preocupando desnecessariamente,

— Nã o importa como aconteceu, també m estou contente. Depois que ele aprender a relaxar, nã o haverá motivos para que nã o viva muito.

— Eu subestimei você, Liane. Deixe-me levá -la para um passeio, hoje, para comemorar.

— Ela já prometeu sair comigo — Raffaele disse, entrando na sala.

A mudanç a de expressã o de Marcello foi completa. Num segundo deixou de ser o homem sorridente e amigá vel de minutos atrá s para se transformar na imagem da raiva. Liane estremeceu, diante do olhar dele.

— Neste caso — ele disse, tenso —, nã o há nada que eu possa fazer.

— Se quer um encontro com Liane, sugiro que se coloque na fila.

Marcello saiu da sala sem dizer mais nada. Raffaele sorriu, confiante.

— Um mau perdedor, mas acho que foi uma novidade, para ele, nã o poder sair com a garota que quer.

— Acho que ele nã o me queria. Eu lhe fiz um favor e ele só queria me mostrar sua gratidã o.

— Que tipo de favor?

— Eu convenci Roberto a se desligar um pouco dos negó cios. Marcello agora é o encarregado de tudo.

— Você fez o quê? — Agora era Raffaele quem parecia muito zangado. — Que direito você tinha de meter o nariz nisso? Nã o sabe de nada do que está acontecendo aqui.

— Sei que Roberto é um homem doente. Se nã o se desligar dos negó cios, nã o verá seu pró ximo aniversá rio.

— Mas ele ficará feliz, sem fazer nada? Acho que nã o pensou nisso. O té dio pode ser tã o fatal, para um homem, quanto o excesso de trabalho.

— Ele nã o vai ficar entediado, pelo menos enquanto eu estiver aqui. Vou mantê -lo entretido.

— Vai ser a queridinha do velho?

Ela nã o gostou da insinuaç ã o e seus olhos brilharam de raiva.

— Você me dá nojo, Raffaele!

— Eu nã o quis dizer nada de mau, Liane. Foi só uma brincadeira. Naturalmente que estou contente, muito contente que tenha convencido tio Roberto a se desligar dos negó cios. Na verdade, nã o foi isso que eu també m pedi a ele?

Ela levantou o queixo e olhou-o, cheia de suspeitas.

— Nã o me olhe assim. Eu amo meu tio e por isso estou aqui. Fiquei preocupado. É a melhor coisa que você poderia ter feito. — Seus olhos castanhos eram suaves e ela sentiu que relaxava. Finalmente, sorriu para ele.

— Acredito em você, Raffaele, apesar de achar que nã o devo.

— E irá passear comigo, hoje?

Ela pensou em Marcello, em sua raiva fria. Mas isso agora nã o faria diferenç a. Mesmo que se recusasse a sair com Raffaele, nã o recuperaria a amabilidade de Marcello.

— Mas nã o vamos ficar fora o dia inteiro. Nã o quero deixar Roberto sozinho por muito tempo.

— Nã o, claro que nã o. Eu entendo.

O café estava terminado, quando Roberto voltou com seu bacon com ovos. Parecia muito contente e Liane ficou espantada ao ver que ele tinha se reconciliado com a nova realidade, tã o facilmente. Sentia-se muito contente també m e disse baixinho:

— Você já parece melhor, Roberto.

— É como se eu tivesse tirado um grande peso dos ombros. Mas nã o sei se teria feito isso, se você nã o estivesse aqui, Liane. Sua companhia compensará o fato de eu nã o ter nada para fazer.

Ela mordeu o lá bio e olhou-o preocupada, depois disse a Raffaele:

— Acho que nã o vou sair com você.

— Bobagem. — Roberto falou, sorrindo. — Se já fizeram planos, podem ir. Nã o pretendo manter nenhum dos dois amarrado a meu lado.

— Tem certeza, tio? Nó s podemos ficar, se quiser.

Liane estava começ ando a conhecer Raffaele e percebeu um tom falso na voz dele. Será que Marcello estava certo? Ele estaria mesmo procurando agradar para receber algum benefí cio depois? Se ela pudesse fazer alguma coisa, Roberto ainda ia viver muito tempo. Raffaele ia cansar de esperar.

