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CAPÍTULO 4



CAPÍTULO 4

 

 

— VEJA, Letty, veja que lindos pássaros! — exclamou Dorinda.

Letty deu um gritinho de alegria. De fato, era uma visão maravilhosa e Dorinda mal podia acreditar que o iate à sua frente não fosse um produto de sua imaginação.

Como o capitão, ela pensara que Maximus Kirby as estivesse esperando no cais de Málaca, mas, quando desciam os Estreitos e se aproximavam do pequeno porto, viram mais adiante um navio com velas rosadas.

Dorinda percebeu, com surpresa, que se tratava de um iate. Era a embarcação mais bonita que já vira.

— É o “Dragão do Mar” — ouviu o médico lhe dizer.

Ao notar seu interesse, o Dr. Johnson acrescentou, numa explicação desnecessária:

— É o iate de Maximus Kirby.

Era difícil imaginar algo mais enfeitado que aquele navio. Os mastros estavam engalanados e as velas, em rosa-escuro, ostentavam a insígnia de um coração com dois gordos cupidos.

O iate parecia um gigantesco vaso de flores. Superestruturas tinham sido colocadas em cada um dos seus lados e cobertas com brilhantes flores de todos os tipos, flores da Malásia.

Guirlandas de flores pendiam por toda a parte e pequenas plataformas ostentavam grandes gaiolas cheias de pássaros.

Mesmo à distância em que ainda se encontrava do iate, Dorinda podia distinguir a plumagem colorida dos periquitos.

— Pequenos papagaios como os meus! — exclamou Letty, e Dorinda percebeu que nada poderia ter-lhe agradado mais.

Pelo que tinha ouvido de Maximus Kirby, toda aquela encenação era bem típica do milionário. Kirby devia ainda recordar-se de como Letty tinha ficado encantada com os periquitos que ele lhe dera de presente na Inglaterra e ampliara mil vezes a idéia original para a chegada da noiva a Málaca.

O “Dragão do Mar” aproximou-se do “Osaka” e escoltou-o até a estreita enseada de Málaca, onde, para facilitar o ancoramento de grandes navios, tinha sido construído um espigão para o mar.

O iate moveu-se para o sul do ancoradouro e o “Osaka” para o norte. Os dois barcos ancoraram quase de frente um para o outro, de modo que era fácil para quem estava a bordo do navio ver claramente a decoração, os pássaros nas gaiolas douradas e as velas cor-de-rosa logo depois recolhidas lentamente, já que não havia vento.

— Eu lhe preveni que ele era especial — Dorinda ouviu uma voz dizer e deu com o Dr. Johnson a seu lado.

— Foi muita imaginação de sua parte pensar numa recepção assim — respondeu a jovem.

— Kirby é muito esperto… esperto até demais — comentou o médico.

E o comentário parecia mesmo verdadeiro, pelo menos no que se referia a Letty, que continuava a contemplar, encantada, o maravilhoso espetáculo.

A tal ponto tinha Letty melhorado naquela última semana, que Dorinda começara a pensar que as orações da Irmã Teresa e as suas próprias estavam dando resultados.

Como o Dr. Johnson previra, Letty tinha granjeado a simpatia geral no primeiro dia e continuara a parecer encantadora nos dias imediatos. Dorinda sabia que todos a achavam a mulher ideal para Maximus Kirby.

Agora, usando um dos mais belos vestidos do seu enxoval, a jovem noiva parecia a mulher ideal para qualquer mortal.

O vestido era de crepe rosa, ajustado ao corpo, como estava na moda, e caía em cascatas, abaixo dos joelhos, realçando sua delicada figura. Os adornos eram de cetim turquesa, a mesma do enfeite que Letty usava em seus brilhantes cabelos dourados.

Na mão, a moça carregava uma diminuta sombrinha com enfeites rosa e turquesa, do mesmo modelo que a rainha pusera em moda.

À primeira vista, não havia sombra de Maximus Kirby no iate, mas agora que o “Dragão do Mar” ancorara ao lado do “Osaka”, Dorinda o viu aparecer no convés.

Ele usava um terno branco bem cortado que lhe acentuava os ombros largos, a cintura estreita e os braços fortes, embora fosse difícil perceber-se alguma coisa além de seu rosto atraente.

Maximus Kirby estava mais queimado que da última vez em que Dorinda o vira, e seus olhos azuis pareciam mais profundos.

“E, no entanto, uma mulher só poderia reparar na expressão de seus lábios e de seu rosto, semelhante à de um pirata que tivesse capturado uma carga especial!” — pensou Dorinda.

A multidão que se encontrava no cais não tirava os olhos dos dois barcos. As âncoras foram baixadas, e Dorinda viu, então, a mais estranha das guardas de honra.

Era composta por crianças, algumas chinesas, outras malaias, todas com suas roupas típicas.

As crianças malaias usavam sarong e pequenos casacos de algodão vermelho até a altura do joelho. Os casacos tinham sido introduzidos pelos portugueses no século XVI e ainda eram usados automaticamente pelos malaios.

