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Capítulo X



Capítulo X

Nem o jantar, regado a vinho branco, deixou Lauren mais relaxada. Depois da excelente refeição, todos se dirigiram à varanda, onde foi servido o café. O clima era de muita descontração; as pessoas conversavam animadas, rindo muito. Só ela não tinha sido contagiada. Silenciosa, permanecia totalmente absorta em seus pensamentos, preocupada com o que iria acontecer na manhã seguinte.

A cerimônia de casamento seria às onze horas, na capela da villa. Cristina Laurentis informara que apenas os membros da família e os empregados mais antigos estariam presentes. No domingo, todos retornariam a Veneza, e Henry Devlin iria diretamente para o aeroporto. Uma sensação de vazio a invadiu ao pensar no que teria que enfrentar a partir desse dia.

— Quando você pretende deixar seu cargo na direção da companhia em Londres? — perguntou ao marido.

— Mas eu não pretendo deixá-lo. Pelo menos, não por enquanto.

— Você certamente vai se cansar, indo e vindo de Veneza para Londres — Lauren observou, tentando dissimular a pequena esperança que alimentava de voltar a viver em seu país.

— Talvez, no começo, sim, mas vou acabar me acostumando. Além do mais, Vincenzo e o pai dele fazem a maior parte do trabalho por aqui. Eu apenas tenho que supervisionar o andamento das coisas.

A esperança morreu tão depressa quanto nasceu.

— É assim que tem que ser, não?

— Exatamente. — Fez-se um pequeno silêncio entre os dois. — Você gostaria de caminhar um pouco?

Lauren levantou-se e o acompanhou. Enquanto se distanciavam, de mãos dadas, ela observou o pai, que conversava animadamente com o tio de Nick. Os dois pareciam estar se dando muito bem.

— Vai parecer muito estranho depois que papai for embora

— pensou em voz alta. — Vou sentir muita saudade dele.

— Não vai demorar muito e você o verá novamente.

— Eu sei. Quanto tempo você acha que poderemos ficar em Londres?

— Não mais do que o necessário. Ainda tenho muito o que aprender por aqui.

— Mas você precisará gastar algum tempo tratando de seus negócios lá, não?

— Os meus negócios estão aqui — ele respondeu, impaciente, soltando-lhe a mão.

A distância entre eles pareceu aumentar. Uma grande barreira erguia-se novamente, impedindo-a de tocar o coração de Nick.

— Não alimente a idéia de que poderemos morar em Londres. Isso não vai acontecer, Lauren. — Ele a olhou bem nos olhos.

— Você precisará estar aqui para ajudar nos preparativos do casamento de Donata.

— Considerando o que você pensa sobre casamentos arranjados, fico surpresa por querer se envolver a tal ponto.

— Posso preferir fazer a minha própria escolha, mas isso não quer dizer que seja completamente contra a idéia. Será que você não consegue entender que as coisas são diferentes por aqui?

— Eu entendo perfeitamente. Aqui, a maioria dos casamentos acontece por interesse, mesmo que não haja amor. Nem precisa me lembrar. Acho que nós somos um exemplo perfeito dessa prática, não?

— Você não parece sentir muita falta de amor.

— Não pareço? — Ela sentiu o coração apertado. — Há muitas mulheres que dariam tudo para trocar de lugar comigo, tenho certeza.

— Do mesmo modo que muitos homens dariam um olho para estarem no meu lugar — ele observou um tanto irônico. — Especialmente durante a noite!

— Será que você só consegue pensar nisso? — Ela parou de caminhar, olhando-o com raiva. — Você certamente acha que a sua técnica inigualável é a única coisa que me prende aqui, não?

— Sinceramente, não posso pensar em outro motivo. Você odeia tudo isto.

— Bem, este é um modo de vida ao qual poderei me ajustar, embora com esforço. Por que acha que não falei mais sobre Francesca?

— Não faço a menor idéia. Conte-me você mesma.

— Talvez porque tenha decidido que dividir os seus favores com outra pessoa seja um preço muito baixo pelas outras vantagens que posso obter!

Ela havia ultrapassado os limites deliberadamente. Pôde perceber isso pelo modo com que todo o corpo dele se enrijeceu. Por um breve momento, sentiu uma ameaça pairando no ar. Os olhos de Nick a fuzilaram. Temendo uma explosão maior, Lauren seguiu o impulso de sair dali correndo.

As sombras das árvores, associadas às lágrimas que lhe afloravam aos olhos, dificultavam a visão do caminho. A primeira curva a pegou de surpresa. Se não fosse por um arbusto próximo, provavelmente teria ido parar diretamente no chão.