— Saiam. — Roberto pediu. — Tenho um livro muito interessante que quero terminar de ler.

Apesar disso, Liane foi contrariada. O passeio, dessa vez, foi para as montanhas que dominavam o centro da ilha.

— Elas se chamam Gennargentu — Raffaele explicou —, que quer dizer Portã o de Prata. Receberam esse nome por causa da neve que cobre os picos. Escondido dentro das montanhas há um labirinto de rios e cavernas. Dizem que uma manada de cavalos selvagens també m vive por lá, mas ningué m ainda conseguiu vê -la.

Ela nã o sabia que o passeio seria longo. Quando Raffaele parou para o almoç o, ainda nã o tinham chegado a seu destino.

— Eu nã o sabia que era tã o longe. Nã o teria vindo, se soubesse. Por que nã o me disse?

— Porque, como você disse, nã o teria vindo, e eu a queria só para mim, Liane. Você se importa?

— Claro que sim. Você me enganou, Raffaele. Sabe como estou preocupada com Roberto. Aliá s, pensei que você també m estivesse.

— Estou, mas o que poderí amos fazer? Ele está passando bem. Por que nã o sentamos, já que estamos aqui? Há tantas coisas, na ilha, para você ver!

— Vai haver tempo para isso. Roberto vai começ ar a pensar que nã o quero ficar em casa cora ele. Acho que nã o seria justo. Eu gostaria de voltar.

— Desculpe, Liane. Eu devia ter lhe dito. Mas sabia que, se deixasse você lá, Marcello chegaria e acabaria com as minhas chances. Eu nunca tenho chances, quando ele está por perto.

— Marcello nã o gosta de mim.

Ele segurou as mã os dela.

— Por favor, Liane, nã o fique zangada. Vamos passear, hoje. Depois só sairemos quando você quiser. — O olhar dele implorava, parecia tã o arrependido que ela concordou.

— Por que eu sempre tenho que concordar com você, Raffaele?

— Porque eu sou irresistí vel.

— Você é incorrigí vel. — ela respondeu. Na verdade, era bobagem se preocupar com Roberto. Ele estava ó timo e, alé m disso, Marcello estava por perto.

Pararam em um dos restaurantes, decorado com quadros alegres de cenas da cidade. As mesas estavam postas e as cadeiras eram confortá veis.

Comeram presunto da ilha, servido com vinho rose. Depois, pediram um ravió li acompanhado de um vinho mais forte. Em seguida vieram as carnes e, como sobremesa, panquecas doces. Terminaram o almoç o com um licor.

Antes de ir para a Sardenha, Liane jamais bebera. Apesar de gostar da sensaç ã o que o vinho proporcionava, já nã o sabia com certeza se queria mais. Sentia-se extraordinariamente alegre.

— Vamos. — Raffaele disse. — Você pode dormir no carro, se quiser.

— Acho que farei isso. Depois de comer e beber tanto, nã o vou conseguir fazer mais nada.

Mas ela nã o dormiu. Colocou a cabeç a no ombro de Raffaele e fechou os olhos. Meia hora depois, seguiram para Barumini, perto de Su Nuraxi. Liane aprendeu que os nuragos tinham sido descobertos há trinta anos apenas, quando uma chuva fortí ssima varreu a encosta das montanhas revelando as fortalezas e també m um grande povoado escondido na base. Dele, restaram ruí nas. Mas dava para perceber o que antigamente tinham sido ruas, casas, lojas e a praç a central.

— Está gostando? — Raffaele perguntou, segurando a mã o dela.

Ela nã o teve coragem de dizer que nã o se impressionava nada com aquelas pedras antigas, que teria preferido alguma coisa mais moderna e movimentada. Mas fez que sim com a cabeç a.

— É fascinante.

Um guia os levou a um passeio pelas fortalezas. Subiram por uma escada de madeira e ferro, entre duas torres, e depois penetraram no tú nel que levava a um pá tio interno.

Depois chegaram à câ mara central. Era escura e o guia acendeu uma tocha. Liane estremeceu, agarrando-se a seu acompanhante.

Raffaele a abraç ou. Depois, levantou o rosto da moç a e, na escuridã o, pressionou seus lá bios contra os dela. Liane desejou que ele nã o tivesse feito isso, mas nã o queria causar confusã o, diante do grupo de turistas e do guia.

