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CAPÍTULO III 4 страница



— Fui conhecer a cidade. Eu não pensei que fosse sentir a

minha falta.

— O que você pretende? — ele voltou-se rapidamente.

Ela tremeu.

— Nada. Mas, bom, pensei que você estaria trabalhando.

— Você só está tentando me contrariar! — disse com raiva. — Só porque fui um pouco rude com você, pensa que pode vingar-se, é isso?

— Não! — Maria estava indignada. — Ora, não foi por isso!

— Então o que foi? Que tipo de bobo você pensa que eu sou? Desaparece por mais de cinco horas e espera que a trate com gentileza! Isto é Londres, Maria, não Kilcarney! Pode ser perigoso para uma jovem sem experiência como você, não acostumada aos problemas de um lugar como este. Será que não pode entender isso?

Depois daquela horrível conversa com o policial, a raiva de Adamfoi demais para Maria. Com os dedos trémulos, cobriu os olhos e virou-se, tentando impedir que ele visse sua humilhação.

Com uma exclamação de impaciência Adam foi até junto dela, fazendo-a virar-se para olhá-lo de frente. Fitou exasperado as lá­grimas que corriam por suas faces, depois deu um suspiro.

— Está bem, está bem — disse roucamente —, sinto muito. Estou sendo um pouco cruel, eu sei, mas você quase me fez perder a cabeça desaparecendo dessa maneira!

O lábio superior de Maria tremia.

— Foi um dia horrível — disse ela com ar deplorável — horrível! Primeiro foi sua zanga no café da manhã, depois aquele negócio com a srta. Griffiths, depois... depois... agora mesmo...

Adam franziu a testa,

— Agora mesmo... o quê? Maria engoliu em seco.

— Eu estava no parque, acho que no Hyde Park e uma mulher começou a conversar comigo. Pensei que ela estava apenas que­rendo ajudar-me. Perguntou-me várias coisas a meu respeito e parecia mesmo interessada. Mas depois um policial chegou e en­xotou-a, dizendo-me que ela...

A voz faltou-lhe.

Adam apertou os lábios com força.

— Não precisa continuar — murmurou severamente. — Por Deus, Maria, você não tem juízo?

Maria fungou, esfregando as faces com os dedos, deixando mar­cas de sujeira.

— Aparentemente, não — sussurrou sufocada.

— Oh, Maria! — Adam sacudiu a cabeça preocupado. — O que vou fazer com você? — Levantou a mão e puxou uma mecha de cabelo sedosos que cobria um dos olhos da jovem. — Acho real­mente que eu mereço ser censurado. Não tentei entender exata-mente os motivos pelos quais veio para cá.

Maria olhou para ele com ar de súplica.

— Não queria ser um estorvo, Adam. Pensei, e sua mãe também, que você gostaria de minha companhia.

— Sim, acredito que minha mãe está por trás disso tudo — comentou. — Só me surpreende seu pai ter concordado.

— Meu pai gosta de você. Confia em você. Pensou que eu estaria

segura com você.

Adam sacudiu a cabeça.

— O que todos vocês parecem ter esquecido é que meu trabalho me deixa muito pouco tempo para ser sociável com alguém.

— Exceto Loren Griffiths — murmurou Maria com amargura, imperceptivelmente, mas Adam ouviu e seu maxilar endureceu.

— Não pretendo discutir meus problemas com você — disse ele com voz cortante. — Nem preciso de sua opinião, lembre-se disso- Mas por enquanto vamos tentar salvar algo da confusão. Você comeu alguma coisa desde que saiu?

— Um pouco de café e uma rosquinha lá pelas seis horas.

— E está com fome?

— Não muita.

Adam examinou-a com resignação. Depois deu de ombros.

— A sra. Lacey saiu para visitar a irmã, hoje à noite. Se você quiser algo para comer terá de confiar em minhas práticas culi­nárias não muito hábeis.

Maria ergueu as sobrancelhas.

— Sei cozinhar — disse baixinho.

