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CAPITULO SETE



CAPITULO SETE

 

Apesar de não se sentir bem, Jack foi cedo para o escritório na manhã seguinte. Dormira mal, mas aquilo não era novidade. Agora sabia por que uma pessoa se tornava hipocondríaca. Nunca antes ficara tão consciente de cada lufada de ar que respirava.

Chegou no escritório sem encontrar ninguém, exceto Harry. Pegou um copo de café e se sentou à mesa para bebê-lo. Provavelmente não era a atitude mais sensata a tomar depois do fiasco da noite anterior. Mas e daí? Precisa de um pouco de estímulo em sua vida.

Agora agradecia a Deus por Rachel não ter percebido o que acontecia. Ela teria ficado zangada, na verdade ela estava, mas ficaria mortificado se ela soubesse que o patético empurrão o fizera cair de joelhos no chão.

Se ainda tinha alguma dúvida sobre a veracidade das afirmações médicas, todas elas desapareceram na noite passada. Fora avisado para diminuir o ritmo de trabalho e evitar aborrecimentos, mas continuara com sua vida, recusando-se a acreditar que seus problemas não desapareceriam logo. Mas agora sabia Que estava errado.

Então o que faria? Delegar seu trabalho a alguém e tirar férias prolongadas? Fora uma das recomendações que recebera antes de começar todos os exames, mas imaginara que podia resolver tudo sozinho.

Uma batida na porta o fez ficar tenso. Mas era apenas Harry, que, além de separar a correspondência, também trabalhava como porteiro.

— Outra carta para o senhor — disse ele, entregando um envelope. — Chegou cedo hoje.

— Sim. — Jack conseguiu sorrir e pegou o envelope com relutância.

— O senhor poderia descansar de vez em quando — Harry comentou, com a familiaridade de um longo tempo de serviço. — Parece cansado. Precisa de férias. Toda essa pressão nos negócios o está esgotando.

Jack respirou fundo.

— O Sr. Fox pareceu lidar muito bem com tudo. Era muito mais velho que eu quando se aposentou.

Harry fez uma careta.

— O Sr. Fox nunca cuidou de um negócio tão grande quanto este, senhor. Quando ele começou, a empresa era pequena. Convivi com Bob Fox por vinte anos, e ele nunca cuidou de nada com que não pudesse lidar.

— O que está dizendo? Que não sei lidar com os negócios?

— Não, senhor. Perdoe-me a maneira de falar. Todos sabem que foi graças ao senhor que a empresa cresceu. — O rosto de Harry estava vermelho, mas ele não havia terminado. — Tudo o que quero dizer é que não exagere, entende? Já vi homens mais jovens desmoronarem devido ao peso do sucesso.

Os lábios de Jack se torceram numa careta.

— Obrigado.

— Estou sendo sincero. — E Jack tinha certeza de que sim. — Agora, vou deixá-lo aproveitar o café em paz. Avise-me se quiser mais. Tenho meu próprio bule, e sempre digo que meu café é tão bom quanto o que se compra por aí.

— Tenho certeza de que sim.

Jack sorriu um pouco mais animado desta vez, e Harry lhe fez um cumprimento familiar antes de sair.

Quando terminou o café, Jack não hesitou em abrir a carta. Estava convencido de que seria de Karen, e ficou surpreso quando percebeu que era de seu próprio médico. O Dr. Moore o convidava a visitá-lo às duas horas para discutir os resultados dos exames que fizera.

Não sabia se aquilo era bom ou ruim. Provavelmente, se as notícias fossem ruins, o Dr. Moore ligaria. Ou talvez não. Talvez o médico achasse que uma carta daria um tom formal à situação. Se a notícia fosse muito grave e passasse mal? Sim, seria melhor estar lá com todos os equipamentos necessários para atendê-lo, não é mesmo?

Jack deixou a carta de lado e se ergueu. Droga, estava ficando hipocondríaco, antecipando o pior sem a menor razão. Se ao menos pudesse ligar para Rachel para perguntar o que pensava, ou pedir que o acompanhasse.