Raffaele nã o percebeu a falta de entusiasmo dela e continuou a abraç á -la com forç a, enquanto continuavam a visita.

Liane ficou aliviada quando subiram uma escadaria e saí ram para um pá tio externo, de onde podiam olhar o que havia sobrado do vilarejo. O ar parecia fresco e ela decidiu que nã o queria visitar mais nenhum nurago. Depois de conhecer o interior de uma das casas, resolveram ir embora.

Raffaele queria ainda levá -la para visitar uma igreja exó tica do sé culo XVI, em Barumini, mas Liane recusou.

— Precisamos voltar. Avisamos Roberto que nã o í amos demorar e você sabe que ele nã o pode se preocupar.

Mas Raffaele nã o tinha pressa, parando a todo momento para admirar a paisagem e aborrecendo Liane com isso.

— Acho que está fazendo isso de propó sito. Nã o se importa com seu tio?

Raffaele a olhou longamente e parou o carro outra vez. Com uma rapidez que a surpreendeu, ele a puxou para seus braç os.

— Nã o posso resistir, Liane. Você me sobe mais à cabeç a do que o vinho que tomamos no almoç o. — Ele a beijou antes que ela pudesse empurrá -lo. — Vamos, beije-me.

— Eu nã o quero este tipo de relacionamento com você, Raffaele.

— Por causa de Marcello?

— Nã o é por causa de ningué m. Quero ser apenas sua amiga, nada mais.

— Entã o, por que me encorajou?

— Foi você quem esteve me caç ando.

— Mas você nã o me desencorajou. — Ele estava zangado e com o rosto vermelho.

Liane sentiu o medo percorrer sua espinha.

— Gosto de você como amigo. Desculpe se pensou que í amos chegar a alguma coisa diferente.

Como se nã o pudesse acreditar no que ela dizia, Raffaele a beijou de novo. Suas mã os possessivas começ aram a explorar seu corpo e ela sentiu que o rejeitava.

— Eu farei com que goste de mim. — ele disse, rouco.

Liane começ ou a lutar desesperadamente, tentando empurrá -lo, mas nã o tinha forç as suficientes.

— Deixe-me em paz. Vamos para casa.

Mas ele nã o estava disposto a ceder. Entã o Liane fez a ú nica coisa que podia: arranhou-o no rosto furiosamente, sem sentir pena. Ele gritou e se afastou.

— Sua gata selvagem! Por que fez isso?

— Nã o quero que me beije, Raffaele. Por favor, nã o faç a isso outra vez.

Furioso, ele deu partida no carro e saiu dirigindo como um louco.

Liane teve que se segurar na beirada do banco para nã o cair. Chegaram logo em casa, para alí vio dela. Marcello foi encontrá -los na porta.

— Onde você s estiveram?

Parecia preocupado e zangado, e Liane disse, tensa;

— Aconteceu alguma coisa com Roberto?

— O que você acha? Ele está doente de preocupaç ã o, achando que você s sofreram um acidente. Está na cama. É melhor ir vê -lo.

 

 

Capí tulo 5

 

 

Roberto estava pá lido e angustiado, mas seu rosto se iluminou quando Liane entrou no quarto. Ela foi diretamente para a cama dele, abraç ando-o, preocupada.

— Roberto, desculpe, eu nã o sabia que Su Nuraxi era tã o longe.

— Su Nuraxi? Se eu soubesse que ia lá, teria esperado você só no fim do dia. Da pró xima vez me diga aonde vai.

— Avisarei. Eu nã o queria que se preocupasse por nada no mundo. Como está se sentindo? Se eu fiz você piorar...

— Querida! — Ele a abraç ou com forç a. — Eu nã o devia ter me preocupado, mas é mais fá cil falar do que fazer. Nã o se aborreç a, já estou melhor agora, com você em casa.

— Nã o vou sair mais. Nã o pensei no que estava fazendo. Fui tã o descuidada!

— Você tem o direito de se divertir, principalmente depois da vida que levou. Na verdade, eu só queria uma coisa...

— O que é?

— Que Marcello tivesse saí do com você, e nã o Raffaele.

— Acho que Marcello nã o... se aproximou de mim como você gostaria. Por favor, nã o espere muito de seus planos... de casá -lo comigo.