Adam inclinou a cabeça com deferência proposital.

— É mesmo? Então talvez gostasse de preparar uma ceia para nós.

Maria arregalou os olhos.

— Você também está com fome? Adam olhou-a ironicamente.

— Bem, como eu só comi uma salada, e isso por volta das cinco e meia, pois a sra. Lacey queria sair cedo, acho que comeria alguma coisa.

— Você gostaria mesmo que eu fizesse...

— Por que não? Temos a casa ao nosso dispor.

— Você precisa, quero dizer... você vai sair de novo? Adam hesitou, depois ergueu os ombros.

— Espero que não — comentou secamente, e Maria também desejou isso, fervorosamente. Mais tarde, sentada com ele à mesa, comendo a omelete de camarão e as batatas fritas que preparara, Maria sentiu-se mais feliz do que em qualquer outra ocasião, desde que deixara Kilcarney. Assim ela imaginara que seria, falar com Adam sobre seu trabalho, escutar enquanto ele contava anedotas engraçadas de seus dias de hospital. Ela não pensava mais nas horas deprimentes que passara sozinha; não pensava em Loren Griffiths; ia apenas viver cada minuto e apreciá-lo.

 

 

                                                  CAPITULO IV

Na manhã seguinte, Maria dormiu demais e já pas­sava das nove quando os raios de sol, passando através da cortina verde-limão, fizeram-na abrir os olhos. Ficou dei­tada por alguns momentos, recordando com prazer os acontecimentos da noite anterior. Depois saltou da cama com agilidade.

Lavou-se e vestiu-se, desceu e foi para a cozinha, onde podia ouvir o rádio de pilha da sra. Lacey.

— Oh, a senhorita acordou finalmente — observou a empregada com um sorriso. — O doutor disse para não incomodá-la.

— Disse? — Maria fez um muxoxo, imaginando se o motivo de Adam ao dizer tal coisa era tão inocente quanto parecia. Decidiu ser otimista e disse: — Está um dia maravilhoso, não?

A sra. Lacey concordou e diminuiu o volume do rádio.

— Sim, muito bonito. Que tal se eu lhe servisse o café no quintal? Maria sorriu.

— Bem, só vou querer um pouco de café. Mas a idéia do quintal parece interessante.

— Então está bem. — A sra. Lacey ligou a cafeteira elétrica e Maria abriu a porta dos fundos e saiu para o jardim. Era sur­preendente saber que estavam realmente no centro de Londres. Ali tudo era silencioso, as árvores formavam uma massa de fo­lhagem que proporcionava alamedas de sombra.

Depois do café, voltou para a cozinha, mordendo os lábios pensativamente.

— Adam disse o que queria que eu fizesse hoje? — perguntou. — Isto é, estou aqui há dois dias e não estou acostumada a ficar sem fazer nada. Em casa havia sempre muito para fazer.

A sra. Lacey franziu a testa.

— Bem, senhorita, o doutor não me disse nada, exceto que eu não deveria deixá-la ir muito longe sozinha.

Maria ruborizou-se.

— Ele disse isso?

— Sim, senhorita. Ontem a senhorita o fez passar horas de preocupação e é natural que...

O que me aconteceu ontem poderia ter acontecido a qualquer pessoa! — retrucou zangada. — Afinal, o que a senhora teria feito se alguém lhe falasse no parque?

— Foi isso que aconteceu, senhorita?

— Pensei que a senhora soubesse.

— Não sei ao certo. O doutor disse apenas que tivera um en­contro com o pior lado de Londres e que a senhorita não estava acostumada a uma cidade tão grande.

— Dublin não é uma aldeia, a senhora sabe! — exclamou. A sra. Lacey abaixou a cabeça, evitando envolver-se.      

— Não, senhorita — replicou polidamente e Maria afastou-se com impaciência.

— E o que ele espera que eu faça? — gritou ela. — Vai voltar para o almoço hoje?

— Não disse que não voltaria.