Nick estava muito próximo. Por mais ágil que fosse, não conseguiria levantar-se e recomeçar a fuga. Com gestos rudes, fez com que ela deitasse na grama. Agia de maneira tão violenta que o vestido de Lauren acabou se rasgando nas costas.

O beijo que trocaram não tinha nenhuma suavidade. Da mesma maneira selvagem, ele a apertou nos braços e rolaram pelo chão. Ela parou de se debater e ficou imóvel, sem fala. Sua expressão era um misto de derrota e profundo desgosto. Percebendo, Nick afrouxou o abraço e começou a acariciá-la com delicadeza. Depois, ajudou-a a se levantar, e os dois se encararam no mais completo silêncio.

Lauren afastou-se quando o marido tentou tocá-la novamente, resistindo ao desejo de aninhar-se nos braços dele. Confessar seus sentimentos naquele momento apenas tornaria as coisas ainda mais difíceis.

— Desculpe — ele falou baixinho. — Eu não deveria ter feito isso.

— Eu também não deveria ter dito aquela bobagem.

— Vamos esquecer este pequeno incidente, está bem? — O olhar dele caiu sobre o vestido rasgado e sujo de grama.

— Acho melhor entrarmos pelos fundos da casa e rezar para que ninguém nos veja. Eu odiaria ter que pensar numa boa desculpa para justificar sua aparência.

Conseguiram chegar ao quarto sem maiores problemas.

— O que você vai fazer com o vestido? — Nicholas perguntou, preocupado.

— Vou escondê-lo até ter uma oportunidade de jogá-lo, fora. Afinal, não é a primeira vez que você rasga minha roupa.

— E nem será a última, se você continuar me lembrando disso. — Ele a olhou por alguns instantes e depois continuou. — Nós dois temos que aprender a ser pacientes. — Seu olhar dirigiu-se rapidamente para a cama de casal. — Talvez devêssemos começar esta noite mesmo.

O orgulho impediu que Lauren fizesse qualquer tipo de protesto. Se ele queria provar que poderia passar um bom tempo sem tocá-la, não seria ela que colocaria qualquer empecilho.

— Então comecemos esta noite mesmo — falou, num fio de voz.

Em silêncio, prepararam-se para deitar, cada um mergulhado em seus próprios pensamentos. Lauren perguntava-se se o marido pensava em Francesca. Era bem possível que aquela italiana fosse o motivo do afastamento dele.

Deitada numa ponta da cama, prestou atenção na respiração do marido, tentando descobrir se ele já estava dormindo. Seu corpo ardia em brasas, ansiando desesperadamente para que ele a tocasse, Queria seus beijos, suas carícias... queria sentir Nick, sua pele, seu corpo inteiro...

Quando já havia se convencido de que ele adormecera, sentiu o calor das mãos másculas percorrendo-lhe as costas.

— Minha força de vontade não é como deveria ser — ele sussurrou-lhe no ouvido.

— Eu sei — ela respondeu no mesmo tom, enquanto se virava para abraçá-lo.

As duas bocas se procuraram num frenesi de paixão e desejo. Seria um alívio poder dizer-lhe tudo o que sentia, Lauren pensou. Mas, por outro lado, seria difícil expor seus sentimentos sem ter a sensação de que estaria cobrando alguma coisa. Quando os dois falassem a mesma língua, aí sim, seria possível revelar tudo o que lhe ia no coração...

A pequena capela estava repleta de flores. Em pé, ao lado de Nick, ouvindo palavras que não precisavam ser traduzidas, Lauren percebeu que nunca estivera tão feliz.

A noite anterior parecera um sonho, só que ela tinha certeza de que tudo fora perfeitamente real. A imagem de Francesca estava fraca e distante. Nick não precisava daquela mulher. Nunca mais precisaria.

O dia transcorreu tranqüilamente. O signor Di Saverani fez um grande esforço para parecer sincero em seus votos de felicidades, mas a tristeza e a contrariedade estavam estampadas em seus olhos.

— Você está feliz? — Henry Devlin perguntou à filha quando finalmente conseguiu ficar alguns minutos sozinho com ela.

— Muito.

— Que bom, querida, assim fico mais tranqüilo. Sabe, quando Carol me contou tudo, eu não conseguia encarar essa situação. Era difícil aceitar, principalmente considerando as circunstâncias. Mas agora, vendo a sua felicidade, tenho a impressão de que tudo vai dar certo. Espero que você continue muito feliz, minha filha.

— Eu serei, papai. Tenha certeza disso. — Os dois se abraçaram ternamente. — Nós estaremos em Londres para o seu casamento, papai. Vocês estão planejando passar a lua-de-mel em algum lugar em especial?