— É esta a minha ambiç ã o. Nã o me importo com o que você diz. Marcello vai voltar atrá s, um dia, você verá. Primeiro ele tem que se acostumar com você aqui. É uma grande mudanç a ter uma mulher nesta casa. Está acostumado a ir longe para perseguir suas conquistas. Ele é um conquistador, mas vai perceber que a moç a mais bonita do mundo está aqui mesmo, debaixo deste teto.

— Roberto, nã o sou bonita. Meus olhos sã o grandes demais e sou muito magra.

— Você vai engordar logo, logo, com os pratos de Giorgio. E seus olhos, eles sã o diferentes. Você tem tudo para ser deslumbrante como sua mã e.

— Você é muito gentil, Roberto.

— É a verdade, garota. Abra aquela gaveta. Lá dentro vai encontrar um á lbum de fotografias. Traga para mim.

Era estranho olhar para a fotografia de sua mã e, de quem mal podia se lembrar. Seu coraç ã o ficou cheio de amor e ela olhou a foto durante muito, muito tempo. Roberto estava certo, Era uma mulher linda. Nã o parecia mais velha do que Liane naquele momento, tinha cabelos mais longos e ondulados, soltos sobre os ombros. Os olhos eram os mesmos.

— Obrigada, Roberto, por me deixar ver isto. Que pena que ela nã o casou com você...

— Eu també m acho. Mas isso faz parte do passado. Agora tenho você no lugar dela e a amo muito.

— Entã o nã o me trouxe para cá só porque havia prometido a meus pais?

— É verdade, eu prometi, mas teria trazido você de qualquer modo. Está esquecendo que amei muito sua mã e, mais até do que a minha mulher. Tenho certeza de que será muito feliz aqui.

Liane sentiu-se muito contente. Sabia agora que nã o era indesejada naquela casa.

— Estou cansado. — ele disse. — E você deve estar com fome.

— Estou. Nã o comi nada desde o almoç o. Tenha bons sonhos, Roberto. Eu o verei amanhã. Vamos passar o dia inteiro juntos.

— Você é uma boa menina. Estou feliz em tê -la aqui.

Ela foi para o quarto e tomou um banho. Olhou no espelho e sentiu que estava desabrochando. Talvez, dentro de alguns meses, ficasse atraente como sua mã e.

Para seu espanto, quando desceu, encontrou Raffaele com um olho inchado, alé m do rosto arranhado.

— O que aconteceu?

— Dei um soco nele. — Marcello respondeu, tenso.

— Por quê? — Ela se virou para Raffaele. — Por que ele deu um soco em você?

Raffaele sacudiu a cabeç a, evitando o olhar dela.

— Por causa do que ele fez a você. — Marcello respondeu.

— Mas ele nã o fez nada.

— Entã o, por que você o arranhou?

— Porque eu nã o queria que ele me beijasse.

— Exatamente. Se ele fosse um cavalheiro, teria parado quando você pediu.

— Por que você contou a ele? — ela perguntou a Raffaele, em voz baixa.

Mas foi Marcello quem respondeu novamente:

— Ele nã o contou nada, tentou me convencer de que tinha arranhado o rosto num galho de á rvore. Mas eu conheç o a marca das unhas de uma mulher. Já as senti em minha pele. Raffaele vai embora amanhã. É melhor você se despedir agora, porque ele já terá partido, quando acordar.

— Ele está certo, Liane. Obrigado pelos bons momentos. Lamento que nã o possamos nos conhecer melhor.

Liane sentiu que tudo aquilo estava acontecendo por sua culpa.

— Eu també m lamento, Raffaele. Podí amos ser bons amigos. Dê notí cias, venha visitar Roberto outra vez.

Raffaele olhou para Marcello, depois disse num tom de desafio:

— Acho que farei isso. Buona noite, Marcello.

— Você precisava mesmo dar um soco nele? — ela explodiu, depois que Raffaele saiu. — Nã o havia necessidade disso. Acho que ele já tinha entendido...

— A diferenç a entre mim e Raffaele é que eu nunca forcei nada com ningué m. Quando faç o amor com uma mulher, é porque ela també m quer.