As crianças chinesas usavam rabicho, chapéus típicos e longos quimonos bordados sobre calças pretas. Todas as crianças levavam na mão uma pequena gaiola com um periquito.

Quando as pranchas foram colocadas, Maximus Kirby deixou o “Dragão do Mar” e atravessou calmamente a multidão, seguido por duas crianças: uma chinesa, outra malaia, cada uma carregando sua gaiola. Quando o rapaz chegou ao convés do “Osaka”, Dorinda pensou, sem fôlego, que tinha esquecido como ele era alto, forte e atraente.

Kirby caminhou diretamente para Letty e, segurando sua mãozinha enluvada, levou-a aos lábios.

— Parece que esperei um século por este momento… quero dar-lhe as boas-vindas… — murmurou o rapaz, com voz grave, profunda.

Letty sorriu para ele e foi com certo alívio que Dorinda notou que, pelo menos naquele momento, ela não parecia ter medo de seu futuro marido.

Maximus Kirby voltou-se para Dorinda.

— A senhorita deve ser Miss Hyde — observou ele. — O conde me informou no telegrama que a senhorita tinha concordado gentilmente em acompanhar Lady Lettice.

Dorinda assentiu com um gesto de cabeça. Estava achando difícil encará-lo. Maximus virou-se para a Irmã Teresa e tomou-lhe as mãos.

— Minha missionária favorita! — exclamou o rapaz, alegremente. — Ainda está empenhada no salvamento das almas dos caçadores de cabeça em vez de se preocupar com a minha?

— Desisti há muito tempo da sua alma — disse a missionária, rindo.

— Não sei dizer-lhe como a Irmã Teresa foi bondosa conosco — interveio Dorinda. — Ela assistiu Lady Lettice durante toda a viagem e esperamos que o senhor nos dê sua permissão para que ela fique conosco até chegarmos a Cingapura.

— Vai viajar conosco no “Dragão do Mar”? — indagou Maximus. — Nada me daria maior prazer…

— Obrigada — respondeu a Irmã Teresa.

— Não precisa agradecer — respondeu Kirby. — Tudo o que tenho é seu.

Era a saudação convencional do Leste, de um anfitrião a um convidado, mas a Irmã Teresa respondeu, maliciosamente:

— Cuidado com o que diz! Posso querer obrigá-lo a cumprir a palavra!

— Não tenho medo da senhora — riu Maximus Kirby.

Estendeu em seguida a mão para o Dr. Johnson, que declarou:

— Miss Hyde estava tentando lhe dizer como todos estamos gratos à Irmã Teresa. Tivemos uma péssima passagem pela Baía de Biscaia.

— Sei o que isso significa — concordou Kirby. — Terei, então, de providenciar uma série de comodidades para os caçadores de cabeça…

Os outros riram, mas Dorinda reparou que, enquanto todos cercavam Maximus Kirby, Letty estava ocupada com as crianças que tinham levado os periquitos.

Eram tão pequenas e belas que Dorinda podia compreender o interesse da irmã, mas, desejava, ao mesmo tempo, que Letty desse mais atenção ao seu futuro marido.

Naquele mesmo instante, Maximus Kirby pareceu ter percebido que Letty não fazia parte do grupo que o cercava e voltou-se para sua jovem noiva.

— Se está pronta — disse ele — podemos ir para bordo do meu iate? Gostaria de mostrar-lhe os pássaros que temos ali. Acho que vão lhe agradar.

— Adoro pássaros! — exclamou Letty. — Posso ficar com os que as crianças trouxeram para mim?

— Acho que haverá muito mais no “Dragão do Mar” — respondeu Maximus Kirby — e o jardim de nossa nova casa está cheio deles.

O rapaz ofereceu-lhe seu braço e Letty tomou-o, quase mecanicamente, os olhos ainda presos aos periquitos nas pequenas gaiolas que as crianças carregavam.

Dorinda e a Irmã Teresa despediram-se do capitão, do médico e de vários passageiros.

— Não se preocupe — disse o Dr. Johnson apertando a mão de Dorinda. — Tenho certeza de que tudo vai dar certo. Bastará mantê-la calma. E lembre-se: nada de choques.

— Nunca poderei agradecer-lhe o bastante por tudo o que fez… — respondeu a moça.

— E não se esqueça: trate de divertir-se — recomendou o doutor. — Se seguir o meu conselho e permanecer aqui, aposto como não lhe faltará companhia.

Dorinda sorriu. O médico notou um brilho malicioso em seu olhar quando ela perguntou:

— E se suas predições não se concretizarem?

— Duvido muito — respondeu o médico. — A senhorita vai encontrar muitos pretendentes…

Dorinda desceu a prancha, pensando que Letty poderia precisar de seu auxílio. Maximus Kirby estava ajudando a noiva a subir a bordo, onde foram imediatamente inspecionar as grandes gaiolas douradas.

