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O caminho da esperança 8 страница



- Entendo como deve ter-se sentido, disse Abby. solidária. Até eu, que sou daqui, depois de uma ausência de onze anos, me sinto deslocada. Só Matt é que não parece estranhar.

- É que, para o menino, a convivência com o pai e a mãe foi benéfica. Quando a criança é criada só pela mãe ou só pelo pai, está sujeita a desequilíbrios.

- Desequilíbrios?

- É que quando se é sozinho, a tendência é mimar demais os filhos, para compensá-los da falta do cônjuge. Duas pessoas podem não concordar com tudo, e isso até é bom. A criança é submetida a um choque de opiniões, mas o resultado é favorável.

- Até parece que desentender-se ê uma situação ideal.

- E é, Sean respirou fundo. Minha falecida mulher e eu costumávamos discutir. Náo estou falando em casais que brigam constantemente. O que quero dizer é que a criança precisa conhecer a ambos, em suas qualidades e defeitos. Assim, quando crescer, poderá tomar suas próprias decisões.

Abby sempre sentira orgulho de sua independência mas, repentinamente, aquela conversa evidenciou que ela estava sozinha. Ainda tinha Matthew, é claro, e Hannah agora estava sob os seus cuidados. O problema era Piers e o fato de ele não mais poder se envolver com sua vida, após o casamento com Valerie Langton, causava-lhe depressão.

O dia seguinte custou a passar. Novembro se aproximava, com suas longas e frias noites, em que ela pouco teria o que fazer senáo "chorar sobre o leile derramado",

Hannah também parecia abatida, e Abby preocupou-se quando ela concordou, sem protestos, em ir deitar-se depois do almoço. Geralmente ela tirava só um cochilo, sentada na cadeira de balanço junto à lareira, mas naquele dia aceitou a sugestão de ir dormir na cama, em seu quarto.

Mais tarde, quando Abby subiu para ver se ela estava bem, ficou impressionada com o aspecto frágil e envelhecido da tia. O sono suavizava-lhe as rugas do rosto, mas as pálpebras fechadas, escondendo-lhe a luminosidade daqueles olhos vivos e inteligentes, a faziam parecer mais velha e acabada.

Resolveu ir procurar o Dr. Willis e saiu deixando Matthew na cozinha, entretido com um quebra-cabeças.

A Sra. Davison atendeu à porta. Abby presumiu que aquela fosse a empregada de Sean, mas a mulher deu mostras de tê-la reconhecido.

- O Dr. Willis eslá em casa? - perguntou Abby.

- Ele está em casa, mas está ocupado. Não sei se devo interrompê-lo. É algum assunto particular? acrescentou, com certa malevolência.

- Não, não é, retrucou Abby, batendo o queixo de frio. Vim por causa da Sra. Caldwetl. Tive a impressão de que ela não está passando bem.

- Oh, então é melhor que entre. A Sra. Davison deu-lhe passagem. Se esperar um momento, vou chamá-lo.

Sean não pareceu aborrecido com aquela interrupção.

- Vou buscar a minha maleta - disse o médico. Não fique assim preocupada, tenho certeza de que não é nada grave.

Quando atravessaram o gramado, Abby comentou:

- Tenho um palpite de que a sua empregada não gosta de mim. Só espero que ela não pense que o estou fazendo perder o seu tempo. Ela me deu a impressão de que estou querendo tirar proveito da nossa amizade.

- E que a sra. Davison está querendo garantir o seu emprego, disse ele, segurando-a pelo braço. Ela não é boba. Sabe muito bem que o nosso relacionamento é uma ameaça para ela.

- Sean!

- Éi verdade. Se e note bem que estou dizendo se, eu tiver que me casar de novo, a supremacia dela pode balançar. Pelo menos é o que ela pensa.

- O nosso relacionamento não é assim tão íntimo, contestou Abby.

- Para um vilarejo,deste tamanho, a amizade mais inocente pode ser mal interpretada, como já aconteceu no passado.

Abby enviou-lhe um olhar interrogativo.

- Então você sabe?

- Sobre o seu "caso" com o filho dos Oliver? Sim eu sei. A sua volta fêz com que ressuscitassem os velhos mexericos. E como o pessoal nos tem visto juntos, sentiram-se na obrigação de me prestar informações.

- Oh. meu Deus! Por que não me deixam em paz?

- E como poderiam, depois que voltou, trazendo uma criança que você insiste em dizer que é filho de Piers Roth? Dê-lhes um tempo. Abby. Se eles querem comenlar, que comentem, fez uma breve pausa. Uma coisa é certa...