Mas aquilo seria impossível, ainda mais depois do Que acontecera na noite anterior. Estava sozinho...

— Você vai fazer o quê?

Rachel ficara surpresa quando Jack voltou do trabalho mais cedo mais uma vez, mas isso não era nada comparado à notícia que lhe dera.

— Vou para a Irlanda — repetiu Jack, permanecendo de pé na entrada do ateliê, assim como fizera no dia anterior. A diferença é que agora havia determinação em seu rosto. — Ficarei um mês, seis semanas talvez. Preciso de descanso.

Rachel estava surpresa. Deixou de lado o pincel e limpou as mãos trêmulas em um pano.

— Vai sozinho?

Jack bufou.

— O que quer dizer com isso? Não estou viajando a passeio, Rachel.                                                

Rachel parecia atordoada.

— Quando se decidiu? Não sabia que tem conversado com seus pais.

E ele não estivera em contato com eles até aquela tarde. Mas Rachel não sabia daquilo.

— Foi uma decisão de momento — disse ele, passado a mão pelo cabelo. — Tenho me sentido um pouco cansado, como você sabe. Vou ter a chance de me recuperar.

— Mas um mês? — Rachel não podia aceitar aquilo. — E os negócios? Não tem responsabilidades, compromissos?

— Obrigado por sua consideração. — Jack estava chateado porque ela pensava primeiro na empresa. — A empresa vai sobreviver sem mim.

Rachel parecia desconfortável.

— Não foi isso o que eu quis dizer — murmurou. — É claro que estou preocupada com você. — Ela hesitou. — Eu... eu me preocuparia com qualquer pessoa que achasse que precisa de um mês afastado da vida diária. Só não entendo por que está fazendo isso. É por causa do que aconteceu... entre nós? É sua maneira de dizer que quer o divórcio?

— Não! — Ao menos Jack podia ser sincero quanto a isso. — Isso não tem nada a ver com nossa situação, mas vai nos fazer bem ter um pouco de espaço para respirar. E meus pais já nos convidaram para visitá-los várias vezes, mas sempre cancelamos.

Nos convidaram?

— Me convidaram, na verdade — afirmou Jack, reconhecendo que a visita de Rachel à Irlanda não fora bem-sucedida. Eles já estavam dormindo em quartos separados, e Jude e Maggie Riordan definitivamente não aprovaram o fato de o filho passar a noite na poltrona em vez de dividir o quarto com a esposa. — Eles sentem saudades da família.

— Imagino que sim.

Rachel sabia que era verdade. Desde que os pais de Jack haviam voltado para a Irlanda, quando o pai dele se aposentou, sentiam falta dos filhos e dos netos.

— De qualquer modo, George vai dirigir a empresa temporariamente — Jack continuou, enquanto Rachel se afligia com o que os pais dele poderiam dizer dela.

Era a única nora que não tivera filhos, e provavelmente não entendiam por que não dormia mais com o marido. E se ela contasse sobre Karen? E se ele estivesse mentindo e fosse o pai do filho dela? Podia imaginar os Riordan divididos quanto ao assunto.

— Está interessada no que estou falando?

Rachel percebeu que estava olhando para o nada enquanto Jack continuava falando, e suas bochechas ficaram extremamente coradas pelo embaraço.       

— Sinto muito — murmurou. — Eu só estava pensando. — Umedeceu os lábios com a língua. — Quando você vai?

— No fim da semana — Jack respondeu educadamente. — Não posso ir antes porque prometi colocar George a par dos negócios. De qualquer forma, ele pode entrar em contato comigo se tiver problemas. Vou levar meu laptop, então será fácil.

Rachel ergueu os ombros.

— Parece que já planejou tudo. Jack parecia despreocupado.

— Quase tudo.

— Então há quanto tempo vem pensando nisso? Jack fez uma careta. Se ela soubesse!

— Não gastei tempo algum pensando nisso. Como eu disse, foi uma decisão de momento. Nem sentirá minha falta enquanto estiver fora.

Rachel o encarou.

— O que quer que eu diga, Jack?

— Nada. — Jack tentou evitar outra discussão. — Apenas pensei que deveria avisar o que vou fazer.