Ela sabia que era verdade. Marcello tinha um charme especial que fazia qualquer garota sucumbir, querendo ou nã o. Era muito mais experiente do que Raffaele. Nunca teria se comportado com ela como o primo. Primeiro ele se certificaria de que a mulher era uma parceira disposta a colaborar.

Mas nã o ia admitir isso com Marcello.

— Eu nã o sei o que é pior: os seus conceitos ou o ataque de Raffaele.

— Sei que estou certo. Como está meu pai?

Ela ficou contente com aquela mudanç a de assunto.

— Está muito melhor, agora. Desculpe se o deixei preocupado. Nã o pretendia ficar fora tanto tempo.

— A culpa nã o é sua; é daquele meu primo desagradá vel. Ele devia saber aonde estava levando você e quanto tempo ficaria fora. Por que nã o avisou ningué m?

— Eu nã o sei que diferenç a isso faz, agora que ele está indo embora. Vou sentir sua falta; era uma boa companhia.

— Apesar do comportamento dele?

— Eu sei lidar com ele.

— Está ficando experiente, nã o? A menininha ingê nua começ a a conhecer o mundo.

— Nã o se pode evitar, com homens como você por perto. Por que nã o me deixa em paz? Só quero fazer companhia a seu pai.

— É bom nã o exagerar, para que ele també m nã o comece a avanç ar. Você se parece muito com sua mã e; portanto, tome cuidado.

— Nã o seja desagradá vel! — Era espantoso como estava ficando desinibida. Fazia apenas trê s dias que partira da Inglaterra, mas nesse tempo tinha deixado de ser uma garota tí mida. Era algué m que nã o temia dar a ele uma resposta agressiva. O que tia Lucy diria, se a visse agora?

— É verdade. Meu pai era muito bonito, quando jovem, e acho que ainda conserva parte de seu encanto. Agora tem muito tempo livre e nã o sei do que é capaz.

— Acho que já chega desta conversa. — Olhou para ele e percebeu que sorria; era brincadeira. Ficou mais furiosa ainda.

— Estou com fome. Com licenç a.

— Eu també m nã o comi. Vou fazer companhia a você.

Nunca sabia quando Marcello estava falando sé rio ou brincando.

Desde o primeiro encontro, ele nã o escondera o fato de que nã o gostara dela. Agora tinha abandonado a agressividade inicial por outro tipo de comportamento: divertia-se à s custas dela. Era um homem horrí vel e ela o odiava. Jamais casaria com ele, mesmo que este fosse o maior desejo de Roberto.

A mesa já estava posta. Ela imaginou o que Raffaele estaria fazendo. Teria ido dormir cedo?

Durante alguns momentos comeram em silê ncio; Marcello olhava intensamente para Liane. Aos poucos, a moç a foi ficando constrangida. O ambiente parecia carregado de tensã o.

Quando nã o conseguiu mais aguentar o embaraç o, ela disse:

— Agora que está encarregado dos negó cios de seu pai, vai passar mais tempo fora de casa?

— Você gostaria disso, nã o é? Desculpe, mas nã o acontecerá com frequê ncia, se eu puder evitar. Posso organizar tudo pelo computador. É a melhor coisa que já foi inventada.

— Acho que deixa as pessoas preguiç osas.

— Está querendo dizer que vou ficar gordo?

Ela sacudiu a cabeç a. Nunca poderia imaginar que ele perdesse aquele corpo bonito, sem nenhuma carne supé rflua.

— Eu faç o meus exercí cios. — ele disse. — Tenho até um jogo de tê nis marcado para amanhã. Gostaria de ir comigo?

E deixar que ele se divertisse à s custas dela na frente dos amigos?

— Desculpe, mas já prometi a seu pai passar o dia com ele.

— Fique à vontade. Mas saiba que meus convites nã o sã o frequentes. Escolho muito bem as pessoas com quem jogo tê nis. Você sabe jogar?

Liane fez que sim. Na verdade, jogava muito bem. Ele nã o disse mais nada e ela achou melhor assim. Mas na manhã seguinte, durante o café, ele se virou para o pai e disse:

— Agora que Raffaele já foi embora, você se importaria se eu levasse Liane a um jogo de tê nis?

— Claro que nã o, meu filho. Vai fazer muito bem a ela.

Liane sabia o que Roberto estava pensando. Iria encorajar Marcello a sair com ela em todas as oportunidades.