- O quê?

- Nunca ouvi ninguém criticá-la pelo que aconteceu. Eles todos jogam a culpa na família Roth. São solidários com a gente "deles". Abby entristeceu.

- Mas não é justo.

- E o que é justo nesta vida? Deixe estar. Os Roth podem aguentar o tranco. A popularidade deles está caindo, e vai cair ainda mais quando ele se casar com essa tal Langton.

- Porquê?

-- Bem, você a conheceu?

- Superficialmente.

- Aquela esnobe! Você consegue vê-la conquistando a afeição e a simpatia do pessoal da vila? Pois eu não consigo,

- Bem... Não, a atual Sra. Roth não é exatamente uma criatura adorável!

No tempo dela, pouco importava ser simpática ou não. Mas os tempos mudaram, graças a Deus. Acho que Piers Roth já se deu conta disso. Mas essa Srta. Langton... pelo amor de Deus! Ele bem que poderia ter escolhido coisa melhor.

Depois que o Dr, Willis examinou Hannah. o veredicto não foi nada animador.

- Ela já está muiío velha, Abby disse ele, na cozinha, na presença de Matthew. Você precisa estar preparada para o pior. Esta é a razão por que recomendei Rosemount, e a razão por que você está aqui.Mas não se preocupe demais. Ela é bem mais resistente do que aparenta, e algo me diz que não irá entregar a alma a Deus tão facilmente.

Depois que o médico foi embora, Matthew deixou o quebra-cabeças de lado e ficou sentado, meditativo. Eram quase cinco horas e a neblina começava a cair.

- Por que ele não chega? perguntou o menino, impaciente, indo espiar pela janela da sala de estar.

Piers não chegou, e no dia seguinie Abby soube a razão do atraso. Estava numa banca de revistas, quando ouviu duas mulheres conversarem entre si.

- Não. eles não voltaram,uma delas dizia. Susan acha que foram para Paris para escolher o vestido de noiva, mas eu achei que o Sr. Roth não iria fazer uma coisa dessas. Dá azar ver o vestido de' noiva antes do casamento.

- Então o que eles foram fazer em Paris? Será que resolveram fugir?

- Fugir? - A mulher, que por sinal era a mãe de Susan parecia irritada. Não iam fazer uma coisa dessas! Ele ainda é casado, não é? Com essa sobrinha de Hannah Caldwell. Sei que eles estão tratando do divórcio, mas ele não pode casar antes que os papéis fiquem prontos, não é mesmo?

- Acho que sim.

- Além disso, de acordo com o que Susan me contou, essa história não está muito bem contada.

- Como assim?

- Depois eu conto. Sabia que Abby Caidweíl esteve na mansão a semana passada? Como estou lhe dizendo, você não sabe nem da metade da história ioda.

A outra mulher parecia ter ficado impressionada, mas Abby só sentia humilhação. Esperou que as duas se afastassem, antes de sair de seu esconderijo. Voltou em seguida para casa, para explicar a Matthew os motivos da ausência do pai.

Na verdade, ela nem chegou a falar nada. pois ao entrar em casa, o menino exclamou;

- Viu o carro? Era um Rolls-Royce! Não é incrível? Um Rolls-Royce só para trazer um recado!

- Que recado?

- Recebi um bilhete de minha avó. Veja só! Leia!

- O quê? Da sra. Roth?

- Pois já não lhe disse? Foi o motorista quem trouxe. Num Rolls-Royce. Um modelo antigo, mas   sempre um Rolls-Royce - acrescentou, pedante.

Abby teve a premonição de uma desgraça, sem saber por quê. E, quando terminou de ler o bilhete, aquela sensação ainda não a abandonara.

A Sra. Roth queria que Matthew fosse tomar chá com ela, na tarde do dia seguinte. Pedia para que ele chegasse cedo, a fim de tomar uma aula de equitação com Jerrold. O pior é que pedia para Abby ir junto!

- Não é fantástico? Matthew a olhava, excitadíssímo. Vou montar Hazel e você vem junto comigo.

Abby sacudiu a cabeça.

- Não vai dar.

- Como não vai dar? A alegria de Matthew arrefeceu. Por quê?

- Porque não.

- Oh... - Matthew pensou estar entendendo. Você pensa que papai e a Srta. Langton vão estar iá? Pois não vão. O motorista disse que eles só vão voitar dentro de mais aiguns dias. Houve um atraso, não sei bem. Vai ser bom você tornar a ver a Sra. Roth.