Dorinda jamais vira uma tão grande coleção de pássaros exóticos. Suas plumagens pareciam um caleidoscópio.

Assim que Letty chegou a bordo do iate, uma banda de música, usando instrumentos nativos, começou a tocar música européia.

Dorinda comentou o fato com a Irmã Teresa.

— Vocês não gostariam da música chinesa ou malaia — respondeu a missionária.

— Por que diz isso?

— Porque é difícil distinguir qualquer melodia — respondeu Irmã Teresa. — Eles simplesmente emitem sons, e os mais extraordinários, pode crer.

A missionária riu.

— Um músico pode ficar tocando uma nota só durante horas…

— Parece monótono — comentou Dorinda. — Mas eles tocam música européia muito bem…

— Aprenderam a tocar violino com os vizinhos portugueses — explicou a missionária. — E os juntaram a seus tambores e também a um instrumento que tem um som parecido com a gaita de foles e que é o seu favorito.

Maximus Kirby certamente tinha determinado que a orquestra do “Dragão do Mar” se limitasse a valsas e alguns trechos de ópera mais populares em Londres.

Letty nem mesmo parecia ouvir a música, totalmente absorvida pelos pássaros nas gaiolas douradas.

Maximus Kirby permanecia ao lado da noiva e, olhando-os à distância, Dorinda pensava que dificilmente se encontraria um casal mais bonito.

E tinha certeza de que todos os passageiros do “Osaka”, pensavam do mesmo modo. Enquanto o “Dragão do Mar” deslizava mansamente nas águas, do convés do navio numerosos passageiros acenavam.

Dorinda e a Irmã Teresa acenaram em resposta, mas Letty, totalmente concentrada em seus pássaros e Maximus Kirby em Letty, que nada mais reparavam.

Como ainda fosse cedo e o sol não estivesse muito forte, eles permaneceram por algum tempo no convés. Depois, desceram ao grande e confortável salão, que parecia tomar todo o centro do iate, e onde punkahs se moviam ritmicamente, com pequenas velas, para conservar o ar mais fresco.

Serviram-se de outro desjejum, apesar de já o haverem feito no “Osaka”.

Havia frutas de todos os tipos, bebidas frias, sucos de frutas e pequenas iguarias cujos ingredientes principais eram castanhas e mel.

Maximus Kirby pediu informações sobre sua viagem e, enquanto a Irmã Teresa lhe falava do mar bravio que os castigara depois que tinham deixado Tilbury, Dorinda observava Letty com certa apreensão.

Separada de seus pássaros, a jovem mostrava-se menos animada.

Dorinda aproximou-se da irmã e perguntou:

— Você não achou lindas as crianças?

— A Irmã Teresa esteve me falando sobre as crianças chinesas — respondeu Letty. — Quero vê-las de perto quando chegarmos a Cingapura. Parecem bonequinhas…

— É verdade — concordou Dorinda. — São mesmo bonequinhas…

Dorinda pensou, com alegria, que um novo interesse parecia estar despertando em Letty.

Quando tinham terminado a refeição, Dorinda sugeriu que voltassem ao convés para observarem as crianças brincando nas praias da costa. A moça tinha visto tantos garotos brincando nas praias no dia anterior que não faltariam crianças para Letty observar. E não estava enganada.

O “Dragão do Mar” pôde navegar mais perto do litoral que o “Osaka” e agora era fácil perceber os detalhes da floresta. A vegetação se estendia até a água.

As mangueiras, casuarinas, bambus e palmeiras predominavam.

— Nunca pensei que as palmeiras crescessem tanto — comentou Dorinda com a Irmã Teresa.

A jovem não sabia que Maximus Kirby a estava ouvindo e surpreendeu-se quando ele interveio:

— Há quinhentas e cinqüenta espécies diferentes de palmeiras — disse — mas temos apenas algumas aqui, como coqueiros, sagüeiros, arequeiras…

— Elas me parecem todas iguais — respondeu Dorinda.

— A senhorita aprenderá a distingui-las quando tiver passado algum tempo aqui — replicou o rapaz. — Há mais espécies de árvores na Malásia que em qualquer outra parte do mundo.

— E, a julgar pela maravilhosa decoração do seu iate — sorriu Dorinda — uma grande variedade de flores.

— Especialmente orquídeas — afirmou Kirby. — Há inúmeras espécies de orquídeas, cada uma mais bonita que a outra.

— Lady Lettice gosta de pássaros — disse a Irmã Teresa. — Devo admitir que também gosto muito de animais.

— Não de tigres, é claro — exclamou Maximus Kirby. — Ou será que até eles têm um lugarzinho no seu generoso coração?

— Não os tigres devoradores de homens — confessou a missionária. — E o senhor sabe como eles são numerosos nesta parte do mundo…

— Tenho feito o possível para manter seu número sob controle — respondeu Kirby.

— O senhor os mata? — indagou Dorinda.

A Irmã Teresa riu.