Rachel hesitou.

— E Karen?

— Karen! — Jack demonstrou surpresa. — Karen não tem nada a ver com isso!

— Não? — Agora que havia começado, Rachel estava compelida a continuar: — Tem certeza de que não está fugindo de uma situação difícil?

— Deus! — Jack engoliu em seco. — Então é isso o que pensa?

— Não sei. — Rachel honestamente não sabia o que pensar, mas não acreditava que a decisão de alterar a rotina por um mês era motivada apenas por excesso de trabalho. — Só me parece muito conveniente.

— Conveniente! — Jack gostaria de dizer como era inconveniente a condição de seu coração. — Acha mesmo que permitiria que aquela mulher ditasse meus atos? —- Ele zombou — Pense mais um pouco, Rachel.

— Bem, está certo. Mas o que acha que ela vai fazer quando descobrir que saiu do país?

— Saí do país? — ele repetiu asperamente. — Você faz isso parecer como se estivesse fugindo dela, ou algo assim. Não me importa o que ela faz, Rachel. Mas é óbvio que você se importa. Mesmo depois de tudo o que eu disse, ainda acredita que a criança é minha.

Rachel ficou apreensiva.

— Então ela vai mesmo ter um bebê?

Jack fechou os olhos por um momento, tentando se controlar.

— Parece que sim — ele murmurou finalmente. Mas, desculpe se pareço repetitivo, a criança não é minha!

— Como sabe disso?

— O quê? — Os olhos de Jack se tornaram frios.

— Bem, acho que me lembraria se tivesse dormido com ela.

— Não... digo, como tem certeza de que ela não está mentindo?

Jack secou o suor da testa com as costas da mão.

— Ela me enviou o resultado do teste de gravidez

— ele admitiu, decidindo que era inútil esconder aquilo.

— Quando ela enviou isso? — Rachel estava exasperada com a atitude dele.

— Há alguns dias, eu acho. Isso importa?

— É claro que importa se ela está enviando ao meu marido informações sobre algo pelo qual ele diz não ser responsável — replicou Rachel, furiosa. — O que fez com o exame?

Jack suspirou.

— Joguei fora. — Ficou calado por um instante.

— Desculpe se acho sua indignação difícil de entender. Até algumas semanas atrás, você tinha esquecido que tinha um marido.

— Nunca esqueci — protestou Rachel, suspeitando de que o que havia acontecido entre eles estava relacionado ao desejo de Jack ir embora. — Acredita em mim, não é? — Ela ergueu a mão e tocou a parte nua do braço dele, onde a manga da camisa fora enrolada até o cotovelo. — Não quero que se esqueça disso.

— Enquanto eu estiver na Irlanda, é isso? — Apesar de aqueles dedos suaves fazerem o sangue em suas veias correr até a virilha, Jack se recusava a deixá-la no controle da situação. — Está com medo de que eu encontre uma irlandesa e dê vazão aos meus instintos animais, Rachel?

— Não seja tão rude!

Rachel teria retirado a mão do braço dele, mas Jack segurou seu pulso e a impediu de se afastar.

— Qual o problema? — zombou ele, estreitando os olhos verdes. — Adivinhei o que estava pensando?

— Não!

— Não? — Ele trouxe o pulso dela até os lábios, a língua acariciando as finas veias da parte interna do braço. — Você não sabe mentir, Rachel.

— Diferente de você — replicou ela, soltando o pulso. — Não sei por que acredito no que você diz.

Jack ergueu uma sobrancelha de maneira irônica.

— Vai sentir minha falta? — murmurou ele, como se ela não tivesse falado nada.

— Por que sentiria? — falou ela. — Como você disse, faz muito tempo que não se comporta como marido.

Jack resmungou.

— Acho que disse que você tinha esquecido que tinha um marido — lembrou ele, mais uma vez consciente da sua pulsação acelerada. — Mas se quiser retomar nosso relacionamento e fazer sexo comigo novamente, podemos conversar quando eu voltar.

— Você realmente acha que o mundo gira ao seu redor.