- Eu não vou. Sinto muito. Matthew, mas não posso ir. Eu não me dou bem com a Sra. Roth. e...

- Você não se dá bem com muita gente, não acha? disse Matthew, num tom de crítica. O que eu acho é que você é desmancha-prazeres.

Você me afastou de meu pai de propósito, e agora que me aproximei dele quer estragar tudo de novo! – Não é verdade!

- [E, sim senhora! Você disse que meu pai não se incomodava com a. gente, e ele se incomoda. Disse que ele não se interessava por mim, e ele se interessa! Você está pouco ligando para o que está certo ou errado. O que você está é com ciúme.

- Ciúme?

- Vai me dizer que não está? Pensa, por acaso, que se ficar longa deles eu farei o mesmo? Pois não farei. Já disse ao motorista para que vovó me espere, que eu vou. e ele virá me buscar amanhã, às duas horas.

Aquilo era bem pior do que Abby imaginara. Agora Matthew pensava que ela queria mantê-lo afastado da família. Como faria para evitar destruir-lhe a confiança nela para sempre?

- Matt...

- Não adianta. Eu vou mesmo.

- Está certo, concordou eJa. mas já arrependida de ter concordado. Iremos ambos. Mas não vamos tomar chá. Vai ser só o tempo para você treinar em Hazel e em seguida voltaremos para casa. Está bem assim?

Matthew fez uma cara desconsoiada.

- Melhor isso do que nada.

Tia Hannah não aprovou a ideia.

- Francamente, Abby! - exclamou, logo depois do almoço, quando Matthew subiu para trocar de roupa. Você vai puiar da panela para o fogo! Essa mulher só quer prejudicá-la, escreva o que estou lhe dizendo. Eu teria jurado que ela não ia deixar passar em brancas nuvens aquele negócio de você ter ido almoçar na mansão.

- Mas, tia Hannah. Esse convite não tem nada a ver comigo. É para Matthew!

- Tem tanta certeza? - A tia parecia cética. Abby, aqueles empregados devem ter contado à patroa tudo o que aconteceu. Não ia demorar muito para ela querer tirar satisfações.

- Satisfações do quê? Só porque fui almoçar com Piers? Foi ele quem me convidou!

- Hum... - Hannah franziu a testa. - Foi um afmoço bem comprido. Eram mais de três horas quando você chegou... Abby ficou vermelha.- Não a estou condenando. Sei muito bem o quanto você ama aquele homem.

- Amei, tia Hannah, amei!

- Acha, então, que foi ajuizado permitir que ele a levasse para a cama?

- Como sabe disso?

-- Era só olhar para a sua cara. Não falei nada na hora para não perturbá-la ainda mais.     

- Oh. tia!

- Sinto muito, Abby, mas conheço Piers Roth de longa data! Ele nunca desistiu de você. Fiquei preocupada naquele dia e estou preocupada agora.

- Não há motivo.

- Há motivo, sim. Não quero que por causa dele você sofra de novo.

- Pensei que você gostasse de Piers.

- E gosto. Mas não quero que ele a faça sofrer, senão não me perdoarei nunca de ter pedido para você vir morar comigo.

- Ora. que bobagem! Abby abraçou a velha senhora. Pelo amor de Deus, tia! Já sou adulta e sei o que estou fazendo.

- Sabe mesmo?

- Antes que comece a ralhar comigo, quero que saiba que aquilo não significou nada para mim. Honestamente. Ate já esqueci de tudo. Agora, pare de se preocupar comigo, e vá tirar uma boa soneca.

 

Capitulo X

Fazia anos que Abby não ia acomodada no banco de trás de um Rolls-Royce, tendo um motorista particuiar ao volante. Matthew, então, que nunca conhecera tal luxo, não cabia em si de tanta vaidade.

- Que pena que aqui a gente não conhece ninguém! Imagine se aqueles caras, os meus amigos, pudessem me ver agora!

Mas o estado de espírito de Abby não combinava com o do filho. Aquela visita forçada a Rothside Manor a deprimia.

- Você não está zangada por que eu a fiz vir está? perguntou Matt à meia-voz, quando se aproximaram da mansão. Estou sabendo que você e vovó não são grandes amigas, mas você mesma sempre diz que não se deve guardar rancores.