— Você está falando com o melhor atirador da Malásia — disse ela. — O Sr. Kirby poderia atapetar toda a sua casa com as peles dos tigres que já matou, se assim o desejasse.

— Quando vim para cá, eles eram mesmo uma ameaça — declarou Maximus. — Não havia uma semana, às vezes nem um dia, em que não tivéssemos notícia de alguém morto nas vilas.

— Isso chega a assustar — disse Dorinda. — Mas os tigres são belos animais e não me parece justo que sejam completamente exterminados.

— A senhora não precisa temer que isso aconteça, pelo menos nos próximos anos — respondeu Kirby. — Como a Irmã Teresa pode lhe contar, um Administrador de Plantações perde às vezes todos os seus trabalhadores com os ataques de tigres.

— O Sr. Kirby tem razão — disse a Irmã Teresa. — E por isso há uma recompensa de cento e cinqüenta dólares oferecida pelo governo por cada tigre morto levado ao Distrito Policial.

— Vocês estão querendo assustar-me fazendo-me crer que este é um lugar perigoso? — indagou Dorinda.

— A senhorita estará a salvo comigo — respondeu Maximus Kirby, tranqüilamente, e a jovem achou que era impossível não acreditar e confiar nele.

Continuaram a descer a costa e Dorinda ouviu histórias de leopardos, antas e gatos selvagens que habitavam a selva.

Mas, enquanto conversavam, Letty, depois de observar as crianças brincando na água ou aparecendo em suas casas sobre as árvores para acenar ao iate, tinha se aproximado de uma das grandes gaiolas.

Dorinda rezou para que Maximus Kirby não percebesse que era impossível para Letty concentrar-se por muito tempo num só assunto ou tomar parte numa conversa demorada.

A bela jovem voltava invariavelmente ao que lhe interessara de início. Naquele momento, obcecada pelos pássaros, não era capaz de ouvir mais nada.

Conhecendo a preocupação de Dorinda, a Irmã Teresa sugeriu a Letty que fosse se preparar para o almoço que seria servido ao meio-dia.

Dorinda e Maximus Kirby permaneceram no convés.

— Foi muita gentileza sua acompanhar Lady Lettice nesta viagem — disse ele.

— Nunca fiz nada mais excitante em toda a minha vida — declarou a moça.

— Nunca viajou antes?

— Não.

— E o que achou?

— Estou muito excitada e curiosa — retrucou. — Há grande diferença entre ver um local… e ler sobre ele.

— E já leu alguma coisa sobre a Malásia?

— Tudo o que pude encontrar — confessou a jovem. — Infelizmente, não há muito o que se ler sobre esta parte do mundo.

— É verdade — concordou Kirby. — Talvez, Miss Hyde, a senhorita pretenda escrever um livro sobre Cingapura ao voltar para casa.

— Após uma visita tão curta? — perguntou Dorinda. — Já pensou no que poderiam dizer a respeito de meus equívocos? A única pessoa capaz de escrever adequadamente sobre Cingapura seria o senhor mesmo, Sr. Kirby.

— Já pensei nisso — confessou Maximus — mas ainda não tive tempo de fazê-lo

— Isso é fácil de entender. Mas é claro que poderá escrever o livro quando for mais velho. Disseram-me que é um ótimo passatempo.

— Não há pressa. Não vou morrer tão cedo.

— O senhor é muito necessário aqui para morrer moço.

— Em outras palavras, a senhorita é bastante fatalista para acreditar que, enquanto o trabalho de uma pessoa não estiver completado, ela não pode ingressar num mundo que, a acreditarmos nos cristãos, deverá ser melhor e menos problemático que o nosso…

— O senhor expressou muito bem o que eu estava tentando dizer — sorriu Dorinda.

Enquanto falava, a moça pensava em como era fácil conversar com Maximus. Embora fosse difícil sustentar o seu olhar, ela não se sentia intimidada.

Quando Kirby estivera em Alderburne Park e ela observava seus movimentos, pudera verificar que ele era um jovem culto e atraente. Mas só teve ocasião de perceber a extensão real do seu agudo senso de humor quando se sentaram à mesa do almoço e ele as fez rir tolamente, ela e a Irmã Teresa, com suas histórias a respeito dos chineses em Cingapura, da pomposidade das autoridades governamentais e do modo de agir dos ladrões chineses.

— O ardil mais recente — disse Maximus Kirby — é prender anzóis nos rabos dos porcos de modo que, se o dono tentar segurá-los acabará machucado.

Tornou-se muito claro que Letty não prestava a mínima atenção à conversa.

Como se tivesse esgotado todo o seu encanto ao deixar o “Osaka” e embarcar no iate, Letty agora permanecia silenciosa.

Assim que o almoço terminou, Dorinda sugeriu que descansassem, e a Irmã Teresa levou Letty para sua cabina.

— Há um toldo no convés de popa — disse Maximus a Dorinda. — Se preferir trocar sua cabina por uma poltrona confortável, certamente vai achar mais fresco lá.