— Nasci assim. — Jack sabia que não podia se envolver numa nova discussão, por isso foi em direção à porta. — Vejo você no jantar?

Rachel foi atrás dele.

— Isso é tudo que tem a dizer? — ela exclamou. — Diz que está indo para a Irlanda no fim da semana, e ainda me conta que aquela mulher, que acha que é sua dona, lhe enviou exames médicos referentes a um filho que não é seu... — Rachel tentava impedi-lo de sair. — Bem, o que devo fazer se ela vier aqui procurando por você?

— Ela não virá aqui.

— Como pode ter certeza?

Jack suspirou. Aquilo tudo o deixava emocional-mente esgotado.

— Falarei com ela antes de viajar. Direi que...

— Não se atreva! — As palavras saíram antes que pudesse parar. — Não se atreva a se aproximar daquela mulher, Jack ou... ou eu nunca mais falarei com você!

A vulnerabilidade dela fez Jack hesitar. Sabia que não era o lugar, nem o momento, mas não conseguia evitar. Provavelmente se arrependeria, mas ela desencadeava uma tempestade de emoções que era impossível de ser controlada.

— Você é louca — murmurou ele, jogando o paletó no chão e correndo os dedos pelos cabelos dela.

Então, levando-a de encontro à bancada onde guardava o material de pintura, inclinou a cabeça em direção a ela, ignorando todos os avisos que recebera, e se entregou ao calor do beijo dela.

Os lábios se abriram e ele não hesitou em empurrar a língua. As mãos dela envolveram o rosto dele, alisando a áspera barba que crescia, antes de enterrar os dedos possessivamente nos longos cabelos.

Ela não o parou quando ele colocou a coxa entre suas pernas, e não o impediu de deslizar as mãos por baixo de sua bata. Ela não usava sutiã para trabalhar, e seus seios pareciam deliciosamente quentes e rijos contra as palmas das mãos. Ele puxou a bata, deixando-os expostos ao seu olhar faminto, antes de baixar a cabeça ainda mais e tomar um dos mamilos com a boca.

Sua língua a acariciou até Rachel se sentir completamente excitada. Apenas Jack a fazia se sentir daquela maneira. A razão lutava contra o desejo, mas aquela já era uma batalha perdida.

A intensa inquietação que tomava o corpo dela a fazia querer se despir completamente para ele. Já podia sentir a ereção dele, e a idéia de fazerem amor ali, no ateliê, onde qualquer um podia vê-los, parecia excitante.

As mãos dele já tinham deslizado por dentro do short, os dedos longos acariciando suas nádegas, dando-lhe um prazer indescritível, quando foram interrompidos. O som de alguém limpando a garganta foi como um balde de água fria. Jack praguejou, mas imediatamente arrumou a bata dela e se afastou, colando o tórax na bancada como se não estivesse preparado para se expor ao olhar dos outros.

— Eu... er... sinto muito, Sr. Riordan. — Era a Sra. Grady, parada um pouco afastada da entrada, mas! onde podia ser ouvida. — E uma ligação para o senhor. Eu disse a ela que vocês estavam ocupados, mas ela... bem, insistiu que era urgente. Sinto muito, mas o que...

— Você disse ela? Rachel não estava interessada nas desculpas da

Sra. Grady, e Jack foi tomado por um imenso sentimento de derrota. Lutava contra a frustração e contra a falta de ar, mas conseguiu forças para se voltar e encarar as duas mulheres.

— Irei atender, Sra. Grady — ele disse, sério, sabendo exatamente quem seria. Afastou-se da bancada e endireitou o corpo.

Mas Rachel não estava disposta a facilitar as coisas.

— Quem é, Sra. Grady? — ela perguntou, embora Jack soubesse que, assim como ele, ela tinha tanta certeza de quem era.

— É a Srta. Johnson — replicou a governanta como num pedido de desculpas, enquanto Jack balançava a cabeça e andava meio atordoado em direção à casa. — Não sei o que ela quer, ligando para cá. Se for algo relacionado ao trabalho, deveria tratar do assunto no escritório.

 

 



  

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