- Não se preocupe comigo, garantiu Abby, pegando na bolsa e nas luvas, pronta para descer, pois o carro já estava entrando no pátio de; estacionamento. Se sua avó me convidou, não será com a intenção de me por daqui para fora, soltando os cachorros, não acha? brincou.      j

- Ela não iria fazer urria cojsa dessas, disse Matthew. e acrescentou com ar de heró. Eu não permitiria!                                 ;

A sra. James esperava-os à porta e recebeu Abby com um olharj inquiridor.                                                                                       

- Ora. .ora, então está de volta, Sra. Piers? - exclamou, num tom cáustico,.mas Abby não mordeu a isca.                                                      

- É um prazer tornar a vê-la, Sra. James - retrucou, com exagerada polidez, quando a governante ajudou-a a tirar o casaco. - Já deve conhecer meu filho Matthew.

- Oh, sim. já conheço, enviou um sorriso foiçado para o menino. Aliás. Matthew. eu soube que hoje você vai ter uma aula de equitação.

- Vou. - Respondeu ele, com aquela superioridade de quem não dá muita trela a empregados.

Positivamente, Matthew não negava o sangue que lhe corria nas veias.

A Sra. James os acompanhou até a sala japonesa, onde a Sra. Roth aguardava por eles.

Aquela sala, de estilo oriental, decorada com raras peças de laca e marfim, trazia lembranças pouco agradáveis, e uma delas era áqueia mulher de idade, recostada numa chaise longue, para melhor acomodar a perna doente.

Abby achou que a Sra. Roth estava muito envelhecida, mas continuava a manter aquele porte altivo e dominador que em outros tempos tanto a intimidara.

A sogra olhou primeiro para Matthew. de uma forma sur­preendentemente afetuosa. Se Abby não soubesse das coisas, diria que a Sra. Roth vira no menino o que o próprio pai não pudera, ou não quisera vêr. Sem saber por que, sentiu uma incomoda e absurda premonição.

- Venha cá. garoto. Não vai dar um beijo na vovó? pediu ela, antes mesmo de dirigir um olhar à nora.

Depois que o menino obedeceu, ela segurou-lhe as mãos e o examinou de perto, fazendo uma crítica carinhosa. - Não me diga que vai cavalgar vestido desse jeito!

Matthew corou e olhou desenxabido para os jeans, a japona e o suéter que vestia.

- Não tenho outra roupa, disse ele, e Abby sentiu na própria alma toda a humilhação do filho.

Não era justo a Sra. Roth fazer aquele comentário desdenhoso. Mas aparentemente, a intenção da sogra não fora criticá-lo, pois fogo acrescentou:

- Tive um palpite de que você não tinha um traje de montaria, deu um meío-sorriso. Por isso, fui a Newcastle para comprar-lhe uma roupa adequada. Vá com a Sra. James lá em cima, e ela lhe mostrará onde trocar de roupa.

Abby abriu a boca para revidar, mas quando viu a expressão de alegre expectativa no rosto do filho, não teve coragem de decepcioná-lo.

- Vá... vá trocar de roupa, Matt. Foi muita bondade de sua avó pensar em você.

Matthew sorriu e depois de dar um abraço agradecido na avó, saiu da saia à procura da sra, James.

Havia chegado o momento que Abby tanto temia: ficar a sós com a sogra. Enrijeceu-se toda quando aquele olhar metálico recaiu finalmente sobre ela.

- Não quer sentar-se,Abigail?

A Sra. Roth era a única pessoa que sempre a chamava pelo nome completo. Aquele nome trouxe-lheà memória a discussão que tivera com a mãe de Piers quando ela descobrira que o filho andava de amores com a secretária. Na ocasião, Abby ficara apavorada. Mas agora, vendo a velha inimiga tão envelhecida, admirou-se por se ter deixado intimidar tanto naquela época. Afinal, ela nao passava de uma mulher desvalida, que tinha se desgastado na ânsia de controlar todos os atos da vida do filho.

Abby sentou-se numa cadeira de braços, de frentepara a sogra. Apesar da tensão inicial, eslava mais senhora de si e, cruzando as pernas displicentemente, perguntou, afável:

- Como esiá, Sra. Roih? Soube que a senhora está sofrendo de artrite e lamento muito.

- Isso não é nada. Era evidente que a sogra não queria ser lastimada. Foi uma queda, esfregou o joelho inchado. Disseram-me que uma operação resolvia, mas eu não confio nada em médicos.