Dorinda verificou que ele tinha razão.

Um ventinho suave ainda soprava do mar, e com o toldo estendido sobre o convés, como proteção contra o sol, era gostoso estar ali sentada, com os pés para cima e a cabeça recostada num travesseiro macio, a observar a linha da costa enquanto o barco navegava suavemente.

A moça sentia-se excitada demais para dormir e após meia hora de solidão, Maximus Kirby aproximou-se e sentou-se ao seu lado.

— Com licença…

— Pois não.

Kirby estendeu-se numa espreguiçadeira engenhosamente construída para se transformar numa pequena cama, facilmente ajustável às costas e com um apoio para os pés que podia ser guardado sob a própria cadeira.

— Miss Hyde, estou certo de que a senhorita fez planos para permanecer em Cingapura até depois do casamento — disse Kirby. — Tenho certeza de que Lady Lettice não desejaria que a senhorita partisse antes do grande acontecimento.

— Eu estava esperando que o senhor me convidasse.

— Acho que a senhorita vai adorar a cerimônia.

— Quer me falar sobre ela?

Se o casamento ia ser tão espetacular quanto se imaginava, Dorinda sabia que sua única esperança era descobrir com antecedência cada detalhe e preparar Letty para os acontecimentos.

— Lady Lettice será levada até a Catedral de Santo André numa carruagem especialmente adquirida para a ocasião, puxada por seis cavalos brancos com rédeas douradas e plumas coloridas. — Começou Maximus Kirby. — O tráfego será fechado.

Dorinda nada disse e, após alguns momentos, o rapaz continuou:

— A cerimônia será presidida pelo Bispo, é claro, e haverá um coro de cem vozes. Espero que a Catedral comporte todos os meus amigos…

Kirby sorriu.

— A senhorita vai gostar da Catedral, Miss Hyde. Foi construída por detentos e é um dos edifícios mais imponentes de Cingapura.

— E que mais vai acontecer no casamento? — indagou Dorinda.

— Ah, planejei muitas surpresas — retrucou Kirby. — Mas o que mais deve agradar a Lady Lettice é a revoada de quinhentas pombas que vão ser lançadas da torre, quando sairmos da igreja, após a cerimônia.

— E vocês retornarão na mesma carruagem? — perguntou a moça.

— Sim, mas então a carruagem estará aberta e o interior decorado com lírios. Daremos uma volta pela cidade para que todos possam admirar a beleza de minha noiva. Centenas de crianças se alinharão durante todo o percurso, e atirarão flores na carruagem de modo que, quando chegarmos à minha casa, devemos estar quase afogados em flores.

— E então?

— Haverá uma grande recepção no jardim, com baile e vários entretenimentos para os convidados, além do prazer de contemplarem minha maravilhosa noiva.

Dorinda recordou as palavras do Dr. Johnson sobre uma festa de três dias de duração e sentiu o coração apertar-se.

Tinha a impressão de que Letty não poderia suportar as emoções de tal cerimônia.

— Ainda não terminei de planejar os detalhes — acrescentou Kirby — mas acho que teremos uma fonte jorrando champanha e outra um exótico perfume extraído de flores silvestres. Um amigo meu sobrevoará o jardim num balão durante a festa, atirando presentes para os convidados.

O rapaz falava com tanto entusiasmo que Dorinda sentia-se incapaz de dizer o que pensava.

Os amigos de Kirby não ficariam decepcionados. Haveria divertimento para todos os habitantes de Cingapura e eles teriam muito o que comentar depois da festa.

Mas e Letty?

— Quando a senhorita conhecer meu jardim, verá que é o ambiente ideal para a festa — continuou Kirby. — À noite, as flores, árvores e folhagens estarão iluminadas por lanternas que também vão ornamentar o salão.

O rapaz riu.

— Os casais poderão sentar-se, de mãos dadas… ou talvez fazer protestos mais veementes de amor…

— Isso tudo parece… — Dorinda fez uma pausa, procurando a palavra correta.

— Magnífico! — completou Maximus Kirby. — É o que meu casamento tem que ser… um casamento magnífico, que ficará para sempre na memória de Cingapura.

Enquanto Dorinda tentava encontrar as palavras que expressassem suas verdadeiras emoções, Kirby se levantou.

— Esqueci-me de lhe dizer, Miss Hyde — disse ele. — Hoje à noite vamos ter uma festinha. Vou ancorar o iate numa pequena enseada da costa de Johore. Convidei o sultão, que é um velho amigo, e outros moradores da província, para jantarem conosco. Eles estão ansiosos por conhecer minha futura esposa e ficaram muito honrados com a oportunidade de serem os primeiros a conhecê-la.

— Falarei com Letty — respondeu Dorinda, afastando-se.

Letty estava dormindo e Dorinda foi até a cabina ocupada pela Irmã Teresa, onde contou à missionária os planos de Maximus Kirby para o casamento.