— Está bem. Então vou tomar banho de sol.

Maria correu para o quarto, indignada. Sentia-se infantil e irres­ponsável, seu sentimento anterior de alegria se evaporara. Afinal o que havia sido a noite anterior? Uma tentativa de acalmar seus sentimentos exaltados? Pensava que ele tivesse apreciado sua com­panhia, mas agora não tinha mais tanta certeza. Ele se sentira, talvez, culpado de negligência, talvez tivesse ficado alarmado quando ela desapareceu, principalmente porque sua mãe, assim como o pai dela, esperavam que tomasse conta dela. Mas, mesmo assim, se ele imaginava que, tratando-a como uma criança, tudo ficaria bem, estava enganado. Ela não viera a Londres para ficar mais presa do que em casa. Era melhor que fizesse logo os arranjos para começar o curso comercial, subtraindo-se assim à autoridade de Adam. Quando ele voltasse para o almoço, ia falar-lhe sobre isso.

Abrindo uma gaveta, tirou um biquini e olhou-o criticamente. Geraldine o havia comprado numa das grandes lojas de Limerick, sabendo que o pai jamais a deixaria usar semelhante roupa em Kilcarney, Elas haviam dado risadas por causa disso e, quando Maria estava arrumando a bagagem, enfiara-o numa das maletas. Agora sentia-se com vontade de ser rebelde e o biquini era o tipo de coisa ideal para provar sua independência.

Quando passou pela cozinha a caminho do jardim, a sra. Lacey olhou-a com ar escandalizado.

— Srta. Maria! O que está fazendo? Maria fingiu não entender.

— O que quer dizer, sra. Lacey? — Olhou para o traje de banho. — A senhora não está gostando?

A empregada suspirou.

— E muito bonito, senhorita, mas não é bom o tipo de coisa para tomar sol no jardim de uma casa, não acha?

Maria deu de ombros.

— Será que os vizinhos vão reclamar?

A sra. Lacey enxugou as mãos no avental.

— Não é esse o problema e a senhorita bem o sabe. Depois de ontem, eu podia pensar...

Maria enrijeceu-se.

— Ah, é? O que a senhora pensou? Talvez que eu fosse apenas uma ingênua no estrangeiro?

— Srta. Maria, esta é a casa de um médico. Já pensou o que o sr. Adam poderá dizer?

Maria franziu as sobrancelhas.

— A senhora acha que ele não vai gostar do biquini?

— Estou certa de que não vai gostar.

— Então, ótimo! — Maria franziu o nariz para a mulher e saiu graciosamente.

A sra. Lacey fitou-a com uma expressão preocupada, a toldar-lhe as feições amáveis. Agora estava certa de que o sr. Adam iria ter aborrecimentos.

O som da campainha fez a sra. Lacey voltar o olhar para a porta da cozinha com expressão de dúvida, e Maria apareceu na porta dos fundos, os olhos brilhando maliciosamente.

— A senhora acha que é a srta. Griffiths outra vez? — perguntou insolentemente.

A mulher não respondeu e, deixando-a, foi até a porta. Maria ficou ouvindo por algum tempo, mas ao escutar uma voz de homem desapareceu novamente. Obviamente não era Loren Griffiths, o que era uma pena.

Deitou-se numa espreguiçadeira do jardim que havia estrate­gicamente colocado ao sol e, fechando os olhos, colocou óculos es­curos no nariz. Logo ouviu som de vozes se aproximando e abriu os olhos curiosa. Será que vinham em sua direção?

Quase certa, quando olhou para a grade coberta de rosas que escondia o caramanchão onde estava sentada, viu a sra. Lacey com um homem, um homem jovem. Tirando os óculos, olhou para a em­pregada com expectativa, antes de olhar novamente para o rapaz.

O rapaz era muito atraente, com cabelos castanhos ondulados e um físico forte e atlético. Vestia uma camisa estampada com uma gravata combinando e calça marrom bem justa. Parecia ser calmo e desembaraçado e olhava para Maria com indisfarçável interesse.