Abby absteve-se de maiores comentários e, em silêncio, olhou em tomo para aqueles móveis luxuosos. Recebê-los naquela sala que transbordava de riqueza e requinte fora, por certo, uma estratégia para impressionar Matthew. Quais seriam as intenções ocultas daquela mulher?

Matthew reapareceu elegantemente trajado com culotesde veludo, um paletó de tweed, botas de cano alto e um chicotinho na mão. Estava tão bonito, tão entrosado como cenário daquela casa. Ele é tão semelhante a Piers!

- Já estou pronto, vovó!

Aproximou-se para ser inspecionado,e a Sra. Roth deu-lhe um sorriso de aprovação.

- Caiu-lhe como uma luva. não acha. Abigail? ela comentou, incluindo-a na conversa. Agora vá procurar Jerrold. O chá será servido às quatro, assim você terá bastante tempo para exercitar-se.

- Oh, mas é que... - Matthew olhou interrogatvamente para a mãe, lembrando-se da recomendação que eia lhe fizera.

- Dívirta-se. Querido, Abby apressou-se em dizer, para aplacar-lhe os receios. E ele saiu, mais satisfeito com aquela aprovação implícita.

Depois que Madhew se foi, a atmosfera ficou ainda mais pesada, e Abby obrigou-se a continuar naquela posição descontraída, para não dar a perceber que estava ficando nervosa.

- A senhora deve sentir falta dos seus passeios a cavalo. Lembro-me do quanto apreciava a equitação.

A sra. Roth levantou a cabeça ostensivamente.

- Não a fiz vir até aqui porque precisava de sua piedade, Abigail.

- Acredito que não precise, manteve um tom de voz deliberadamente suave e obsequioso. Com certeza está querendo falar sobre Matthew. e quis me dar uma oportunidade para que eu pudesse agradecer-lhe por tudo o que tem feito por ele.

Abby empertigou-se.

- De você eu não quero nada, retorquiu a sra. Roth, gélida. Exceto um pouco mais de vergonha na cara.

- Por que diz isso?

Mas Abby sabia, e preparou-se para o pior.

- Estou me referindo à sua vinda aqui, na semana passada, durante a minha ausência, e ao seu comportamento indecente. Você quis seduzir Piers e comprometê-lo para que ele suste a ação de divórcio.

Por um instante. Abby sentiu o sangue ferver, mas logo arrefeceu, pensando no ridículo daquela situação. Chegou a ter vontade de rir. A mãe de Piers ainda pensava estar tratando com uma tímida adolescente, mas agora ia enfrentar uma mulher feita, capaz de discutir com ela em igualdade de condições. Se aquela megera pensava que iria esmagá-la como a um inseto. estava muito enganada.

- Eu não seduzi Piers - respondeu, despreocupada. - E nem ele me seduziu...

- Ele tem mais moral.

- Isso não impediu de irmos para a cama juntos, revidou Abby, bem mais agressiva depois daquele insulto. Pois é, Sra. Roth. Nós fizemos amor, sim senhora. A Sra. James não lhe contou? Eu teria jurado que ela ia contar!

Ao ver a velha perder o fôlego, Abby sentiu-se triunfante.

- Você está mentindo!

- Estou? Então por que não pergunta à sua governanta onde passamos a tarde toda?

A Sra. Roth chegou a ficar cinzenta.

- Você está insinuando que vai contestar a ação de divórcio?

- Eu não, Abby mantinha a calma. O que aconteceu não foi premeditado. Piers pode prosseguir com a ação de divórcio. Não foi minha intenção fazer chantagem com ele, se é isso que está imaginando. Mas não pense que poderá continuar a controlar a minha vida. Não só não vou permitir, como a senhora nem tem mais capacidade para isso.

- Oh, não tenho, hein? A mão da Sra. Roth tremia quando ela suspendeu a perna doente para apoiá-la no chão. Vou lhe dizer uma coisa, não sou assim tão fraca quanto aparento.

- Nunca achei que fosse, Abby suspirou. Sra. Roth, não estou a fim de discutir com a senhora. Não fui em quem pediu para vir aqui e, se quer saber, não vejo a hora de ir embora. Que tal uma trégua, só por esta tarde? Pelo menos em consideração a Matthew?

- Você é uma despudorada! gritou. Pensa que depois de ter admitido que induziu meu filho a ir para a cama com você, eu vou poder perdoá-ía?

- Eu não pretendo isso.

- Mas quis ter o prazer sádico de me contar! Você está pouco ligando de ter arruinado a vida de meu filho!

- Que exagero!