— Eu já esperava qualquer coisa no gênero — declarou a missionária. — Não se preocupe. Lady Lettice melhorou muito ultimamente e tenho lhe explicado que ela precisa se preocupar com a felicidade alheia antes de pensar em si própria. Também ensinei-lhe a rezar.

— Achei que a senhora ia fazer isso.

— Não preces convencionais — disse a Irmã Teresa — mas orações saídas do coração. Preces que vêm naturalmente sem que precisemos formular palavras formais escritas há muitos séculos, mas que reflitam nossos mais profundos sentimentos.

A missionária falava com tanta convicção que Dorinda não teve coragem de lhe perguntar se os mais profundos sentimentos de Letty não estariam voltados para ela mesma.

Entretanto, tão confortada se sentiu pelas palavras da freira e pela sua afirmação de que tudo iria dar certo, que nem se surpreendeu ao verificar, na hora de se vestir para o jantar, que Letty estava de excelente humor.

A bela jovem tinha escolhido um vestido particularmente encantador, de chiffon turquesa, com um drapeado do mesmo tecido nos ombros. Estava tão bonita que Dorinda exclamou:

— Você está muito mais linda que seus passarinhos, Letty, e isso é um elogio.

— Sou um pássaro azul — respondeu Letty. — E a Irmã Teresa diz que pássaros azuis significam felicidade.

— E é verdade — afiançou-lhe Dorinda. — Tenho certeza de que você vai ser muito feliz, Letty.

Letty sorriu para a irmã.

— Por que não usa um dos meus vestidos agora que está tão bonita? — perguntou-lhe.

Por um momento, Dorinda a encarou atônita. Era a primeira vez que Letty tinha um gesto de desprendimento.

— Obrigada, Letty. É muita bondade sua, mas já estou pronta e esta noite não quero que ninguém tenha olhos senão para você.

Enquanto falava, Dorinda pensava que, em qualquer circunstância, as pessoas só teriam mesmo olhos para Letty.

Entretanto, a moça tinha consciência de que seu vestido de noite, cinzento como os outros, revelava a perfeição e a suavidade de suas curvas.

Dorinda possuía apenas dois vestidos de noite e ambos tinham sido copiados de um dos mais caros vestidos comprados para Letty em Bond Street.

A pele de Dorinda se destacava, muito clara, contra o cinza do vestido e seus cabelos, cuja aparência melhorara muito nas últimas semanas, estavam agora brilhantes como nunca.

Eram de uma cor difícil de definir, mas estavam agora macios como veludo e caíam suavemente de cada lado do seu rosto oval, apesar de Dorinda ainda o usar preso na nuca.

Ao entrarem no salão, as irmãs observaram que o sultão já lá se encontrava bem como alguns casais que Maximus Kirby apresentou primeiro a Letty e, depois, a Dorinda. A Irmã Teresa, também presente, parecia já conhecer os convidados.

Todos se mostraram impressionados com a beleza de Letty, mas Dorinda percebeu que uma mulher só tinha olhos para Maximus Kirby.

Era a jovem esposa inglesa de um homem, obviamente muito mais velho que ela e tinha vindo há poucos anos para Johore. Dorinda achou-a o tipo de mulher que julga qualquer homem uma presa fácil.

A não ser pela presença de Letty, ela teria parecido extremamente atraente, sobretudo naquela parte do mundo onde eram tão poucas as mulheres. Durante o jantar, Dorinda percebeu, divertida, seus evidentes esforços para atrair a atenção de Maximus Kirby.

Como seu marido tinha certa importância, ela estava sentada à esquerda do anfitrião, enquanto Letty se encontrava à direita, com o sultão de Johore a seu lado e Dorinda ao lado do sultão.

Ficou claro, quando o jantar terminou, que Letty, além do seu maravilhoso sorriso, tinha muito pouco a contribuir para a conversação.

O sultão ficou, assim, praticamente obrigado a dirigir-se a Dorinda e a moça o induziu a discorrer sobre as características de sua província e os motivos que tinham levado sua família a se transferir da Índia para a Malásia.

Apesar de muito interessada nas palavras do sultão, a jovem não podia deixar de reparar que a inglesa à esquerda de Maximus Kirby continuava usando todos os ardis para atrair a atenção do rapaz.

Seu nome era Sr.ª Thompson e Maximus não parecia particularmente interessado no que ela lhe dizia e por várias vezes, se dirigiu ao homem que a ladeava.

Dorinda nada mais podia fazer a não ser tentar incluir Letty em sua conversa com o sultão. Esforçou-se ao máximo para isso, apesar de não ser fácil, mas Letty limitou-se a pronunciar monossílabos.

Após a deliciosa refeição onde uma grande variedade de pratos, que Dorinda jamais provara, tinha sido apresentada, a mesa foi desfeita e a conversação se generalizou, enquanto alguns convidados começavam a jogar gamão.