A sra. Lacey olhou para Maria com ar de reprovação. Depois disse:

— Este é o filho de um dos sócios do sr. Adam, o sr. Larry Hadley, senhorita.

Maria pôs as pernas no chão e olhou em direção a ambos, sor­rindo, enquanto retirava os óculos.

— Olá — disse educadamente. — Veio para ver Adam?

— Não. Eu... bem, eu estava na clínica hoje de manha, falando com papai, enquanto Adam (alava sobre você. Ele parecia achar que você estava se sentindo sozinha, então eu me ofereci para vir e... bem... — ele estava sem jeito... — oferecer meus serviços, foi isso.

Maria olhou de relance para a sra. Lacey, depois estendeu as mãos.

— Foi muita gentileza sua. Não quer sentar-se? Tenho certeza de que a sra. Lacey nos trará um café, não é, sra. Lacey?

A mulher suspirou.

— A senhorita não vai trocar de roupa? Maria ergueu os ombros.

— Daqui a pouco, sra. Lacey.

A empregada rodeou-os ainda incerta por alguns instantes, de­pois virou-se e encaminhou-se para a casa. Maria sorriu para Larry Hadley, quase se desculpando e disse:

— Pegue uma cadeira! Acho que asra. Lacey considera meu biquini pouco próprio, por isso não pense que a cordialidade forçada seja por sua causa.

Larry Hadley sorriu maliciosamente e foi pegar uma espregui­çadeira, colocando-a em frente à dela. Então falou:

— Adam disse que você está aqui para fazer um curso comercial. Maria assentiu com a cabeça.

— Essa é minha idéia, embora por enquanto ainda não tenha feito planos reais.

Larry esticou as pernas.

— Na realidade, eu não sabia que Adam tivesse uma irmã. Isto é, até hoje de manhã.

Maria balançou as hastes dos óculos.

— E não tem. Isto é, sou filha do padrasto dele. A mãe dele casou-se com meu pai.

— Sei. E claro, agora eu me lembro. Mas isso foi antes de Adam entrar em sociedade com meu pai e, naturalmente, eu esqueci.

Maria examinou-o com curiosidade,

— O que você faz? Você quer ser médico também?

— Maldição, não! — Larry mostrou-se decidido. — Não é o que chamo de emprego decente. Acabo de chegar de Cambridge. Ainda não decidi para onde dirigir meus talentos.

— Você quer dizer que não tem ocupação?

— Isso mesmo. Oh, acho que terei de fazer alguma coisa, mas não faço parte dos trabalhadores do mundo. Gosto deste tipo de vida: à vontade e apreciando o dia como ele é, não pelo que possa tirar dele.

Maria parecia um pouco cética.

— Isso parece muito bom na teoria, mas é meio aborrecido na prática, não acha? Quero fazer alguma coisa. Não gosto de ficar à toa o tempo todo.

Larry pôs os braços atrás da cabeça.

— Espero que você não seja uma daquelas horríveis mulheres que apoiam o movimento feminista e essas coisas todas!

— Não. Embora deva admitir que eu penso que as mulheres se subjugaram durante tantos anos à vontade dos homens porque achavam que essa era a únicasaída. Acho que as mulheres são tão inteligentes quanto os homens, quando se esforçam.

Larry riu.

— Bem, se elas forem decorativas também, não me oporei. Maria sorriu e a sra. Lacey voltou com a bandeja do café. Não

fez comentário algum, a não ser para perguntar se tinham tudo o que queriam e Maria controlou-se, não desejando alarmar ainda mais a empregada.

Era agradável estar sentada ali. tomando café e conversando, e a manhã voou. Foi apenas quando ouviram o motor de um carro que Maria percebeu que devia ser Adam, de volta para o almoço.

Larry levantou-se.

— Acho que é Adam — disse, passando a mão pelos cabelos ondulados. — Olhe, agora eu preciso ir, mas que tal você sair comigo hoje à noite? Tenho carro. Poderíamos ir até Maidenhead. Há um restaurante por lá que serve uns bifes ótimos.