— Eu disse que ia ficar com você. — ela protestou. — Talvez, uma outra vez.

— Eu posso ir até a quadra com você s. Sinto-me maravilhosamente bem, esta manhã.

Liane estava preocupada, meia hora depois, quando vestiu o short e a camiseta brancos. Felizmente, tinha trazido um par de tê nis... ou seria infelizmente?

O mesmo pessoal que ela tinha conhecido em Olbia estava no Tê nis Clube de Porto Cervo. Novamente sentiu-se desajeitada, ao lado daquelas pessoas sofisticadas.

Ficou perto de Roberto, apesar de ele encorajá -la a ficar com os outros.

— Nã o quero que se preocupe com um velho como eu.

— Eu disse que ia fazer companhia a você, hoje. Com quem vai conversar, se eu sair daqui?

— Posso tomar um drinque e olhar o jogo. Me faz bem ficar com você, Liane. Mas quero que tenha amigos de sua idade.

— Há muito tempo para isso. Eu farei amigos, Roberto, mas nã o me apresse.

Enquanto observavam Luí sa e Marcello, que jogavam, Liane pensou que nã o estava ao ní vel dele. Faria picadinho dela, no jogo.

Luí sa estava aguentando bem. O jogo foi longo e no fim ele perdeu por um ponto.

— Você me deixa exausta. — ela riu, aproximando-se de Marcello. Em vez de responder, ele chamou Liane.

— Agora é sua vez. Desç a. Vamos ver como joga.

— Nã o quer descansar primeiro?

Mas ele nã o parecia cansado. Estava suado, só isso. Nem a respiraç ã o tinha mudado de ritmo.

Relutante, Liane desceu para a quadra, consciente dos olhares dos amigos dele em cima dela.

Começ ou primeiro e a bola bateu na rede. Na segunda tentativa, a mesma coisa.

— Estou sem prá tica. — ela gritou, já começ ando a ficar com vergonha.

— Vá com calma. — Ele colocou a raquete no chã o e cruzou os braç os, sorrindo complacente. Ela sentiu vontade de atirar a raquete nele. Estava tã o zangada que a bola seguinte atingiu o ponto certo e pegou Marcello desprevenido.

— Quinze, amor! — gritou uma das amigas dele, deliciada. — Pegou você fora de forma, Marc?

Por algum estranho golpe de sorte, Liane conseguiu fazer mais uma bola passar por ele. A turma aplaudia.

Marcello nã o gostou daquilo e, durante o resto do jogo, Liane foi pressionada a se manter sem perder pontos. Acabou perdendo, mas conseguiu fazer um bom jogo. Tinha sido uma adversá ria à altura dele, tirando partido de ser pequena e leve.

Ele ganhou també m o jogo seguinte, mas o terceiro e o quarto foram vencidos por Liane, A essa altura, o pessoal já torcia por ela.

Sem dú vida, ele achou que ia vencê -la logo, que ia humilhá -la diante dos amigos. Talvez fosse esta a ideia dele, o tempo todo.

No fim da partida, Liane estava exausta. Tinha sido uma batalha dura e Marcello havia ganhado oito games contra seis.

Foi aplaudida por todos e Marcello teve que aguentar os comentá rios brincalhõ es. Só Luí sa nã o parecia satisfeita. Pegou Marcello pelo braç o e se afastou com ele, olhando para Liane com um ó dio frio.

Roberto també m fez seus cumprimentos:

— Nã o conheci ningué m, até hoje, que quase vencesse Marc. Você joga muito bem, Liane. Com mais um pouco de prá tica, ele vai ter que tomar cuidado, senã o você ganhará todas à s vezes.

— Foi apenas sorte. Nã o sou assim tã o boa. Na verdade, nã o sou nem mesmo uma adversá ria à altura de Marc.

Era meio dia quando chegaram em casa. O calor estava insuportá vel. Comeram uma salada que Giorgio tinha preparado e cada um foi para seu quarto. Até Marcello, que geralmente nã o fazia a sesta, dessa vez resolveu se deitar.

Ele estava muito quieto desde que tinham chegado. Será que estava aborrecido por quase ter perdido o jogo?

Quando Liane acordou, eram quase cinco horas. Encontrou Roberto sentado na varanda que dava para a saleta.



  

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