Havia várias mesas para jogos de baralho e Dorinda, entre divertida e surpresa, descobriu que a Irmã Teresa era excelente no bridge, apesar de afirmar várias vezes que não jogava a dinheiro.

A alegria era geral e todos pareciam muito mais expansivos que em qualquer festa semelhante na Inglaterra.

Dorinda não demorou a ter a explicação quando uma das convidadas lhe disse:

— A senhorita não pode imaginar o que uma reunião dessas significa para nós. Passamos meses sem ver um amigo e quando Maximus Kirby volta, tudo se modifica. Por nada deste mundo a teria perdido!

— Que tal irmos um pouco ao convés olhar as estrelas? — Dorinda ouviu Maximus Kirby perguntar a Letty quando todos pareciam ocupados.

— Os pássaros ainda estão lá?

— As gaiolas não estão mais no alto, mas ainda lá se encontram… — respondeu ele.

— Eu gostaria de vê-los — disse Letty. — Dorinda, venha conosco.

Dorinda hesitou.

Embora não tivesse dúvidas de que Maximus Kirby acharia intolerável sua intromissão, impedindo-o de ficar a sós com sua futura esposa, a moça não sabia o que podia acontecer se ele tentasse beijar Letty.

Ela e a Irmã Teresa não a tinham preparado para aquela circunstância.

— Venha, Dorinda, quero que você nos acompanhe — insistiu Letty.

Agora, pelo tom de sua voz, Dorinda percebeu que a irmã não queria ficar sozinha com Maximus Kirby.

— A senhorita não pode recusar um pedido desses — comentou o rapaz, com um sorriso.

Dorinda acompanhou-os ao convés.

As estrelas pontilhavam o céu, parecendo diamantes em veludo escuro, e uma pequena lua também enfeitava a noite. Tudo era tão lindo que Dorinda reteve a respiração.

A jovem afastou-se alguns passos dos noivos, esperando não parecer tão intrusa quanto se sentia, mas ouviu Maximus Kirby dizer a Letty:

— Eu queria lhe dar um presente, mas não tive oportunidade antes…

— O que é? — indagou Letty.

— Um anel. Um anel de noivado. Espero que você goste.

Dorinda não se voltou, mas ouviu Letty dizer:

— É muito bonito. Agora podemos ir ver os pássaros?

— Acho que talvez você devesse primeiro mostrar seu anel a Miss Hyde — sugeriu Maximus Kirby.

— Oh, é claro — concordou Letty, aproximando-se de Dorinda.

— Dorinda, veja que bonito anel…

Ergueu a mão enquanto falava e Dorinda viu em seu terceiro dedo uma grande safira cercada de diamantes. Era um anel muito bonito e, evidentemente, muito valioso.

— Quando chegarmos a Cingapura — disse Kirby a Letty — vou lhe dar um colar e uma pulseira.

Dorinda percebeu que Letty nem mesmo o ouvira.

— Não é maravilhoso? — interveio ela. — Sei que você acha difícil agradecer ao Sr. Kirby um presente tão lindo.

Enquanto falava, apertou a mão de Letty para que a irmã compreendesse o que ela queria dizer.

— Muito obrigada — agradeceu Letty, convencionalmente. — É um presente maravilhoso. Agora posso ir ver os pássaros?

Ela caminhou pelo convés, seguida por Maximus Kirby e, pouco depois, Dorinda os perdeu de vista.

A moça ficou onde estava, olhando o céu e as árvores na pequena enseada, embora sem poder apreciar devidamente sua beleza.

Estava preocupada, perguntando a si mesma quanto tempo Maximus Kirby levaria para começar a perceber a indiferença de Letty por tudo que lhe dizia respeito.

Depois de algum tempo perto dos pássaros, eles voltaram ao salão. Com alívio, Dorinda viu a Irmã Teresa aproximar-se e, imaginando que Letty devia estar cansada, levá-la para a cabina.

Então, para disfarçar o embaraço que lhe causava o comportamento de Letty numa festa organizada em sua homenagem, Dorinda se esforçou ao máximo para agradar os convidados, ouvindo com atenção tudo o que tinham a lhe dizer, rindo de suas piadas e, pela primeira vez na vida, tentando agir como anfitriã. E, não fosse sua preocupação com a irmã, teria adorado a festa.

Era o tipo de festa — alegre e informal — com que sempre sonhara, mas da qual, por sua aparência, sabia jamais poder participar.

Agora que Letty não estava mais presente para atrair a atenção de todos, os homens prestavam mais atenção a Dorinda e as mulheres não se sentindo particularmente ciumentas da jovem, podiam conversar com ela como de igual para igual.

Foi com surpresa que Dorinda percebeu que já passava bastante da meia-noite. O sultão levantou-se para se despedir e vários convidados o imitaram.

— Foi um prazer imenso ter Vossa Alteza conosco — Dorinda ouviu Maximus Kirby dizer ao sultão.

— Na próxima semana oferecerei uma festa em honra de sua linda noiva — disse o sultão. — Quando será o casamento?