Maria hesitou, depois assentiu.

— Por que não? — concordou, levantando-se também. — Acho que Adam não fez nenhum plano para mim.

Larry sorriu.

— Bom! Ótimo! Bem, acho que é melhor ir andando... Enquanto ele falava, Adam apareceu e avançou pela grama até

eles, com uma expressão severa. Olhou brevemente para Larry, respondendo aos cumprimentos do jovem, mas seus olhos estavam voltados para Maria e não pareciam amigáveis.

No entanto, ela estava imperturbável. Se ele não queria que Larry ficasse tanto tempo, não deveria tê-lo mandado lá.

— Você teve uma boa manhã? — perguntou ela, andando pela grama e acompanhando Larry ao caminho que levava à parte lateral da casa. — Larry estava de saída.

Adam olhou-a fixamente, enquanto ela passava perto dele e disse: — Até logo, Larry — com voz controlada. Larry sorriu, mas piscou para ela e acrescentou:

— Virei buscá-la por volta das sete, está bem?

— Ótimo.

Maria acenou com a cabeça e o jovem saiu. dirigindo-se para o carro, fora dos portões da entrada. Maria virou-se e percebeu que Adam ainda estava de pé no centro do gramado, observando-a. Estava com as mãos nos bolsos e sua expressão nada tinha de encorajador.

— Acho que vou trocar de roupa para o almoço — começou ela, mas ele deu um passo à frente e disse:

— Espere um pouco, Maria, quero falar com você. Agora! Seu tom estava denso de maus presságios e Maria hesitou.

— Não pode esperar até eu me trocar, Adam?

— Não. — Adam tirou uma cigarrilha de uma caixinha que estava no bolso, acendeu-a e aspirou profundamente antes de pros­seguir: — Diga-me, seu pai sabe que você possui um traje como esse? — Apontou com a mão para o biquini.

Maria sentiu que ficava vermelha e deliberadamente colocou os óculos para ter a vantagem de esconder sua expressão.

— Ele sabe que eu o tenho... claro! — replicou em tom de desafio, mas desejando ter levado também uma saída-de-praia. A ironia de Adam era desmoralizante.

— Sei — Adam franziu a testa pensativamente. — Você me surpreende! No entanto, tenho certeza de que ele o aprovaria ape­nas para ser usado na praia!

Maria comprimiu os lábios.

— Está bem, está bem. Isso é tudo que você tem a dizer?

— Não, que diabo, não é. — A voz de Adam estava alterada. — Tire esses malditos óculos. Não quero falar com uma nuvem

de fumaça!

Suspirando, Maria tirou os óculos e tentou manter a compos­tura. Não permitiria que ele levasse a melhor. Se ele escolhera ser rabugento, então ela também seria rabugenta.

Adam tirou a cigarrilha da boca e examinou a ponta acesa, de

mau humor.

— O que aquele rapazola estava fazendo aqui? — perguntou

rudemente.

Maria arregalou os olhos.

— Rapazola? Você quer dizer Larry?

— Quantos homens você recebeu nesses trajes?

Maria cerrou os punhos ao sentir o sarcasmo e disse com o máximo de frieza que pôde demonstrar: — Você deveria saber. Você o mandou.

— Eu? — Adam foi forçado a olhá-la com raiva. — Não fiz tal

coisa. Ele disse isso?

Maria colocou uma das mãos na têmpora e tentou pensar.

— Eu... bom... acho que não foram exatamente essas as pala­vras, mas foi isso que ele quis dizer.

— Verdade? — Adam parecia irônico.

— Sim, é verdade. — Maria enrijeceu os ombros. — Não tenho o costume de mentir. Quanto a você, não sei.

— O que você quer dizer com isso? Maria ficou vermelha.

— Ora, nada! Mas existe uma coisa chamada decepção e você

parece ser um adepto disso. Adam fitou-a.