— Ainda não decidimos sobre isso.

— Entendo.

— Vocês vão ficar hospedados em nossa casa, não é? Com três quartos vagos, não há motivos para procurarem um hotel. Sabe, estou pensando em colocar a casa à venda depois do casamento. Acho que ela é grande demais apenas para mim e Carol.

Um lampejo de tristeza passou pelos olhos dela, ao pensar que a casa em que havia crescido ficaria em mãos de estranhos.

— Talvez vocês não sejam apenas dois por muito tempo.

— Acho que já estamos um pouquinho velhos para começar uma nova família — Henry comentou, depois de soltar uma gargalhada. — Vamos deixar isso para você e Nick. Ele quer ter filhos, não?

— Claro. Nós dois queremos. Mas acho que Carol vai odiar ser chamada de avó.

— Bobagem, ela vai adorar! Tenho certeza de que você não vai conseguir afastá-la dos netos por muito tempo. Desde que sejamos convidados, é claro.

— E vocês serão. Carol já conhece Veneza?

— Não que eu saiba.

— Parece que a conversa está bastante animada — Nick observou enquanto se aproximava e passava o braço por sobre os ombros de Lauren. — Meu avô pediu desculpas, mas teve que se retirar mais cedo. Precisa fazer a sesta.

— Ele está bem? — Lauren perguntou, preocupada.

— Diz que está apenas um pouco cansado. Você sabe que ele jamais admitiria mais do que isso. — Nick olhou amigavelmente para o sogro. — Lauren já lhe disse que meu avô é um homem doente?

— Já, sim. Lamento muito, Nick.

— Há coisas que nem o dinheiro pode comprar — Nick observou, um pouco seco. — Mudando de assunto, minha tia ficaria encantada se o senhor lhe pedisse para mostrar seus jardins. Ela o acha uma companhia extremamente agradável.

Henry Devlin deixou o casal, à procura da tia de Nick.

— Aquilo era realmente necessário? — Lauren perguntou, depois de certificar-se de que o pai já estava a uma boa distância.

— Você acha que a senhorita Gordon irá se incomodar por eu querer arranjar companhia para seu pai? — Nick levantou as sobrancelhas.

— Não é disso que estou falando. É sobre o que você falou a respeito de o dinheiro não comprar tudo.

— Ah! Juro que não foi minha intenção atingir seu pai.

— Não foi a impressão que deu.

— Não pensei que fosse necessário ficar explicando o que falo. Uma coisa que me recuso a fazer é brincar com os sentimentos das pessoas. — Ele impediu Lauren de retrucar, colocando-lhe um dedo nos lábios. — Nós não vamos brigar justamente hoje, não é?

— Não. Claro que não.

— Ótimo. — O dedo deslizou pelo rosto dela, acariciando-o suavemente. — Tenho certeza de que ninguém vai reclamar se decidirmos tirar nossa sesta mais cedo também. Teremos muitos convidados esta noite... Precisamos descansar, não acha?

Foram para o quarto, abraçados, rindo como duas crianças. Fizeram amor como se fosse a primeira vez. Cada toque e cada movimento provocavam uma chama de prazer como nunca haviam sentido antes.

O signor Di Saverani estava presente durante à festa, à noite. Ao observá-lo, Lauren percebeu como ele havia piorado durante aquela semana. Gostaria muito de se aproximar um pouco mais dele, mas sabia que seria inútil tentar. O avô de Nick simbolizava o fim de uma era. Talvez ele não tivesse nada contra ela, pessoalmente, mas jamais a perdoaria por pensar de um modo diferente do dele.

Era difícil compreender tudo o que os convidados falavam.

— Sinto-me muito mal quando tenho que pedir para que eles repitam o que disseram em inglês — comentou com Nick.

— Isso é natural, querida. Ninguém espera que em tão pouco tempo você já esteja dominando o italiano. Você sabe o que todos estão dizendo a seu respeito?

— Não. Mas espero que sejam coisas boas — ela respondeu com um sorriso.

— São ótimas. Dizem que eu não poderia ter feito escolha melhor. Estão encantados com você.

Já eram mais de duas horas da manhã quando os últimos convidados foram embora. Nick e Lauren levariam o sr. Devlin diretamente para o aeroporto logo depois do café da manhã. Os outros seguiriam para Veneza um pouco mais tarde.

— Vamos partir por volta das dez e meia — Nick informou minutos antes de se recolherem.

— Vejo-os mais tarde, então — despediu-se Devlin, dando um beijo carinhoso no rosto da filha.

Nick esperou até que estivessem subindo as escadas para comentar:

— Nunca pensei que fosse tão difícil para um pai aceitar a perda de uma filha. Um dia eu também estarei enfrentando essa situação.