— Dentro de duas semanas — respondeu Kirby.

Dorinda sentiu-se como fulminada.

Apenas duas semanas para preparar Letty! E para ela, Dorinda, apenas duas semanas nesse mundo novo e maravilhoso que acabava de conhecer!

Enquanto o sultão e a maioria dos convidados se despediam, dois homens continuavam empenhados numa partida de gamão.

— Não posso ainda me retirar, Max — gritou o Sr. Thompson, o marido da jovem e bela inglesa. — Perdi trinta libras e estou determinado a recuperá-las.

— Não há pressa — retrucou Kirby. — A noite mal começou e é cedo para qualquer de nós se recolher.

— É verdade — disse outro convidado. — Se você vai ficar, Thompson, Bill e eu também ficaremos e jogaremos uma partida. O vencedor desafiará o vencedor de sua partida, concorda?

— Claro — disse o Sr. Thompson, obtendo também a concordância do seu oponente.

Depois de se despedir do sultão, Dorinda foi até a cabina de Letty e verificou que a jovem estava dormindo. Procurou em seguida a Irmã Teresa, e encontrou a missionária já em trajes de dormir e preparada para deitar-se.

— Eles ainda estão no iate? — indagou a Irmã Teresa.

— Alguns convidados.

— Então, não se preocupe conosco. Divirta-se, menina. Vi como você estava alegre esta noite.

— É verdade — admitiu Dorinda. E voltou ao salão.

Ficou algum tempo observando os homens jogando gamão e depois afastou-se, achando que eles talvez não gostassem de assistência.

Resolveu ir ao convés, apreciar a beleza da selva à noite, e pensar nos mistérios que a povoavam.

A noite estava silenciosa e ia atravessar o convés até a amurada quando viu o cintilar de um vestido e percebeu que não estava sozinha.

Sob o toldo do iate, um casal se encontrava.

Dorinda hesitou.

Devia reunir-se a eles? Se o fizesse, estava certa de que a Sr.a Thompson — era ela quem ali estava — por certo a consideraria uma intrusa.

Enquanto pensava no que devia fazer, viu a Sr.a Thompson passar os braços pelo pescoço de Maximus Kirby e aproximar o rosto do dele.

Ele a abraçou e, incapaz de mover-se, Dorinda percebeu que Maximus Kirby estava beijando a companheira.

Ela jamais tinha visto antes um casal se beijando apaixonadamente e sentiu algo de estranho ao observar as duas figuras abraçadas, as mãos da Sr.a Thompson nos ombros de Maximus Kirby, seus rostos colados, embora não fosse capaz de explicar os próprios sentimentos.

Pensar em duas pessoas se beijando, era bem diferente de vê-las em ação e, em alguma parte de seu cérebro, nasceu a certeza de que Maximus Kirby era também um perito na arte da sedução… como em tudo o que fazia.

Havia uma certa graça em sua figura máscula, no ângulo em que sua cabeça se inclinava. Sim, seus beijos deviam ser diferentes dos dos outros homens…

Então, ocorreu-lhe que os estava espionando. Ele a julgaria impertinente se soubesse que ela assim procedera.

Lentamente, consciente de que devia sentir-se chocada e desgostada, mas consciente também de que eram bem diversos seus sentimentos, Dorinda voltou ao salão.

O jogo de gamão tinha acabado. O Sr. Thompson pagava ao seu adversário e os outros parceiros estavam tomando uísque em longos copos lisos.

— É hora de nos retirarmos — disse o Sr. Thompson. — Não queremos acordar Lady Lettice, não é?

— Tenho que levantar cedo — disse seu oponente. — Só me deito tarde aos sábados…

Alguém fez um comentário que Dorinda não ouviu bem, mas provocou gargalhadas dos demais. Nesse momento, a Sr.a Thompson, seguida por Maximus Kirby, voltou ao salão.

Kirby tinha uma expressão enigmática e Dorinda julgou perceber em seus lábios um trejeito cínico. Havia, porém, um brilho de triunfo nos olhos azuis da Sr.a Thompson e a bela inglesa a olhava com provocação.

“Ela conseguiu o que esteve a noite toda desejando, e parece muito satisfeita”, pensou Dorinda.

Todos se despediram, agradeceram a boa acolhida e se dirigiram para a praia, onde Dorinda sabia que cavalos e carruagens, ou talvez cansados puxadores de riquixá, os aguardavam para levá-los de volta às suas fazendas.

Ela ficou no convés, observando a lanterna do escaler se afastando na escuridão.

A Sr.a Thompson continuou acenando para o iate, o branco braço levantado, até que a escuridão os envolveu.

Em breve, apenas o brilho das luzes nas árvores era visível, não tão intenso quanto o das estrelas ou o da lua, agora a pino no céu.

Tudo era tão belo, o momento tão mágico, que Dorinda esqueceu-se de que não estava sozinha.

E, então, ouviu Maximus Kirby dizer, num tom divertido:

— Estou esperando.

 




  

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