- Ele teria se casado com Melanie Hastings, se não fosse por você.

- Ele não amava Melanie.

- Amor! ironizou a sra. Roth. De que adiantou o amor, quando Piers descobriu tudo? O amor sai pela janela quando a realidade entra peia porta.

Abby baixou a cabeça, soturna.

- Esse assunto já está morto, Sra. Roth. Que tal enterrá-lo?

Mas a sra. Roth estava fora de si e continuou.

- É o que você gostaria, não é? Passar uma esponja em tudo, como se nada tivesse acontecido. Eu sabia que iam recomeçar as encrencas, quando me disseram que você tinha voltado para Rothside. Mal pôde esperar para começar a interferir novamente na vida de meu filho, hein?

- Não é nada disso, Abby tornou a erguer a cabeça e encarou a velha corajosamente. - Ouça, sra. Roth. Pense o que quiser de mim, mas eu lhe garanto que Matthew é fiiho de Piers!

- Eu sei.

Abby teve a sensação de ter levado um soco no peito.

- A senhora sabe? Sabe?

A Sra. Roth fingiu que estava à procura de um lenço, dando-se um tempo para escolher melhor as palavras seguintes.

- Sim, declarou finalmente, assoando o nariz. Vim a saber há umas três semanas, logo depois que Piers trouxe Matthew aqui para casa.

Abby agarrou-se aos braços da poltrona, sentindo uma vertigem. Lembrou-se daquele pressentimento que tivera logo ao chegar, e que se infiltrara em seu subconsciente como um veneno.

- Como... como soube?

- Isso não importa. O que importa é que, pelo bem de seu .filho, você vai fazer exatamente o que eu mandar.

Abby sentiu a boca seca.

- Mandar?

- Justamente. Quero que você vá embora de Rothside. Abígail, Quero que faça as suas malas e voite para o lugar de onde veio.

Abby não conseguia coordenar as ideias. Tudo tinha acontecido tão rapidamente! Não era a primeira vez que a mãe de Piers abalava-lhe as estruturas com sua arrogância e maldade. Mas, dessa vez, não se deixaria subjugar.

- Não tenho a mínima intenção de deixar Roth.side, sra. Roth.

O silêncio que se seguiu estava carregado de ameaças, mas Abby reprimiu o medo que estava sentindo, usando o bom senso. Não havia o que temer. Aquela velha não podia fazer nada contra ela. Tudo o que precisava fazer era continuar ali sentada e esperar.

- Naturalmente, você deve estar sabendo que eu posso fazer com que mude de ideia.

Aquelas palavras pareciam ressoar dentro do cérebro de Abby. Mas ela não se deixaria abater por aquela ameaça velada.

Lcvantando-se da poltrona com determinação, encarou a sogra firmemente, valendo-se da diferença de altura.

- Acho que essa conversa não nos leva a parte alguma. A única coisa válida é que finalmente a minha inocência foi reconhecida. Matt é seu neto. Essas ameaças para que eu deixe Rothside são inúteis, e ambas sabemos disso. Mas não se preocupe, sra. Roth. Vou manter distância de Piers. Não tenho intenção de passar novamente por uma imbecil.

- O que disse?

- Eu não reconheci Matthew como meu neto - asseverou a muíher, com voz melíflua, e Abby parou a meio caminho da porta de saída. - Você me ouviu. O fato de saber que Matt é filho de Piers não implica que eu assuma publicamente esse parentesco. Nem Piers está a par disso. E ele nunca saberá... não por minha boca.

- Mas...

Abby estava perplexa, sabendo que a sogra queria vingar-se, mas sem atinar qual seria a forma de vingança. A expiicação veio cm seguida.

- Se você concordar em sair de Rothside, se concordar em deixar Matthew morar, conosco e frequentar a escola de Abbotsford, eu nunca direi a ele que é um bastardo!

- Mas ele não é!

- Acha que eie vai acreditar em você?disse a Sra. Roth. Acha que ele vai se conformar, se você o privar de tudo isso?

- Sua  velha bruxa! gritou Abby, com toda a força de seus pulmões.

- Ofensas não resolvem. Você me conhece bem e sabe do que sou capaz.

- Vou contar tudo a Piers! Vou lhe dizer que a senhora sabe da verdade!

- Ele também não vai acreditar em você. Nunca acreditou, e a troco de que iria íazê-lo agora? Além disso, essa acusação contra mim seria tão absurda que ele acabaria rindo na sua cara!



  

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