— Continue! — disse com veemência controlada. — Continue...

quem eu estou decepcionando?

— Bem... bem... sua mãe, para começar — retrucou ela em

voz baixa.

— Exatamente de que modo estou decepcionando minha mãe?

— Você mesmo disse que ela não sabia que estava noivo.

— Ora, pelo amor de Deus! Se você imagina que minha mãe não sabe a respeito de Loren, então está enganada. Ela simples­mente prefere ignorar nosso relacionamento.

Maria cerrou os punhos.

— Posso acreditar nisso? Adam agarrou seu pulso.

— Agora, o que quer dizer isso?

— Nada. — Maria enrubesceu, desejando controlar sua língua.

Adam mordeu o lábio inferior.

— Como eu disse antes, Maria, não pretendo ouvir sua opinião sobro meus romances. — Afastou-a de si. — Não tente justificar suas próprias ações incriminando-me.

— Não estou tentando incriminar ninguém. Só não quero ser tratada tão mal. Posso não ter tido muita liberdade em casa, mas pelo menos era tratada coroo uma pessoa adulta. Ontem a noite pensei que você fosse humano, mas estava enganada.

— Ontem à noite você merecia uma bronca pior do que a que levou. Envolvendo-se com indesejáveis logo que ficou um minuto fora de minha vista! — Passou a mão pelos cabelos. — Uma criança de seis anos teria mais juízo!

— Como ousa falar-me assim! Se sua mãe soubesse!...

— Se minha mãe soubesse, você estaria no próximo avião de volta às plantações de batatas — grunhiu Adam.

Maria estava ofegante.

— Seu... seu bruto! — gritou e, sem pensar no que fazia, es­bofeteou-o com força.

Adam deu um passo para trás, completamente surpreso, e Maria aproveitou a ocasião para fugir, correndo para dentro de casa com toda a rapidez que as pernas lhe permitiam. No quarto, atirou-se

sobre a cama, e as lágrimas que reprimira até então começaram

a sair livremente.

Uma hora depois, enquanto ainda estava deitada com o rosto

comprimido contra a colcha, ouviu uma batida à porta.

— Vá embora! — gritou em tom surdo, mas a porta se abriu e a sra. Lacey entrou, carregando uma bandeja.

— Ora, o que é isso? — perguntou ela em tom bajulador. — Vai ficar doente de tanto chorar! Trouxe-lhe o almoço. Coma e

vai sentir-se melhor.

— Não quero nada. — Maria não olhou, mas a sra. Lacey colocou

a mão em seu ombro amavelmente.

— Ande, filha — disse ela gentilmente. — Não adianta conti­nuar assim. Seu rosto está ficando inchado e acho que ouvi a senhorita dizer àquele rapaz que ia sair com ele hoje à noite.

Maria fungou e, relutantemente, apoiou-se sobre os cotovelos.

— Oh, sra. Lacey — falou com voz abafada. — Eu o esbofeteei. Eu esbofeteei Adam.

— E eu não sei? — A sra. Lacey escondeu um sorriso. — Mar­cou-lhe o rosto.

Maria sentou-se.

— Ele nunca me perdoará, a senhora sabe. Não sei o que me fez fazer isso. Nós costumávamos dar-nos tão bem. Isto é, quando ele ia ã Irlanda. E!e foi muito impaciento comigo, mas não havia necessidade de... — Suspirou profundamente. — Não sei o que me aconteceu. Sempre pensei em Adam como sendo uma espécie de irmão mais velho e achei que ele ficaria satisfeito por eu querer vir e ficar com ele. Mas não está... não está!

A sra. Lacey estalou a língua.

— Não vá tirar conclusões apressadas, Maria. Você não sabe realmente muito sobre ele por enquanto. Ele sabe ser o mais com­preensivo dos homens; você deveria falar com os pacientes dele!

— Talvez eu devesse ser um deles — observou Maria com infe­licidade. Olhou, medrosa, para a porta aberta. — Onde está ele agora?