Lauren percebeu que havia segurança naquela visão do futuro. E aquilo a fez sentir-se bem.

— Bom, então podemos ter apenas meninos e assim poupá-lo de problemas maiores. Tenho certeza de que papai lhe diria que garotos dão menos trabalho.

— Duvido que seu pai tenha qualquer reclamação — Nick sorriu.

Ele a abraçou assim que entraram no quarto, beijando-a demoradamente. Lauren não saberia precisar o momento em que ficaram completamente nus. Tudo que lembrava era que sentia todo o calor e toda a força que aquele corpo masculino lhe transferia. A chama dos lábios de Nick percorreu-lhe o corpo até que não houvesse nada além do prazer.

Ela se sentia envolvida numa aura de felicidade e plenitude. Esforçava-se por ignorar o próprio subconsciente, que teimava em alertá-la para o fato de a palavra amor não ter sido mencionada. E precisava ser? Se o que tinham acabado de vivenciar não era uma integração de corpo e alma, então o que era?

Chegaram ao aeroporto uma hora adiantados. Henry não queria que o casal esperasse, mas Nick insistiu.

— Nós nos veremos novamente um dia antes do seu casamento — disse ao sogro, assim que ouviram o primeiro chamado do vôo para Londres.

Lauren voltou quieta na lancha alugada para conduzi-los até a casa em Veneza. Seu pai estaria no ar naquele momento, retornando ao lugar que ela tanto amava e onde realmente se sentia em casa. Sob esse aspecto, as duas semanas que faltavam para que se encontrassem novamente pareciam uma eternidade.

— Os outros não vão voltar até a noite — Nick comentou. — Você não gostaria de tomar alguma coisa na Piazza?

— Eu adoraria. Mas será que não vai estar cheia de gente a esta hora?

— A Piazza está cheia de gente a qualquer hora nesta época do ano. Você vai ter que esperar até o inverno para vê-la livre dos turistas.

Havia representantes de quase todas as nacionalidades sob o sol de Veneza naquele dia, a julgar pela quantidade de sotaques que era possível ouvir durante a caminhada. Os japoneses pareciam estar em maioria, tirando inúmeras fotos de todos os ângulos possíveis.

— Turistas dedicados, os orientais — Nick observou, enquanto procurava uma mesa vazia para se instalarem. — Acho que encontrei uma mesa livre. Olhe ali naquele canto.

Logo que se acomodaram, Nick pediu café para os dois. De onde estava, Lauren tinha uma vista privilegiada da Basílica de São Marcos.

— Ainda se sentindo meio fora de lugar? — ele perguntou, observando-a com atenção.

— Um pouco.

— Você acabará se acostumando. É só ter um pouco de paciência.

O café foi servido, e, enquanto o tomava, Lauren observou Nick. Ali estava um homem que chamava a atenção de todas as mulheres, e ele era seu marido. Olhou a aliança de diamantes que tinha se juntado à de ouro no dia anterior. Duas vezes casada e ainda procurando por uma confirmação. O que mais desejava?

Alguém havia parado exatamente atrás de sua cadeira. Lauren percebeu a expressão no rosto de Nick mudar, ao mesmo tempo em que sentia a primeira onda de perfume.

— Pensei que você já tivesse voltado para Roma — ele falou.

— Mudei meus planos — foi a resposta imediata. — Posso me juntar a você por alguns minutos?

Lauren juntou todas as suas forças para manter-se calma enquanto Francesca entrava em seu campo de visão.

— Eu preferiria que você não fizesse isso — falou claramente para a italiana.

Com certeza, a outra mulher não esperava por aquela reação. Ficou ali, parada e com as mãos sobre as costas de uma das cadeiras vazias. Usava uma malha e jeans muito simples, mas de um extremo bom gosto. Seus cabelos, presos atrás da cabeça, davam a seu rosto um destaque incomum.

— Acho que você ouviu o que ela disse, Francesca — Nick disse com uma expressão séria. — Foi um prazer revê-la.

A moça soltou uma imprecação antes de se virar e bater em retirada. Estava visivelmente nervosa.

— Dizem que se alguém se senta na Praça de São Marcos por algum tempo, o mundo inteiro acabará passando por ele — Nick comentou, com um sorriso terno e compreensivo. — Bem, acho que isso é verdade.

— Você está tentando dizer que este encontro foi coincidência?

— E você está sugerindo que foi arranjado? — ele perguntou, erguendo as sobrancelhas.

— Não. Claro que não. Foi bobagem minha. Esqueça isso, por favor. Estou um pouco nervosa, só isso.

— Acho que já está na hora de voltarmos para casa.

 



  

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