— Tinha uma conferência no hospital hoje à tarde. Você conhece esse tipo de coisa. Atividades extras e assim por diante.

Maria pôs uma das mãos na boca.

— Mas, e o seu rosto?

A sra. Lacey encolheu os ombros.

— Sim, eu também pensei nisso. Sem dúvida vai pensar em alguma coisa.

Maria balançou a cabeça.

— Eu realmente o odiei, sabe?

— Não, não o odiou. Só pensou que o odiava — retrucou a sra. Lacey. — No entanto, não posso dizer que tenha ficado surpresa com a reação dele a esse biquini. Por que decidiu usá-lo?

— Só queria provar a mim mesma que era independente. De qualquer forma, ele não ficou zangado por causa do biquini. Tem algo a ver com Larry Hadley.

— Ah, sim — concordou a sra, Lacey. — Gostaria de saber se ele realmente pediu àquele rapaz para vir aqui.

— Mas por quê? Eu gostei de Larry. Pensei que fosse um bom rapaz.

— Bem, há outras coisas envolvidas — disse ela desajeitada­mente. — E não cabe a mim falar sobre isso. Como disse, Larry parece um bom rapaz. Vai sair com ele hoje à noite?

— Disse-lhe que sim. Adam sabe?

— Não tenho certeza. De qualquer forma, vai vê-lo antes de sair. Mas Maria não viu Adam antes de sair. Ele telefonou à sra.

Lacey por volta das quatro e meia para dizer que ia direto para a cirurgia e como ela não tinha nenhum chamado para ele, não havia motivo para voltar. Não mencionou Maria nem pediu para falar com ela e Maria hesitou bastante depois, pensando se devia telefonar a Larry e adiar o compromisso.

Porém, apesar de seus receios, resolveu sair. Afinal, se Adam voltasse depois da cirurgia, a noite se arrastaria, longa e desa­gradável. Além disso, não havia dúvidas de que Adam gostaria muito de vê-la pelas costas por algum tempo.

Tomou banho e pôs um vestido longo de veludo, cor de âmbar, que realçava o brilho de seus cabelos castanhos. Não precisava de casaco, pois estava uma noite quente, então pegou um xale de lã marrom bem macia para pôr sobre os ombros.

Larry foi pontua!, levando o carro até a entrada para ela entrar. A sra. Lacey foi até a porta e, se não parecia exatamente reprovar, havia uma expressão ansiosa em seu rosto enrugado.

Larry ficou entusiasmado com a aparência de Maria, elogiando o vestido e, aos poucos, devolveu-lhe a confiança que Adam tanto abalara pela manhã. Foram ao restaurante sobre o qual ele falara e comeram bifes e salada e dançaram ao som da música beat de um quarteto, a um canto do salão. No decorrer da noite, Maria começou a divertir-se, tentando não mais pensar em Adam. Larry era uma boa companhia e, embora não tivesse tido muita expe­riência com rapazes, sabia quando devia parar.

Larry levou-a para casa por volta das onze e meia. Ele teria gostado de ficar até mais tarde, mas Maria tinha consciência de que era a primeira vez que saía com ele e não tinha intenção de dar a Adam mais razões para queixar-se dela.

Mesmo assim, entrou em casa com alguma preocupação, en­quanto Larry ia embora, e ficou quase desapontada quando viu que não havia ninguém à sua espera. Havia um bilhete da sra. Lacey sobre a moldura da lareira, na sala de estar, mas Maria viu que era dirigido a Adam e não a ela.

Com uma estranha sensação de depressão, foi deitar-se.

Na manhã seguinte, levantou-se cedo, decidida a falar com Adam antes que ele saísse. De propósito, vestiu uma saia branca pregueada e uma blusa vermelha, não querendo mais despertar antipatias por causa de suas roupas. Desceu às sete e quarenta e cinco o, quando ele entrou na sala, ela já estava sentada fingindo ler o jornal da manhã.



  

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